Francisco Queirós
Operação Marquês inquinada…
Operação Marquês inquinada…
Sócrates foi interrogado em 5 sessões, mas não é ele a chave para o caso!

José Sócrates foi interrogado por Ivo Rosa e Rosário Teixeira e negou todas as acusações de que á alvo na Operação Marquês. Estavam à espera de quê? Que fosse confessar? Não sejamos patetas!
Apelidou de “delirantes” e “monstruosas” todas as acusações que lhe são imputadas… não se esperava outra coisa de resto. Provavelmente terá usado e abusado de grosseria para com Juiz e Procurador. Não custa a adivinhar: é o seu estilo que de resto partilha com alguns como Lula da silva por exemplo. Um cidadão comum por menos de 10% da raiva destilada por Sócrates contra titulares de Órgãos de Soberania/Policia de Investigação ia passar pelo menos uma noite nos calabouços…, mas Sócrates é Sócrates, não é? “Porreira pá!”
Claro está que bastava confessar um crime para que desse por culpado de tudo o que é acusado pois a base é a mesma. Negou tudo como se esperava e pouco ou nada adiantou ao que já se sabe.
De acordo com a acusação do Ministério Público, Sócrates foi corrompido por várias entidades, sendo os pagamentos correspondentes canalizados primeiro para o primo José Paulo e depois para o amigo Carlos Santos Silva – que lhe foram fazendo chegar o dinheiro às mãos por diferentes vias.
Tudo isto está documentado: as transferências de diversos protagonistas para Santos Silva, e as entregas de Santos Silva a Sócrates, quer pagando-lhe despesas, quer entregando-lhe quantias em dinheiro, designadamente através do motorista.
Sócrates não desmente nada disto – nem podia – mas diz uma coisa muito simples:
- Não tem nada que ver com o dinheiro de Carlos Santos Silva, portanto desconhece a sua origem;
- Os pagamentos que Santos Silva lhe fez ou o dinheiro que lhe entregou foram a título de empréstimo.
E daqui não sai. O que nada adianta à investigação.
Portugal talvez nem seja dos países mais corruptos do mundo, mas por esta lógica arriscasse a chegar ao pelotão da frente dos ditos. Repare-se que eu poderia aqui publicar uma notícia falsa para favorecer alguém, que depositava dinheiro numa conta de um meu amigo. Este, generosamente, paga-me todas as contas e mordomias e eu teria vida de rico muito facilmente. Se a estapafúrdia explicação de Sócrates fosse aceite a corrupção em Portugal passaria a ser um modo de viva ao bom estilo da “Camorra” Napolitana.
Sócrates defende-se como pode: o dinheiro é de Santos Silva, que lho emprestou (logo não é dele) assim nada tem a explicar… Bonito! Só eu não tenho um amigo assim…
Portanto daqui se extrai uma conclusão lógica: é Carlos Santos Silva que deveria estar a ser “espremido” em sede de Interrogatório! E tanto que ele teria de explicar! Alguns exemplos:
1.º Por que razão comprou apartamentos à mãe de Sócrates? Vendeu-os depois? Ganhou dinheiro com a venda? Está a explorá-los? Logo aí se perceberia a convicção com que Santos Silva fez o negócio ou se foi apenas uma maneira enviesada de passar dinheiro para o universo de Sócrates (a quem a mãe o entregou depois);
- As grandes quantias que recebeu do Grupo Lena foram pagamentos de trabalhos efetivos feitos para o grupo? Quais? E onde está a faturação desses trabalhos? Uma vez mais, se Santos Silva não soubesse explicar os pagamentos concluir-se-ia que o dinheiro não era para ele mas para outrem e para pagamento de ‘outros’ serviços;
4.º Por que pagou prestações bancárias do monte da ex-mulher de Sócrates? Era também um empréstimo? A quem? A Sócrates? À ex-mulher? Ou era uma forma de pôr dinheiro na “gaiola dourada” de Sócrates?
4.º Por que razão comprou o apartamento em Paris? Queria pô-lo a render? Mas quem iria para lá era o filho de Sócrates… Este pagaria renda? Ou era mais um empréstimo? Ou um favor? E quem decidiu as obras no apartamento? Por que razão as ordens ao arquiteto eram dadas por Sócrates ou mesmo pela sua ex-mulher?
Nem com a ajuda de todos os Anjos e Arcanjos Santos Silva conseguiria responder a estas interrogações capitais.
Ao contrário de Sócrates, ele não poderia dizer: ‘Não sei donde vinha o dinheiro e a que se deviam os pagamentos’. E teria de explicar muito bem os ‘empréstimos’ ao amigo, de modo a tornar claro que eram mesmo empréstimos e não a devolução de dinheiro depositado na sua conta e destinado a Sócrates.
O inquérito Judicial está a apostar no “cavalo errado”: interrogar Sócrates não leva a lado nenhum, é uma canseira sem proveitos. Encostar Santos Silva à parede é a chave para provar o que é óbvio!
Comentários recentes