João Carlos Matos do Vale
Serei talvez um pouco suspeito a abordar e a escrever sobre este tema, pois o meu saudoso pai foi sub-chefe da Polícia de Segurança Pública, na extinta Companhia de Polícia de Trânsito. Pelos seus ensinamentos mas sobretudo pelo seu exemplo, aprendi a todos respeitar, muito em especial aqueles que zelam pela nossa segurança.
Sei o quanto é aborrecido (e falo na primeira pessoa) ser abordado por uma patrulha da Brigada de Trânsito da G.N.R. e devido a facto de me ter esquecido de fazer a inspecção obrigatória ao meu carro, receber uma coima de 250,00€ que muito me custou a pagar. Mas o responsável por essa coima, não foi o agente que me autuou mas sim eu, por não ter cumprido aquilo que obrigatoriamente deveria ter feito. Que culpa tiveram os guardas que me abordaram de eu não ser responsável?
Sei que entre os elementos das forças policiais há quem prevarique, quem seja do partido A ou B, do clube X ou Y, quem tenha crenças ou orientações sexuais diferentes da minha, porém ao envergar uma farda, é um dos representantes legais das leis deste País e é assim que deve e tem de ser visto.
Sei igualmente que tal como acontece na sociedade em geral, haja quem envergando essa farda, não seja digno de o fazer por cometer crimes ou irregularidades, mas para isso estão as estruturas orgânicas da força que esse alguém representa e os competentes tribunais para julgar os factos.
Infelizmente, cada vez mais vejo o desrespeito por estes homens e mulheres quantos deles até mal remunerados, sendo que essas atitudes partem muitas vezes de páreas que em nada contribuem para o bem comum. É triste ver agentes de autoridade com medo de exercer a sua profissão, na mesma proporcionalidade com que se vê o branquear de crimes contra eles e a impunidade de criminosos.
E esta impunidade não é só com os criminosos, mas também aquela que está tipificada nas leis que são aprovadas – imagine-se – por quem delas mais beneficia. E não falo só na impunidade diplomática que é concedida aos altos dignatários de países estrangeiros que representam os seus países neste nosso rectângulo à beira mar plantado. Falo também da imunidade parlamentar daqueles que foram por nós escolhidos e de quem esperamos o exemplo. Porém se a eles não se aplicam certas coimas, como podem ser iguais a nós? Nestas alturas lembro-me de George Orwell no “Triunfo dos Porcos” quando dizia que somos todos iguais, mas há alguns mais iguais do que os outros.
Neste caso não se trata verdadeiramente de imunidade parlamentar, mas sim de uma impunidade para lamentar.
Triste esta sociedade em que se majora um erro de um polícia, confundindo tantas vezes a árvore com a floresta, numa atitude de desonestidade intelectual com o intuito de influenciar quem os escuta ou lê. Raros são os casos em que actos heroicos tidos por estes homens e mulheres, têm honra de capas de jornais ou fazem a abertura dos noticiários.
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