Francisco Queirós

Em nada a Sorte dura sempre, na Economia também não!

É difícil destrinçar o que realmente foi sorte e que foi talento na evolução da conjuntura política e económica em Portugal da era António Costa. Talvez a resposta ainda chegue antes das eleições de 2019. A bem de um voto mais esclarecido dos cidadãos.

Tal como a esmagadora maioria dos economistas e comentadores, quem anda atento aos que se passa no país não pode deixar de ase surpreender com o desempenho da economia portuguesa e, por arrasto, das finanças públicas. Depois do cenário preocupante que se viveu nos primeiros meses da governação de António Costa, apoiado pelo PCP e pelo Bloco de Esquerda, o primeiro-ministro conseguiu reconquistar a confiança internacional e a economia regressou aos carris. A questão que agora se coloca é se a locomotiva foi apenas a recuperação da economia europeia e o disparo do turismo ou se há talento do Governo no crescimento que vivemos em 2017…

O passado ensina que Portugal quando cria as suas próprias crises não tem força para contaminar os demais. Mas não tem “muralhas” que nos protejam do contágio das crises internacionais.

O que pode e deve então fazer qualquer Governo que se digne ser responsável? Não fazer asneiras que nos precipitem na crise e faço o possível para evitar que a nossa pequena economia aberta seja torpedeada pelos males que vêm de forra.

Foi isso que estivemos a fazer nestes últimos anos?

As últimas entrevistas quer do PR quer do PM revelam um nervosismo e uma ansiedade que até agora não existia. E há de facto razões para essa preocupação, como se está a revelar pela conjuntura internacional e pelos primeiros números do crescimento deste ano. Há riscos externos que não controlamos e há riscos internos essencialmente associados à dependência do turismo, a um sistema financeiro ainda frágil e à ausência de medidas, nomeadamente na administração pública, que mantivessem a trajectória de mudança estrutural que vinha da era da troika.

Esta legislatura, fruto das exigências do acordo para o PS governar, foi executada ao contrário do que é a gestão política de um ciclo eleitoral. Deu-se tudo no início. E o PS corre agora o risco de nada ter para dar em vésperas de eleições, exactamente a altura em que os eleitores memorizam o bom desempenho do governo e o premeiam, reelegendo de novo o mesmo partido.

António Costa sabe que quanto mais tempo passar maior será o risco de se esfumarem os efeitos políticos da reposição de rendimentos e do crescimento da economia e do emprego. Neste momento é o único a quem interessam eleições antecipadas.

Os riscos que se conseguem detectar no horizonte são inúmeros, alguns deles já a confirmarem-se. É evidente o desacelerar da economia Europeia e por consequência da portuguesa. Ora isso prova que 2017 foi mesmo algo de extraordinário e, provavelmente, irrepetível. E os velhos problemas podem estar de volta mais depressa que o suspeitável…

Os protecionismos económicos e políticos dos EUA colocam a Alemanha em sérias dificuldades (é bem-feita! É para perceberem que não são potência nenhuma: o estado da Califórnia é uma economia mais sólida e forte que a alemã… 1 Estado em 51!). O Brexit leva para fora da EU o 2.º maior contribuinte líquido para o seu orçamento. E depois a Itália: um Governo entre a Liga e Movimento 5 Estrelas defende o regresso à Europa pré Euro e o perdão da divida… os investidores assustaram-se fogem e com eles engordam os Juros das Dívidas Soberanas… entre elas a nossa: ao contrário do que diz Centeno: ainda não estamos em porto seguro nem nada que se pareça!

Resta saber como vai ser a aprovação do Orçamento para 2019: nestes 3 anos BE e PCP já aprovaram medidas que ninguém acreditava possível…, mas as eleições aproximam-se e há que marcar posições: aprovar um Orçamento que não coloque o SMN acima de 600€ e contemple aumentos na FP pode ser suicida para Comunistas e Bloquistas…

Haverá então eleições antecipadas, como avisou o Presidente da República e concordou o primeiro-ministro? Não acreditamos: quem assumir o ónus do chumbo do Orçamento corre o risco de ser castigado nas urnas. No limite poderemos ver o PSD a viabilizar o último Orçamento desta legislatura. Na prática, o PS pode jogar duro, fazendo um Orçamento para 2019 que muito bem entende, já que é o único que está interessado em ir a votos o mais depressa possível. Quanto mais tempo passar, mais riscos corre de se ver que pouco ou nada se fez para garantir que Portugal resiste melhor à próxima crise ou até e apenas a um abrandamento da economia europeia.

Até lá António Costa tem ainda de resistir ao Verão, esperando-se que a falta de meios e organização para combater os incêndios não se transforme em mais uma tragédia.

Tudo isto demonstra até que ponto o país económico e financeiro continua vulnerável. Este Governo tem tido sorte e nós com ele. Temo-nos deixado ir na boa onda do crescimento europeu e no crescimento do turismo. Basta um desses pilares falhar para regressarmos aos problemas do passado, o que pode acontecer antes das eleições do próximo ano. “Não há bem que nunca acabe nem mal que sempre dure!” como costuma dizer o nosso sábio Povo!

 

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