Francisco Queirós
Escolhas Decisivas
“não podemos aceitar é que o ministro das finanças continue a mentir quando afirma que há mais investimento em saúde e os acréscimos das verbas no SNS nem chegam para pagar as dívidas acumuladas”
Fernando Serra Leal da Costa, antigo Ministro da saúde
Somos um país de escassos recursos pelo que as escolhas e prioridades dos investimentos, sobretudo públicos, carecem de uma ponderação muito objetiva entre custos e benefícios reais para as populações.
Um péssimo exemplo de investimentos ruinosos foi o Euro 2004 que nos deixou em Herança, entre outros, o Estádio do Algarve que custou milhões e apenas serve para uns jogos ocasionais de futebol e umas corridas de carros de rally. Pior ainda o de Leiria que é usado para casamentos, segundo li num jornal. E é nesta linha de escolhas que os Portugueses têm de saber se preferem aumentos para os funcionários públicos – eu não sou um deles – ou investimento no serviço nacional de saúde, INFARMED deslocalizado ou medicamentos mais baratos, menos IVA na energia ou mais médicos de família. Mas estas escolhas só são possíveis se os cidadãos acreditarem que pagam taxas e impostos para terem serviços públicos melhores. Caso contrário, cobrar sem nada dar, é Roubalheira!
Não podemos aceitar é que o Ministro das Finanças continue a mentir (arte em que é Mestre!) quando afirma que há mais investimento em saúde e depois, é bem claro, que os acréscimos das verbas no SNS nem chegam para pagar as dívidas acumuladas!
Vem também a propósito a ideia da redução do preço dos transportes públicos, que todos teremos de pagar através de verba do OE, interessa saber se o aumento de uso de transportes públicos tem um impacto favorável para a saúde das pessoas. É indiscutível e amplamente corroborado por estudos internacionais que há vantagens para a saúde de uma população quando há maior uso de transportes públicos. E esses ganhos, dada a sua importância e magnitude, interessam a todos e não apenas à população local. Logo, a defesa de que só deve contribuir, financiando o desconto nos passes sociais, quem é beneficiário imediato, não faz sentido. O OE suporta toda a participação do Estado na saúde pública, em todo o território nacional, e não poderia ser de outra forma. Mas o mais importante é saber que o aumento de uso de transportes não depende apenas da baixa de preços. Está muito mais dependente da qualidade dos meios de transporte e dos seus percursos e horários. Baixar preço sem melhorar a qualidade é compensação, não é benefício. Logo, antes de anunciar que se pretende reduzir o peço dos passes sociais – medida sempre de louvar – seria importante conhecer se o investimento alternativo em material circulante não seria melhor opção ou se não existirão outras prioridades de investimento com maior ganho potencial de bem-estar. É isso que o governo tem de transparentemente explicar. Sendo certo que a transparência e clareza é virtude que não se reconhece a este Governo assente numa enorme Geringonça que pretende ser possível ser consistente quando junta no seu seio Europeístas e quem defende abertamente a rutura total com o Euro!
Em verdade o que se passa, em matéria de transportes públicos, é uma inqualificável falta de qualidade dos serviços: autocarros e comboios antiquados, desconfortáveis, sem segurança e sempre sobrelotados; as paragens são absolutamente 3.º mundistas (em dias de intenso sol ou chuva forte são autênticos espaços de tortura!). Carreiras escassas, percursos desadequados, ligações intermodais difíceis/demoradas ou inexistentes…
Fernando Medina acha-se o paladino da promoção da saúde e do transporte publico sustentado. Mas é um político de 2 faces… mais evidente a lunar que a solar! Procurou, é certo, desbloquear centros de saúde locais que António Costa não conseguiu enquanto presidente da CML. Mas promoveu a construção de ciclovias onde não se vêm bicicletas (mais um investimento sem critério e estudos de impacto!) e vias automóveis, mais estreitas que provocam mais confusão, mais poluição, mais nervos, logos menos saúde! Quem ganha com isto? A população não com certeza!
O mal-estar no SNS já é notícia lá fora como li há uns dias no Espanhol ABC. Uma vergonha.
Querem agora fazer regressar quem emigrou a troco de 50% de redução de IRS… pacóvios! Quem aufere mais de mais de 3000€ no estrangeiro não volta para ganha uns 1200€ mesmo que pagando 50% de IRS! Só se estiver tolo! E ainda por cima voltar para prescindir de serviços de saúde e educação anos luz à nossa frente. Muitos dos que emigraram há dezenas de anos não voltam para não perderem essas regalias e voltariam os mais novos… é preciso não ter senso do ridículo! O Povo que cá vive aguenta estoicamente este estado de coisas porque não tem alternativa. Até quando durará a paciência? Até quando aguentará o SNS sem rebentar pelas costuras?
Ouvir que “o dinheiro não chega para tudo” só se aceita quando ele chega ao que é preciso e não se assiste a desperdício sistemático e contínuo de recursos escassos e preciosos!
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