Guimarães da Rocha

A demografia, a Europa e as previsões

Ed686_refugiadosRecursarmo-nos a tentar, honestamente, estudar as diversas concepções que nos vão conduzir a uma previsão demográfica global do futuro, é condenarmo-nos a meros espectadores de uma evolução inexorável. É aceitar a colocação fora do palco dos acontecimentos que nos vão ser impostos pela evolução demográfica, na malha fina da rede da Globalização.

É possivelmente algo que dificilmente poderemos controlar, mas que nos fornece, no entanto, conhecimentos necessários a um posicionamento correcto a montante dos acontecimentos. Evitaremos assim, o dispersar de energias duma forma aleatória, antes pelo contrário orientando-as, para uma boa solução de previsível evolução.

Vivemos acantonados em Blocos de Países com conceitos diversos, que procuram de per si controlar a demografia e a globalização, num mundo com díspares estados evolutivos, onde os resultados são sempre de temer, e quando ensaiados em grande escala têm sido desastrosos. Num mundo onde as orientações políticas, vão da ditadura às mais variadas formas de democracia, passando pela teocracia e o tribalismo, prever choques, não é um exercício de mera retórica, é uma certeza esperada, mas com resultados imprevisíveis.

O problema pode resultar na utilização da força, que tudo impõem, desde a destruição ao genocídio, passando pela criação de Países inviáveis, ou pela limitação do número de filhos por casal. Todas as soluções aplicadas têm acarretado incontroláveis tensões futuras.

Nos últimos decénios temos visto grandes concepções político – filosóficas e religiosas, a esboroar-se com o decorrer do tempo, como que imitando o caminho das ”Históricas Potencias da Antiguidade Clássica”.

Os que se consideram senhores da globalização, nada têm ganho com as bruscas resoluções bélicas, deixando horríveis imagens de desolação, que só podem continuar a sedimentar lutas internas, que fomentam também ódios externos, com esperados amargos de boca.

Nem as crenças religiosas têm passado imunes a este vendaval arrasador, sofrendo inimagináveis adaptações, forçadas às bruscas circunstâncias impostas.

Todos os grandes extermínios, guerreiros baseados em teorias socio/políticas com tentativas de homogeneização dos seres humanos, têm acarretado ao mundo, muitas desgraças e alterações, que ainda hoje são base de separação, de ódios e descontrolos existentes.

Desde sempre, em todas as Civilizações, o factor humano foi o ponto fundamental, quer na glória, quer no ocaso das mesmas, com históricas e inimagináveis violências.

A “Alma das Grandes Religiões “nem sempre tem trazido paz, sendo embora, quase sempre, o cimento agregador de grandes massas humanas.

Somente na última centúria o olhar mais atento dos Governos, das Universidades, dos Movimentos e Teorias Políticas e Religiosas, têm apresentado estudos de previsibilidade da evolução das grandes massas humanas.

A pesquiza de dados objectivos, principalmente a estatística, é o ponto de partida inicial, e é através dela que se vem conhecendo a realidade, por vezes não esperada ou não desejada.

Com o aparecimento da União Europeia todos os estudos sobre a demografia têm sofrido alguns percalços, resultado duma hierarquização da importância dos diversos sectores e dos diversos países que compõem a mesma.

Isto pode explicar que tenha sido através da “Política Europeia Comum de Segurança e de Defesa “, que tem estado mais atenta ao fenómeno demográfico, que os estudos desta matéria tenham encontrado apoio para um maior desenvolvimento.

Contudo, e apesar de aturados estudos da maior validade, mas como que a medo de se comprometerem, não têm deixado de explicar que “os textos não representam de modo nenhum uma posição Oficial da União Europeia”( ! ), o que pode dar a impressão, possivelmente errada, que o futuro da União Europeia permanece ainda incerto!

Num estudo com limite temporal a 2025, esta posição é bem visível, nomeadamente no que respeita à totalidade dos Países que, nessa data, farão parte da U.E. !

A União Europeia parece neste momento estar de boa saúde, mas o que no seu seio se passa não augura nada de bom!

Tendo em vista a linha orientadora do nosso último artigo neste jornal, vamos procurar sintetizar a previsibilidade da evolução demográfica na Europa. “Estejam descansados que não vou propor uma “difusão do nosso Club” na Europa, pois ele é somente Nacional”.

Como me dizia um economista amigo,-“ um tipo nunca sabe como esses gajos da Europa vão reagir! Muita preparação, muita educação, muita racional alimentação, etc.; e nós vamos ver os resultados demográficos e ficamos sem saber o que pensar”!?

Em 2025 as “tendências Gerais” previsíveis não são o Paraíso prometido. De forma nenhuma!

Mas comecemos pela visão Planetária dos europeus:-

“1)-A população do planeta deverá passar de 6,4 mil milhões de indivíduos em 2007 para 7,9 mil milhões em 2025 (+23,4%);

2)-A população do conjunto dos países desenvolvidos conhecerá apenas um desenvolvimento marginal.

A previsão do crescimento populacional para os países desenvolvidos é de 40 milhões de pessoas apenas, distribuídas mais ou menos nas seguintes percentagens:

Registar-se-á:

um crescimento de: USA +17,4%; União Europeia +2,4% ;

e uma redução de: Japão -2,6%; Rússia -10,8%.

Nota: a U.E. com 27 países só representará, aproximadamente, 6% dos habitantes do Globo, e a população do conjunto dos países desenvolvidos não ultrapassará os 15%.

3)-O envelhecimento será a principal característica demográfica do mundo desenvolvido, incluindo a China;

A relação de dependência económica das pessoas idosas registará um crescimento exponencial, enquanto nos países em desenvolvimento, a população manter-se-á relativamente jovem e o número de activos aumentará, criando tensões no mercado de trabalho.

4)-Ainda que os efectivos de migrantes diminuam ligeiramente, irão aumentar a proporção de migrantes internacionais com destinos aos países desenvolvidos;

“As taxas migratórias para a Europa deverão permanecer estáveis, mas a situação económica das regiões limítrofes e as políticas migratórias europeias serão determinantes neste aspecto.”

5)- Apesar da progressão das técnicas médicas, as populações serão submetidas a novas pressões em matéria de saúde;

Envelhecimento da população, poluição, urbanização rápida, maior mobilidade das populações com real possibilidade de facilitação das epidemias, etc.

6) Em 2025-Indivíduos com mais de 60 anos serão 30% nos países desenvolvidos e 13% nos países em desenvolvimento- Esta evolução demográfica vai criar um défice de mão-de-obra. O rácio de dependência das pessoas idosas (+65 anos) aumentará assustadoramente (Europa e Japão).

Países em desenvolvimento sentirão dificuldades em fornecer empregos suficientes ás reservas de mão de obra que possuem”.

Fácil é prever grande mobilidade da mão-de-obra entre estes países, e alguns autores apontam números a rondar os 2 milhões/ano, com destino à Europa.

“É impossível antecipar “migrações forçadas” (Catástrofes naturais, conflitos armados, etc.)”

Duma forma pretensamente sintética, estas palavras, procuram reflectir, o que mais ou menos oficialmente, se pensava, através de relatórios, da U E em 2006. Há já nove anos!

A realidade a todos parece ter surpreendido no momento actual, é o reflexo fundamentalmente dos conflitos armados do Médio Oriente e da não solução dos problemas locais existentes e pré-existentes. (Perante a situação criada seria assim tão difícil fazer previsões?)

Seja qual for a causa, o espectáculo diário actual dos refugiados na Europa e a incapacidade de  solução da situação, são uma vergonha para todos os intervenientes, e uma demonstração pática da impotência Europeia para a resolução dos problemas criados!

É INDESCULPÁVEL O QUE ESTÁ A SUCEDER E COMO TUDO SE ESTÁ A PROCESSAR! Desculpem, mas “Sinto uma imensa angustia com as imagens que diariamente nos apresentam, e uma revolta com a incapacidade demonstrada, e com a “Ausência PROPOSTAS, e de SOLUÇÕES, válidas”!

“Pensar sobre os números, e concepções da própria EU, pode conduzir-nos a raciocínios pouco positivos, quer para os Gabinetes de Estudos da EU, quer para a capacidade de resolução das entidades responsáveis, quer mesmo, para a noção de continuidade da própria Europa, tal como foi concebida”.

Se a continuidade é o pretendido, é urgente mudar. Mesmo muito urgente!Redação Gazeta da Beira

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