Graça Barão
Francisco Moita Flores - Em memória da Albertina, que Deus haja!
Francisco Moita Flores
Em memória da Albertina, que Deus haja!
Foi de Moura, onde nasceu, que Francisco Moita Flores abraçou o mundo. Num percurso académico materializado por Moura, Beja, Lisboa, Coimbra e além-fronteiras, cursou Biologia, História, Sociologia, Criminologia entre outros temas. Integrou a Polícia Judiciária, com diferentes funções, por mais de uma década; mas foi também professor do ensino secundário. Com uma obra literária e ensaística de grande envergadura, publicou mais de duas dezenas de romances e novelas; é autor de argumentos para cinema e televisão, alguns derivados das suas próprias obras, de valor e interesse confirmados; participa regularmente em vários periódicos. Está traduzido em diversos idiomas incluindo mandarim. Em 2009 foi agraciado com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante pela carreira literária e pública.
O romance “Em memória da Albertina, que Deus haja!”, terceiro volume que completa uma trilogia, sem ligação entre si, quer com as personagens, quer na ação central, acentua (!) a caricatura de uma sociedade que sofre de muitas enfermidades e falhas, seja qual for a perspetiva adotada para a observar, neste caso pela lente do sistema judiciário português: “um país inseguro e hesitante entre uma telenovela e um jogo de futebol”, de personagens que vivem à(na) margem, mas que a qualquer momento, apoiado num inequívoco estado de delírio coletivo, passam a heróis que resgatam o povo da inércia a que este se votou. O que falta em densidade na sociedade descrita, acumula na personagem principal – questão de orientação, por certo, já que “somos o país do mundo com maior densidade de comentadores de futebol por metro quadrado”.
Denso de humor, entre gargalhadas francas ou sorrisos discretos, a naturalidade da narrativa dramática leva-nos do início ao final da história num ápice.
Graça Barão (GB)
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