João Carlos Matos do Vale
“A SAÚDE EM PORTUGAL”

Em qualquer sociedade dita civilizada, há três pilares fundamentais para o bem-estar de todos os cidadãos: A educação, a justiça (segurança) e a saúde. Sem um elevado nível de educação (e não falo só de ensino como também de algumas regras fundamentais para uma sã convivência em sociedade), teremos um povo inculto que será certamente manipulado por quem ocupa as cadeiras do poder.
Sem justiça, viveríamos numa anarquia onde se confundiriam as liberdades individuais com os direitos colectivos, ou numa sociedade ditatorial, onde haveria duas justiças: Uma, para os detentores do poder (o mesmo é dizer que podiam fazer o que quisessem), e outra para o resto da população.
O terceiro pilar é o da saúde. Sem uma assistência na doença totalmente abrangente e igualitária perante todos os cidadãos, teremos uma sociedade desigual, quase como catalogando os cidadãos como de primeira, segunda ou “refugo”.
Não querendo entrar nos méritos ou lacunas do nosso Serviço Nacional de Saúde, nem querendo falar dos diversos subsistemas de saúde que existem em Portugal (ADSE, SAD-PSP, SAMS, etc…), tenho obrigatoriamente que pensar e falar sobre os profissionais que desempenham funções nesta área. No entanto, abro uma pequena excepção para me pronunciar sobre os diversos subsistemas de saúde, pois cada um tem o subsistema para o qual contribui, não podendo infelizmente escolher para qual quer contribuir. Na minha modesta opinião, só deveria haver um SNS tratando de forma equalitária todos os cidadãos.
Mas voltando ao assunto que me fez escrever esta crónica e que são os profissionais. Jamais conseguiremos ter um serviço, seja ele qual for, com profissionais mal remunerados, mal reconhecidos e sem condições de trabalho. Ver enfermeiros (por exemplo) a quem são atribuídas imensas responsabilidades, auferirem vencimentos que em nada dignificam a classe e médicos com brutais cargas horárias, faz com que a probabilidade de erros aconteçam e temos de ter sempre presente que um erro na área da saúde, pode ser a diferença entre a vida e a morte.
Também é verdade que o cidadão comum está cada vez mais informado dos seus direitos (embora muita vez alguns se esqueçam dos deveres) e quiçá fruto da vida acelerada que muitos levam, em especial nas grandes urbes, o que faz com que estejam cada vez mais reduzidos os limites da paciência. Hoje por tudo e por alguma coisa, recorre-se aos serviços de urgência de um hospital, “entupindo-o” em muitos casos com situações que não deveriam existir. Depois, parte-se para a ofensa e em muitos casos até para a agressão, esquecendo-se que do outro lado está um profissional que apenas quer cumprir o seu trabalho com rigor e profissionalismo.
Quem recorre a um serviço de saúde e ofende ou agride os seus profissionais (sem razão, se é que algum dia haja razões para tal), será merecedor por isso de maior atenção por parte dos agredidos?
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