Graça Barão*

José Saramago

De seu nome – José de Sousa Saramago. Nasceu no concelho da Golegã, na aldeia de Azinhaga. Era um homem do povo, assumidamente. Fez-se grande, como ele próprio não imaginaria no tempo em que depois de um dia de trabalho se refugiava na Biblioteca Municipal Palácio Galveias, em Lisboa, para ler e conhecer. Deixou-nos, desabrigados, em 2010 (aos 87 anos).  A nós, em primeiro lugar, pois eramos seus conterrâneos, mas igualmente ao resto do mundo, já que a sua escrita e as suas obras vencendo fronteiras chegaram aos quatro cantos da terra. Deixou-nos um vasto legado literário e humano, universal.

Eu, por mim, proponho-vos Viagem a Portugal, publicado em 1981. O protagonista é sempre, e somente, ‘o viajante’, sem nome atribuído, pois que para viajantes todos estamos habilitados, haja a condição e a disposição para empreender viagem. As descrições são minuciosas, por vezes acompanhadas de interrogações, os pensamentos fluem, naturalmente, perante o que ‘o viajante’ observa. Tudo é descoberta e riqueza “as ruas com os seus nomes saborosos, a da Árvore, a do Chão do Mestre, a Escura e a Direita”, “a estrada que vai a Castro Daire é muito bela. O viajante sente-se reconciliado com o mundo”. Todavia, será uma jornada que nem todos nós poderíamos empreender, pela simples razão que para além do olhar e da disponibilidade para acolher o que encontramos é necessário usar o coração. Aqui não há filtros entre o olhar do viajante e a paisagem observada, seja ela natural, patrimonial ou humana.

*Bibliotecária

16/12/2021


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