João Carlos Matos do Vale
“DIA INTERNACIONAL DA MULHER”

Celebrou-se no passado dia 8 de Março o Dia Internacional da Mulher. Se há poucas coisas mais justas e mais consensuais entre a maioria das pessoas do mundo dito civilizado, é o respeito e a constante homenagem à mulher.
Porém é para mim um absurdo comemorar-se este dia, pois para mim dia da mulher são todos os dias e só assim pode ser. Como Ary dos Santos dizia sobre o Natal, também Dia da Mulher é sempre que um homem quiser e para mim foi no dia 8 de Março, como o é hoje, amanhã e sempre.
E qual o papel desta mesma mulher na sociedade actual. A mulher é muito mais do que um corpo onde os seres humanos são gerados e que de um simples óvulo fecundado, gera um ser humano na sua plenitude. Hoje é peça fundamental nessa gigante engrenagem que é a nossa sociedade.
Não é mais nem menos do que o homem. É apenas diferente, tal como o dia o é da noite, ou o frio do calor, mas por ser como o côncavo e o convexo, se contemplam. Sei que hoje se fala em muitos mais géneros humanos, sendo que para alguns “especialistas” este número já ultrapassa algumas dezenas de designações. Eu, na douta ignorância dos meus conhecimentos, ainda me recordo vagamente das aulas de genética que tive em que se falava que esta diferença de géneros estava na presença de um cromossoma xy ou xx.
Este dia 8 de Março não pode ser banalizado e muito menos usado para a comercialização da mulher. Vejo com inegável tristeza, eventos que se realizam para celebrar este dia, onde as mulheres são convidadas a fazer aquilo que não fazem por opção própria durante o resto do ano. Consumo de álcool e espectáculos degradantes, por exemplo, como se naquele dia se pudessem libertar de uma qualquer prisão a que estão condenadas.
Infelizmente ainda hoje a mulher é vista como um objecto e a quem são restringidos direitos fundamentais e até (imagine-se) o direito a sonhar. Mas desengane-se quem pense que tal só acontece em sociedades fundamentalistas, fruto de acéfalas interpretações de algumas religiões. Mesmo em países como Portugal, ainda podemos ver alguns senhores feudais que certamente pararam no tempo e que veem a mulher como uma propriedade sua que pode ser usada a seu belo prazer.
Homens que após uma separação querem continuar a controlar e a dirigir os destinos da ex-companheira, embora tal também suceda no inverso. A todos os que desprezam, maltratam e enxovalham as mulheres, eu deixo uma questão de difícil (porque não dizer até impossível) resposta: Que seria de todos nós, sem a constante presença das mulheres nas nossas vidas? Onde iriamos ver os mais belos sorrisos, a assertividade e a sensibilidade (ou quiçá sexto sentido) que só elas possuem.
Tenho muito orgulho em ter imensas amigas que difundem sorrisos e assim alegram o meu dia e curiosamente ainda que seja português, nasci em Moçambique e este belo país africano, comemora o dia da mulher moçambicana no dia do meu aniversário. Feliz coincidência.
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