Francisco Queirós
A Sacralização do Voto Popular; ou o “Dogma Infantil” do Mundo Ocidental… (parte 2)
O Referendo Escocês (1.ª abordagem)
Tivemos em 18 de Setembro um Referendo à Independência da Escócia e consequente saída da Nação do Reino Unido de que faz parte há mais de 300 anos. Convém dizer que esta União entre Escócia e Inglaterra se inicia quando Jaime VI da Escócia assumiu o Trono do Reino como Jaime I de Inglaterra/Reino Unido…
O Povo Escocês votou, e Muito Bem (!), pela manutenção da Escócia no Reino Unido. No entanto cerca de 44% dos Escoceses votaram em favor da Independência. Parece-me um número preocupante e acima do esperado: calculava-se como razoável uma vantagem do não na ordem dos 17%. De qualquer modo creio que a questão estará resolvida por muitos anos. Para todos os Habitantes do Reino Unido, em particular os Escoceses, a questão deve estar arrumada por muitos anos: os mais jovens (puderam votar todos os que tinham 16 ou mais anos), com mais elevadas qualificações académicas e as mulheres mostraram estar bem mais próximos do “Não”. E face ao exposto é provável que o “Nacionalismo Escocês” definhe no futuro.
Mas estes resultados são mais uma prova a fragilidade do “Voto Popular”, nos moldes actuais, como forma de decisão Política dita de “Democrática”. De facto Partido Nacionalista Escocês (SNP), que promoveu este Referendo, nunca esclareceu questões essenciais que se colocariam a uma Escócia Independente. Quem votou “Sim” foi levado por um Irracional Nacionalismo de Tipo Medieval (que julgávamos morto e enterrado) e/ou se deixou levar pelo Exercício de pura Demagogia promovida por Alex Salomon (líder do SNP). Senão vejamos 3 exemplos cruciais que lavariam qualquer pessoa esclarecida e sensata a votar “Não” de forma convicta:
1) A Questão da Moeda. Durante anos Salomon referiu-se à Libra como um “Garrote” para o Povo Escocês. Na campanha para o Referendo afirmou querer, afinal, conservar a Libra como Moeda Nacional… ou então uma Moeda equiparada à cotação da Libra… uma grande trapalhada pois admitiu não ter “Plano B” caso o Westminster lhe negasse (como negaria!) tais pretensões. Ficava a “Escócia Independente” num Caos Financeiro e Económico: as grandes Empresas sediadas na Escócia já tinham planos para se centrar em Londres e os Investidores estrangeiros fugiriam de tal País como “coelhos do caçador”.
2) O Petróleo e Gás do Mar do Norte. O SNP pretendia fazer crer que seria possível fazer da “Escócia Independente” um Estado “Petro – Dólar” como a Noruega por via da exploração do Petróleo e Gás do Mar do Norte. Ambos os países têm um pouco mais de 5.000.000 de Habitantes, mas as similaridades acabam aqui: a Noruega tem receitas de 40 Biliões de dólares do petróleo. O Reino Unido apenas 10.8 Biliões em 2013, menos 40% que em 2012. E o futuro não se afigura risonho: por volta de 2017 as receitas devem ser de apenas 5,5 Biliões. Daí até os 40 Biliões da Noruega…
3) A Questão Financeira. Entre outros o Gigante “Royal Bank of Scotland” foi resgatado pelo Governo Central da pré-falência em que caiu, como muitos outros, após o colapso financeiro e económico Global iniciado em 2009/10. Dizia o Sr. Salomon que o Banco de Inglaterra seria o “Financiador” do Sistema Financeiro Escocês em crises futuras… este homem só pode estar Louco! Então os habitantes de Inglaterra, Gales de Irlanda do Norte aceitariam pagar o preço dos problemas de Bancos de uma Escócia Independente que, ademais, recusaria partilhar as riquezas do Mar do Norte com os demais Britânicos? Há decoro e honestidade!
E há quem Vote “Sim” perante este Cenário de pura Ilusão, Incerteza total sobre o amanhã e de Caos Iminente…Redação Gazeta da Beira
Comentários recentes