Graça Barão*
Ernestina de J. Rentes de Carvalho
J. Rentes de Carvalho
Ernestina

Nasceu em Vila Nova de Gaia, mas é na região transmontana que encontramos as suas raízes e determinação. Professor, jornalista, cronista, escritor, José Rentes de Carvalho dedicou a vida à literatura, à escrita. Colaborou em jornais portugueses, brasileiros, belgas e holandeses, assim como em revistas literárias. O seu mais recente livro foi publicado em junho de 2021, aos 91 anos. Autor premiado com Grande Prémio de Literatura Biográfica (2011) Grande Prémio de Crónica (2012, 2013), Prémio Autores (2017). Em 1991 foi agraciado com o grau de comendador da Ordem do Infante D. Henrique. Reparte o seu tempo, e residência, entre Estevais (Mogadouro) e Amesterdão.
A nossa proposta vai, desta vez, para “Ernestina” – romance autobiográfico em que o autor afirma que “não inventa nem alinda”, embora se detenha com minúcia na vida dos avós maternos e paternos (recuando até à juventude destes, por volta de 1880), talvez para que possamos abarcar pelo passado que nos sustenta o futuro que poderemos ser. É uma leitura a que não se escapa incólume, já que na homenagem prestada na morte conseguimos depreender a grandeza de uma pessoa em vida, como foi o caso com o avô António (o sapateiro) e isso toca-nos.
Usando um binóculo que recebera do avô José Maria, o narrador dedica-se a perscrutar o mundo a partir da janela da sua casa, preso ao fascínio de poder ver ao pormenor o que está longe, tal com faz ao narrar a história da família.
“Ernestina” é um texto sem “farfalho” (palavra usada pelo autor, numa entrevista, para explicar a clareza e objetividade da sua escrita), mas pleno de vida e morte, de amor e raiva, de desafios e resoluções. É um texto em que sai, ainda, reforçada a importância do saber, da leitura e dos livros (permitem-nos aprender a ler… e a “descobrir segredos de freiras”).
*Coordenadora Interconcelhia das Bibliotecas Escolares (CIBE)
14/07/2022

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