Francisco Queirós
Piromania…

Costa acusou a oposição de “brincar com o fogo” no caso dos professores, eu vejo é pirómanos por todo o lado. Quanto mais não seja porque a política não se faz queimando pontes ou caminhando sem rumo.
Basta a qualquer um de nós sair do país ou nele se manter, mas andar alheado do que se passa e mal volta a ligar os circuitos cognitivos e preceptivos à realidade nacional para se aperceber que uma “onda de loucura” tomou as rédeas na Nação.
Na passada 5.ª feira assistimos a um regabofe de foguetório parlamentar em torno de uma iniciativa de extrema esquerda cuja obsessiva deriva ideológica parece tornar claro que “mais vale um doente morto, que um doente tratado num Hospital PPP”!
No sábado (provavelmente tomando-nos a todos por tontos, intelectualmente deprimidos e com graves problemas e amnésia) acordamos com ameaça de Demissão do PM e Governo se fosse aprovada uma Lei que nem é assim tão diferente da que o mesmo Governo aprovou em 2017.
Quem regressa e depara com esta “Opera Bufa” tem vontade de fazer a malas, emalar a trouxa e voltar para onde veio. Pela parte que me toca há muito que ando com a cabeça entretida com o Regresso de Humanos à Lua e posterior conquista de Marte… e por aí devo continuar porque a sanidade mental não tem preço.
Continuo a achar que as reivindicações dos professores (9A4M2D) me parecem excessivas e injustas perante todos os portugueses que se viram privados de aumentos e progressões de carreira por via da intervenção da Troika. Seria, entre outros, hora dos reformados (muito mal pagos) deste país levantarem armas para exigir o que lhes foi retirado das suas magras reformas. Os professores podem ter alguma razão por comparação ao que foi feito em relação aos demais Funcionários Públicos, mas atenção que a progressão de Carreira dos Professores (como de resto na Função Publica em Geral) assenta em três pontos fundamentais: anos de Serviço (antiguidade), uma avaliação de “Bom” (cuja obtenção é essencialmente corporativa sem a intervenção de pais, educadores, alunos, etc.) e a frequência de “cursos de formação” e são do género “Percursos Pedestres” ou “Técnicas de Reciclagem criativa”, etc. Tal como em todos os sectores as progressões na Administração Publica deviam base Avaliação Rigorosa e Mérito. O método atual é insultuoso para a população em geral que trabalha no Privado (que muitas vezes para ter emprego tem de aceitar ganhar menos e ter piores condições de trabalho).
Alguém concebe uma Empresa onde os Funcionários progredissem automaticamente de em 4 anos em função dos critérios aplicados na Função pública? Nem a General Electric se aguentaria por muito tempo!
Não esqueçamos ainda que nos duros anos da Crise os Professores (como a Função Publica em geral) estavam protegidos pelos vínculos efetivos enquanto a generalidade da população penava em empregos precários e mal pagos ou engrossava a lista dos desempregados. Os Professores, por via da política de devolução de rendimentos, têm uma percentagem esmagadora de profissionais a auferir mais de 1500€/mensais (semelhante ao antes da crise); e são uma classe profissional que auferia/aufere cerca de 25% mais que outros quadros com idênticos níveis de qualificação.
Os professores só têm razão num ponto: o Governo está a tratá-los de forma diferente da maioria dos restantes funcionários públicos, para quem descongelou as carreiras. Mas isso é a camisa de onze varas onde António Costa se meteu nas suas negociações com os parceiros da geringonça, isso é a dor de cabeça do PS, que já percebeu que tem pela frente um grau de irritação da classe docente comparável ao do tempo de Maria de Lurdes Rodrigues.
Responder às exigências dos professores implicaria uma despesa adicional de 650 milhões de € a pagar pelo povo Português como sempre.
Quem atenta no disparate das 35 horas, a existência de 2 valores de SMN, o dislate do IVA, sabe o mesmo que eu sei: que essas medidas também foram injustas, que no primeiro caso levaram à degradação dos serviços públicos e a um aumento da despesa que ele nem se atreve a admitir, e no segundo não se traduziu num cêntimo de vantagem para os consumidores.
Se tivéssemos estadistas em vez de politiqueiros era por estes pontos que começávamos. Mas não temos. Temos farsantes, uns maus, outros sem vergonha. Duas fotografias revelam tudo. Duma já quase tudo se disse, a outra estranhamente pouca gente incomodou.
Definitivamente não é o meu estilo e em nada serve o país!
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