João Carlos Matos do Vale

“PROFESSORES”

Ao longo dos últimos anos temos assistido a alterações na política do ensino em Portugal. A cada mudança governamental (e porque não dizer ministerial), surgem novas ideias que são postas em prática.

Com estas alterações legislativas todos os que gravitam em redor do sistema de ensino, se têm de adaptar. São os pais que anualmente têm de adquirir novos materiais escolares, alguns deles a preços exorbitantes que fazem investir pequenas fortunas, depauperando assim os parcos ordenados que muitos auferem. São os alunos que veem as regras a serem sistematicamente alteradas, nunca sabendo o que esperar no ano seguinte. E são também os professores que em cada início do ano se têm de adaptar a novas ideologias, novas normas e novas filosofias. Disse início do ano, mas infelizmente e usando uma linguagem futebolística, as “regras do jogo” são alteradas a meio do campeonato.

Se todos sofrem com estas alterações, são certamente os professores uma das maiores, senão mesmo as maiores vítimas. Se ainda não efectivaram numa escola, fazem uma vida de saltimbancos, saltado de escola em escola, de terra em terra, fazendo lembrar os povos nómadas do nosso passado.

Há também que frisar a constante degradação desta classe, outrora respeitada e considerada como fundamental. Hoje o professor é tido por muitos, como um mero funcionário público a quem são atribuídas imensas tarefas administrativas e burocráticas, deixando, infelizmente, para segundo plano o que mais importa: A formação dos alunos.

O professor é muito mais do que um transmissor de conhecimentos. É um condutor de seres humanos, rumo a um maior conhecimento nas diversas áreas que são ministradas nas escolas. É um arquitecto de sonhos que ao longo dos tempos vai lapidando os diamantes em bruto que tem à sua frente.

Quantos de nós não nos recordamos daquele professor que tivemos na escola primária ou no ensino secundário e que tanto nos marcou. Aquele professor que devido á paixão com que falava de um determinado tema, sem nada nos dizer, nos influenciou a seguir um determinado caminho profissional.

Por isso é com mágoa que vejo que hoje o ensino se encontra praticamente resumido a uma parafernália de gráficos e de estatísticas que para os (i)responsáveis pelas superiores decisões sobre o ensino, usam para se vangloriarem dos resultados positivos. É com tristeza que ouço acéfalas ideias de administrativas transições de ano, pois com isto estamos a valorizar quem não se esforça e a desvalorizar quem luta por um melhor futuro. Com isto estamos a criar uma sociedade mais imbecilizada no futuro, mas infelizmente quanto menos culto for um povo, mais facilmente é manipulado por quem ocupa as cadeiras do poder. Não quero crer que seja esse objectivo, mas como se diz: “Eu não creio em bruxas, mas que as há… há.”

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