Francisco Queirós

Anarquia política em Londres recomenda paciência (e muita!)

A União Europeia deverá fazer tudo o que estiver ao seu alcance para que o acordo existente seja levado à prática. De facto, desde há 3 anos que a agenda da UE se resume ao Brexit e a perca de influência política, económica e social da Europa no Mundo é alarmante! A recente incapacidade de intervenção no Conflito Turco – Curdo- Sírio é disso um sinal evidente. Além de que o Leste prospera e o Ocidente decai. A saída do RU pode muito bem ser o princípio de múltiplas dissidências, a acontecerem, esvaziarão o projecto Europeu!

 

Alguns dizem que “não se sabe muito bem até onde e quando o primeiro-ministro britânico vai continuar a acumular derrotas”. Estão errados: independentemente do que se pense do Boris Johnson, do seu Governo e do seu estilo, a verdade é que tem conseguido vitórias que não se vaticinavam! Senão repare-se:

– Prometeu conseguir novo acordo com a UE e conseguiu!

– Neste momento tem boas possibilidades de conseguir fazer passar o dito no Parlamento, sustento a rebeldia de membros do seu próprio partido, as desconfianças dos unionistas da Irlanda do Norte e chamando Liberais Democratas e mesmo alguns trabalhistas à sua causa!

Talvez Boris Johnson esteja a provar o veneno com que inquinou a concretização do “Brexit” no tempo da sua antecessora, Theresa May. E que terá finalmente percebido com a história da suspensão do Parlamento que o império da lei vincula até um primeiro-ministro.

Este sábado é certo que foi obrigado a adiar a votação do novo acordo negociado para esta semana, mas manifestamente terá já ganho os votos necessários para o fazer +assar no parlamento. Afirmou que não era obrigado a pedir um novo adiamento, sofreu revés ao comunicar a Bruxelas que, sim, que a data de 31 de Outubro deixou de fazer sentido. Mas a verdade só por ignorância e/ou estupidez não se percebe que tal afirmação nada mais foi que um desabafo muito ao seu estilo.

Nos cerca de 90 dias em que está à frente do Governo, Boris Johnson pretendeu dar sempre o sinal que os destinos do “Brexit” dependiam apenas da vontade do Reino Unido. O dia 31 de Outubro seria uma linha vermelha que teria de ser atravessada, com ou sem acordo.

Numa visão do mundo profundamente britânica (como, de resto, é o “Brexit”), o que estava em causa era uma espécie de prova de fogo na qual o Reino Unido determinaria a sua face do futuro sem ter em conta a existência da parte europeia, as consequências danosas para o país ou a ressurreição dos fantasmas na Irlanda do Norte ou do separatismo escocês. Em ambos os casos acredito que a situação está controlada: a Irlanda do Norte deve manter-se fiel à Coroa visto que é maioritariamente habitada por Unionista Anglicanos. O povo escocês daria uma real prova de “menoridade mental” e “soberba conduta masoquista” se pretender sair do RU: a dependência económica de Westminster e do tecido empresarial Inglês e Internacional aí estacionado, mas que facilmente migraria para sul (leia-se Inglaterra e Gales) deixaria a terra do Whisky num estado moribundo!

Certo que vai ter de jogar com as regras de um parlamento que não controla, com os limites impostos pelos seus parceiros europeus. Mas com mais uns meses pela frente, o acordo que negociou poderá ser discutido, eventualmente limado e talvez até aprovado.

A União Europeia deverá fazer tudo o que estiver ao seu alcance para o acordo existente seja levado à prática. O burburinho permanente, a incerteza e o sectarismo da política em Londres são cansativos, mas teremos de viver com eles. Vamos ter de esperar. E de ser pacientes. Mas temos de aguentar porque a RU é demasiado grande e poderoso para que nos possamos dar ao luxo de perder tão importante aliado!

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