Francisco Queirós
Eutanásia: porque sou contra…
Eutanásia: porque sou contra…

O Povo português (bem conhecido pela sua iliteracia, falta de esclarecimento e ignorância patológica), não faz a mais pálida ideia do que se passa na Holanda e na Bélgica, dois países que legalizaram a eutanásia. O quadro é simplesmente aterrador!
Em Portugal, a discussão sobre a eutanásia tem sido colocada ao contrário daquilo que seria um raciocínio lógico e com laivos de cientificidade… como habitualmente de resto! Os defensores do sim, apoiados por histérica onda mediática, consideram que uma pessoa tem liberdade para fazer o que quiser com a sua vida, logo tem o direito de pedir a morte ao hospital, como se a morte fosse uma operação médica como outra qualquer, como se “morrer” e “matar” fossem meros conceitos técnicos ou médicos como “diagnosticar” ou “tratar”. Mesmo que isto fosse verdade, mesmo que tivéssemos de aceitar que a morte é um direito, o argumento da liberdade esbarraria sempre no ponto central: o que interessa aqui não é quem quer morrer, mas sim quem se vê forçado a matar – os médicos e enfermeiros, que passam, involuntariamente a exercer as novas funções “Carrascos do Sec. XXI! Oque interessa aqui não é o alegado direito a morrer, mas sim o dever de matar, que não pode existir. Por outras palavras, invocar o argumento da liberdade na eutanásia é falacioso, porque a eutanásia não é um suicídio normal. “Eu faço o que quiser com a minha vida” ou “sou eu quem escolhe a hora e o modo da minha morte” são argumentos de um Suicida, que é um acto total e radical de liberdade. A eutanásia não pode ser defendida nestes termos, porque a decisão final depende de um conjunto de médicos que tem de validar e executar a morte pedida. Ou seja, a eutanásia não é um acto de liberdade. Pelo contrário, é a usurpação da liberdade dos outros (dos médicos e enfermeiros) em nome de um alegado direito à morte.
Se não existe o dever de matar, também não existe o direito de morrer. E aquilo que está em jogo na eutanásia e no suicídio assistido é a transformação do suicídio num desígnio social decorrente de um alegado direito a morrer. Um “direito” que importa liquidar à nascença! O ser humano tem a liberdade para se matar, não pode é ter o direito de desviar o ónus do seu suicídio para outra pessoa ou para uma entidade colectiva e desresponsabilizadora. Ou seja, qualquer um tem a liberdade para se matar, não tem é o direito de chamar os outros para o seu suicídio, não tem o direito de exigir que o matem. Para me matar, eu terei sempre de fazer algo na solidão absoluta da liberdade: congregar coragem para o salto final. Isto é verdade na eutanásia e no suicídio assistido, e continua a ser verdade no suicídio clássico. Se virmos uma pessoa no cimo da ponte prestes a dar o salto para o abismo, o nosso impulso moral é agarrá-la; o nosso dever é ir contra a sua vontade, contra a sua liberdade.
Esta falácia vai ao extremo da irracionalidade: quem pede para morrer dificilmente está na posse do seu livre arbítrio ou, no mínimo, a dor já lhe diminuiu o perímetro da liberdade. Será que tem validade uma decisão tomada debaixo da coação da dor? Será que é consciente uma escolha feita no limite da dor? Duvido. E, mesmo que seja consciente, cabe à sociedade não validar esse desespero. O desespero do acamado que pede eutanásia tem a mesma validade moral do desespero do suicida normal no cimo da ponte. O nosso dever é recusar o seu desespero. Se no cimo da ponte temos de tentar agarrá-lo, na cama do hospital temos o dever de lhe dar o melhor dos cuidados paliativos e da medicina da dor.
Holanda e Bélgica legalizaram a Eutanásia e o que têm para mostrar ao Mundo é uma autêntica “Solução Final” … não tenhamos medo das palavras! Falamos do assassínio – sim, assassínio – de velhos / doentes com demência. Se são dementes, como é que podem assinar o consentimento? Estamos a falar do assassínio – sim, assassínio – de jovens com depressão e simplesmente cansados de viver. Desde quando Depressão e Cegueira são razões para a aplicação da Eutanásia? O quadro é Horrendo, Nauseabundo e Protefacto!
É este, de resto, o grande perigo de uma lei geral da eutanásia: abrir um buraco onde cabe de tudo! O que é isso de “sofrimento insuportável”? E quem decide o que é “sofrimento insuportável”? É por isso que a eutanásia está a servir para centenas e centenas de famílias despacharem os seus velhos com demência ou com outras incapacidades. É por isso que jovens com depressão entram nos hospitais e são mortas porque estão com depressão. Que a aberrante ignorância do Povo Português os leve a desconhecer e mesmo a negar estes factos entende-se, mas os Deputados não!
A vida humana não é apenas válida em condições de perfeição Corporal e mental. Os defensores radicais da eutanásia assumem que uma vida humana só pode ser vivida com total autonomia corporal ou mental; acham que a nossa dignidade está dependente da saúde e da autonomia corporal ou até mental. Sucede que a sacralidade da vida humana não depende da autonomia corporal ou sequer da consciência mental. Um bebé ou um deficiente mental não têm consciência e lucidez, mas não deixam de ser pessoas que urge manter vivas e sãs!
Comentários recentes