Graça Barão
Dulce Maria Cardoso - O Retorno
Dulce Maria Cardoso
O Retorno

Desde 2001 que vários dos romances de Dulce Maria Cardoso lhe valeram múltiplos prémios (em 2001, 2005, 2009, 2011 e 2018). Em 2012 foi condecorada, pelo Estado francês, com a insígnia de “Cavaleira da Ordem das Artes e Letras”, (tal como aconteceu a Amália Rodrigues, António Lobo Antunes e Agustina Bessa-Luís, entre outros). É, ainda, autora de inúmeros contos e assina a coluna «Autobiografia não autorizada», na revista Visão. Está, semanalmente, no programa televisivo «Original é a Cultura», onde é comentadora. Natural de Carrazeda de Ansiães, foi, contudo, em Luanda que passou a infância. Regressou na “ponte aérea” de 1975.
Em «O Retorno», livro de 2011, a autora captura de forma singular o mundo que se desmorona, para esta família, em Angola, e que integra o universo de mais de meio milhão de portugueses que regressa à metrópole (Lisboa, e por extensão Portugal), em 1975, mundo esse que não seria devidamente reerguido.
É pelo olhar de um adolescente de 15 anos, Rui, que diferentes pontos de vista ajudam o leitor a construir sentidos, para além daqueles que a História terá levado a fabricar. Embora fantasiando a mudança – “Mas na metrópole há cerejas.” [para ele, o Rui], o facto é que era em Luanda que a casa tinha torneiras, aspeto valorizado pela mãe que atestava uma “raiva que tinha aos jarros azuis, um à cabeça e um em cada mão”, pois “na aldeia não havia uma casa que tivesse torneiras”. E a metrópole que os espera “Sejam bem-vindos a este hotel. (…) Terão reparado que é um hotel de cinco estrelas…”, “Portugal não é um país pequeno, é um império do Minho a Timor” revelar-se-á, paradoxalmente, pequena, mesquinha – “(…) isto aqui não é a selva, não é como lá de onde vens, (…).” e incapaz de responder adequadamente aos desafios que se apresentaram e às sequelas que provocaram.
17/03/2022

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