Francisco Queirós

A peste do politicamente correcto ataca agora o pensamento Filosófico…

A peste do politicamente correcto ataca agora o pensamento Filosófico…

Ele há coisas… coisas fatais como só o destino consegue ser!

Depois de já ter contaminado todas as demais expressões da cultura, a peste do politicamente correcto ameaça agora invadir em força a área do pensamento filosófico. Fiquei a saber há uns tempos que um obscuro grupúsculo de estudantes londrinos denominado “Decolonizing Our Minds Society” (DOMS), se destaca bem mais pela verborreia e proclamação de palermices ditadas pela Politicamente Correcto que propriamente pelas suas proezas académicas e cientificas (de resto e até à data totalmente desconhecidas e que ao que apurei são inexistentes!) Vangloriam-se de ter mais com mais de 12 mil seguidores no facebook” …Uma Enormidade? Não! Apenas a confissão da sua Irrelevância! De resto 12 mil seguidores arranja qualquer um se criar uma página dedicada aos apreciadores de carne de galinha da Índia e nem é preciso muito esforço….

As obscuras criaturinhas questionaram o estudo de filósofos brancos como Kant”, por “defender a superioridade europeia” imagine-se!

Esta campanha (se assim se pode chamar à acção de tal grupúsculo) começou por visar, entre outros, Immanuel Kant (1724-1804) e é mais evidente prova da estupidez intrínseca da peste do politicamente correcto, ou não tivesse sido o filósofo prussiano um dos pensadores mais progressistas da história universal – sendo que desde já me coloco como não propriamente um kantiano (por uma série de outras razões que não são aqui pertinentes).

Sim, é verdade que Kant defendeu, desde logo ao falar da história da filosofia, uma “superioridade europeia”, mas essa tese não tem que ser interpretada a partir de razões genéticas ou raciais, como pretende a DOMS. A ser assim, o próprio Kant teria sido incoerente: porque, decerto, quando ele celebra o alvor da filosofia na Grécia Antiga, ele não o faz atendendo a esse tipo de razões. Platão e Aristóteles tinham o mesmo tom de pele dos restantes europeus da época – seriam, quanto muito, um pouco mais morenos. E, no entanto, foi na Grécia Antiga que a filosofia nasceu. A tese genética ou racial não explica, pois, coisa alguma como pretendem fazer crer as criaturas em causa.

A explicação é bem mais prosaica: a filosofia, como uma das mais altas expressões da cultura humana, pressupõe um contexto social propício – nomeadamente, a existência de cidades, ou seja, de agregados sociais com escala, e de instituições que promovam expressões culturais com maior densidade. Na Grécia Antiga, esse contexto social propício existia, com as Cidades-Estado e as suas Escolas. Como depois veio a existir nos Burgos europeus e nas suas Universidades, durante a Baixa Idade Média e a Modernidade. Se, depois, grande parte da filosofia foi expressa nas línguas inglesa, francesa e alemã a explicação é igualmente essa.

A uma escala global, reconhecer a evidência de que a Europa foi, durante séculos, para o bem e para o mal, uma espécie de Locomotiva Intelectual e Tecnológica do mundo, tal como a Grécia Antiga e o Império Romano o foram,na Antiguidade, em relação à restante Europa (no essencial, é isso o que Kant defende), não significa pois, de todo, sustentar uma posição racista. Negar essa evidência em nome do “politicamente correcto” é que será, tão-só, estúpido! Iguais em potencial à partida, as línguas e as culturas não têm que ter depois, por razões várias, o mesmo ritmo de desenvolvimento. Na época de Platão e Aristóteles, grande parte da restante Europa estava ainda muito atrás (atraso que veio depois a recuperar). E o mesmo aconteceu, naturalmente, em África, na Ásia e nos restantes continentes.

A quem vai atrás destas criancices e devaneios pseudomorais do Politicamente Correcto recomendo a leitura e o estudo de outro Grande da Filosofia: Hegel (1770 – 1831) também Europeu e branco por sinal. Talvez percebem finalmente que na matriz do desenvolvimento da humanidade habita uma Dialética: Tese, Antítese e Síntese. Sendo que necessariamente a Síntese melhora e supera os estados de Tese e Antítese… não foram os conflitos sempre génese dos maiores progressos Políticos, Éticos, Científicos e Tecnológicos da Humanidade?

Em geral tudo começou na Europa e Mundo Ocidental em Geral para depois se alargar ao mundo em geral.

É assim tão politicamente incorrecta esta evidência? Pelos vistos sim… como era no seu tempo a razão de Galileu perante a intransigência obscurantista da Inquisição! Já aqui o disse e reafirmo: o politicamente Correcto é o Herdeiro Natural da Inquisição! Mas os intolerantes são os outros…

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