Francisco Queirós

Somos todos Gregos, ou nem por isso…

Que o Berço da Civilização a que pertencemos saiba gerir bem os seus Destinos…

Ed669_greciaA Grécia foi o berço da democracia. Vivem-se momentos históricos naquele país que podem ter amplas implicações para o seu futuro, mas também para o futuro dos povos Europeus e do próprio projecto Europeu… analisemos um conjunto de citações que os pensadores gregos nos deixaram, há mais de dois mil anos, sobre o poder, a justiça e o funcionamento do Estado Democrático.

Se os melhores Homens se recusarem a participar na Vida Política, terão como castigo maior serem governados por homens piores que eles! – Platão

A Justiça, no que diz respeito às coisas do Mundo, só se coloca quando há igualdade de poder: os Fortes fazem o que as suas forças lhes permitem; os Fracos não têm outro remédio senão submeter-se! – Tucíades

Depois de Cleofon, a liderança popular foi ocupada sucessivamente pelos homens que falavam com mais alarde e que se vendiam ao gosto da Maioria, atentos apenas aos seus interesses do momento. – Aristóteles.

 

As revoluções acontecem mais frequentemente – e é forçoso que aconteçam – quando o Povo tem um espírito orgulhoso, e tem a noção que é tão bom com os seus governantes. – Aristóteles.

 

Nós, atenienses, decidimos as questões públicas por nós mesmos. – Péricles.

 

Nos dias que correm a Grécia é um monte de “escombros” que contrasta com o Generoso Estado Social que lhe reconhecíamos há alguns anos: SMN = 750€ (por cá nem a CGTP se atreveria a reivindicar sequer coisas próxima pois tem a consciência que tal representaria o Caos e a Ruína da nossa das nossa Economia e a desgraça do Povo); férias de 1 semana para pobres em estâncias balneares de sonho e alojamento em Hotéis de 3 a 4 estrelas… coisa que nem os ricos países nórdicos se atreveriam a oferecer!

Falamos agora num país que perdeu 30% da economia, atirou o desemprego para números nunca vistos, 25% (60% dos jovens não têm emprego), viu a pobreza disparar, a protecção social encolher, algum capital fugir pela porta da frente e muito pela porta dos fundos para bancos na Suíça e apartamentos com muitos zeros em Londres. A Corrupção (grande e pequena) sonega 30.000 Milhões de Euros ao Erário público e cuja divida externa ascende a 400.000 Milhões de Euros (cerca de 3.5 vezes o PIB Nacional!).

Depois disso ficou o quê? Um pais devastado e com um novo sistema partidário. Do velho sobrou pouco, o partido do governo e pouco mais. Foi terreno fértil para o Syriza, que venceu as Europeias e este domingo pode vencer as eleições.

É o fim do mundo? Duvido muito. O Syriza moderou muito o programa e vai querer negociar. A União Europeia não vai ceder no essencial, mas arranjará escapatórias. O momento chave do Grexit (termo que significa a saída da Grécia do Euro) não é agora, foi em 2012. Aí é que a Grécia ia saindo do mapa do Euro, agora duvido que isso aconteça. Nada vai ser linear e os mercados vão ter oportunidades de sobra para ficar nervosos. Os mercados, os eurocratas, os eleitores – muitos vão zangar-se com o Syriza se não cumprir o programa -, o BCE e os líderes europeus. Nada será brusco, mas alguma coisa mudará. Provavelmente ao velho estilo europeu, devagar e ao retardador, para se dizer uma coisa hoje e fazer outra amanhã.Redação Gazeta da Beira

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