Francisco Queirós

A Denuncia do “Politicamente Correcto” como imperativo de Consciência (IV)

A descoberta do Caminho Marítimo para a Índia foi o Episódio Maior dos Descobrimentos Portugueses e marcou o início de uma nova era na História Universal. Uma proeza que só encontrará paralelo na Conquista da Lua! Ou tenha até sido algo de Maior ainda que as Alunagens dadas as Imensas Dificuldades que a Rudimentar Técnica disponível á Época colocavam aos nossos Valerosos Marinheiros “Em perigos e guerras esforçados, mais do que prometia a Força Humana”; Os Lusíadas, Canto I.

Mas o livro “Conquerors: How Portugal seized the Indian Ocean and forged the First Global Empire” apresenta os portugueses como uns terroristas sedentos de sangue!

Não podia faltar! A “Brigada Internacional do Politicamente Correcto” tinha de atacar Portugal e o capítulo mais glorioso da nossa História: os Descobrimentos e a Expansão.

E os disparates começam logo na Capa do livro: para ilustrar uma obra cujo âmbito cronológico vai de 1415 (conquista de Ceuta) a 1515 (morte de Afonso de Albuquerque), a coroa real que encima o escudo tem cinco aros visíveis e barrete púrpura, símbolo que só começou a ser utilizado no reinado de D. João V, no século XVIII. Mas há mais… e pior: o escudo de Portugal está assente numa esfera armilar em campo azul, isto é, as armas do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, sancionadas por Carta de Lei de 13 de Março de 1816 assinada por D. João VI. Um mero erro de 300 anos! Nada mal para uma obra de história narrativa…

O autor, um obscuro Roger Crowley, frequentou a Universidade de Cambridge mas não fez carreira como historiador! O seu currículo académico (se assim se pode chamar!) resume-se a ter dado aulas de inglês em Istambul, aproveitando para conhecer a cidade e dar passeios pela costa ocidental da Turquia. Depois disso tem escrito sobre a História do Mediterrâneo e suas civilizações. Agora resolveu “reescrever” a história do nosso País, concretamente acerca da nossa Epopeia Marítima…

Durante quase 200 anos, do início do século XV até finais do século XVI, Portugal esteve na vanguarda da História do mundo. A grande aventura da Expansão iniciou-se com a conquista de Ceuta e prosseguiu com a descoberta das ilhas do Oceano Atlântico e com a exploração da costa ocidental de África. O projecto do Infante D. Henrique foi continuado por D. João II, que apontou a Índia como objectivo, atingido já no reinado de D. Manuel I. A viagem de Vasco da Gama até Calecute, onde chegou em 1498, foi o momento mais alto da Expansão ultramarina. A importância da descoberta do caminho marítimo para a Índia pelo navegador português foi tal para a própria Humanidade que insuspeitos e Conceituados Historiadores Anglo Saxónicos falam mesmo no início da “Era Gâmica”!

Crowley não pode deixar de reconhecer que este pequeno país na Periferia da Europa “deu novos Mundos ao Mundo” – mas a tónica vai para uma narrativa sanguinolenta de conquista e esmagamento.

Vasco da Gama e, sobretudo, Afonso de Albuquerque, são apresentados como “zelotas religiosos” – leia-se fanáticos – ambiciosos, gananciosos e cruéis. Devia este Crowley ter lido a obra do Professor Joaquim Barradas de Carvalho para perceber que a motivação maior dos Descobrimentos sempre foram as Riquezas materiais e que a Expansão da Fé (desígnio onde se poderiam inserir figuras de Fanáticos Religiosos) era apenas uma forma de agradar e receber apoio do Clero e do Papado!

Apesar de reconhecer que foi a superioridade tecnológica que permitiu a conquista das principais cidades portuárias da Índia e o estabelecimento de fortalezas nos locais mais estratégicos do Oceano Índico, de Malaca a Ormuz, a imagem que transparece é sempre a da “brutalidade aterrorizadora” com que passaram ao fio de espada “dezenas de milhar” de muçulmanos inocentes. Daí a comparar os heróis mais ilustres da nossa História a Terroristas Suicidas Islâmicos vai um passo demasiado curto para ser tolerado!

A conclusão que se tira deste livro é que nós portugueses fomos muito, muito Maus… como se os demais Europeus colonizadores, ou antes deles os Árabes que nos dominaram durante séculos e obrigavam a conversões forçadas a fio de espada “Ou Crês ou Morres”, fossem uns “Anjinhos”! Haja Decoro, Decência e Vergonha!Redação Gazeta da Beira

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