Francisco Queirós
Olhos bem abertos que nem tudo são Rosas!
Situação Económica Portuguesa…
Olhos bem abertos que nem tudo são Rosas!

Os mais recentes dados sobre a Economia Nacional devem deixar qualquer cidadão deste país (independentemente da sua matriz política) pelo menos animado e esperançoso num futuro melhor: Crescimento interessante, Déficit controlado e em valores mínimos históricos, Mercados Financeiros bastante interessados nas nossas emissões de Dívida (emprestam-nos a juros historicamente baixos) e um Desemprego que finalmente parece afastar-se para baixo dos dois dígitos (embora este indicador seja sempre alvo de muita maquilhagem… é que os que estão em mera Formação e ou Desempregados de longa duração deixam de contar para as estatísticas oficiais e são tudo menos gente empregada!)… Os números parecem animadores e geradores até de algum otimismo exagerado, mas como nem tudo o que parece é, aqui ficam algumas breves reflexões sobre o estado real a nossa Economia que nos aconselham mais prudência que euforias:
1) As Famílias e Particulares voltas a endividar-se para Consumir
Consuma hoje, e talvez se pague amanhã. É esta a política que o Governo adoptou, e os resultados estão à vista. Estamos a comprar ao estrangeiro mais do que vendemos, e tudo com base no crédito fácil que António Costa incentivou, em detrimento de políticas de aumentos de ordenado baseados no investimento na economia e nas empresas.
As “boas notícias”, difundidas à exaustão pela máquina de propaganda do PS e muita da imprensa afecta, estão de volta. Mas quando se esmiúça os números, compreendemos como Portugal está de regresso aos maus hábitos do passado. Enquanto Costa e Centeno propagandeiam o seu baixo deficit, da Europa chegam outros números, que têm um cariz bastante menos positivo: Portugal está a voltar a ser uma Nação despesista e esbanjadora sem produzir o suficiente para compensar o que consome.
2) Déficit Comercial em terrenos negativos
Face a 2016, Portugal aumentou em 14 por cento as suas importações de bens por estar a consumir mais, mas não produziu o suficiente para compensar os novos gastos. Pior, as nossas exportações, aquilo que nos ajudou a superar a última crise, apenas aumentaram 11 por cento, e hoje só cobrem quatro em cada cinco euros de produtos que compramos ao estrangeiro.
3) O Fantasma da Dívida Publica contra-ataca
Apesar de alguma amortização de dívida do Estado ao FMI, a Dívida Pública de Portugal continuou a subir. E o rácio entre a Dívida Pública e o PIB continua acima dos 130%. Onde está, afinal, o “milagre Centeno”?
Vivemos na “era da comunicação”. Todos os dias, assistimos a uma guerra de informação. E, também, a muita contra-informação.
Compete, entre outros, aos órgãos de comunicação social fazerem a necessária pesquisa ou investigação, para que o público em geral seja devidamente informado. Sabemos que existe muita manipulação de informação, seja ela proveniente de órgãos governamentais e partidários, seja também de alguma parte da sociedade civil.
É consensual considerar que a Dívida Pública de Portugal é enorme. Historicamente, o Estado Português nunca deveu tanto aos seus credores, face à sua produção, como actualmente.
4) Continuamos a ter demasiadas pessoas que trabalham e auferem menos que o valor do limiar da pobreza E demasiados excluídos, humilhados e ofendidos que nem aos bens e serviços mais básicos à dignidade humana têm acesso.
5) Não temos ainda nenhum modelo que garanta a sustentabilidade da Segurança Social e demais Serviços Públicos a médio longo prazo. Ver os mesmos como Universais e tendencialmente gratuitos como dado adquirido é prova de ignorância, alienação e insensatez!
Por isso ou arrepiamos caminho, deixamos a propaganda e os foguetes de parte e nos concentramos num crescimento sólido e sustentado ou a Festa que nos querem “impingir” ainda nos vai custar caro no futuro como outras extravagâncias nos custaram “sangue, suor e lágrimas” no passado. Como dizia um professor de História no Liceu: “a História é a ciência que nos dá a conhecer o passado para que compreendamos o presente e preparemos e futuro!” Esperemos que a passagem pela pré-bancarrota e pelo duro e humilhante resgate nos tenham servido de lição! Mas se bem conheço o nosso país (Povo, mas sobretudo Políticos!) temo bem que não!
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