Francisco Queirós

O “Camarada Costa”…

Este Homem não é de Confiança!
Não era fácil confiar em alguém que nem sabíamos se acreditava no seu programa eleitoral (!), agora é impossível confiar num político (?) que procura mudar as regras do jogo apenas para salvar a sua pele…
Ribeiro e Castro disse um dia que o famigerado Vale e Azevedo tinha “uma relação irreconciliável com a Verdade”, pelos visto não é caso único… e esse é um problema do Partido Socialista: foi do PS que chamou a troika (!) depois do mesmo PS tudo esbanjar em obras faraónicas, aumentos salariais eleitoralistas, contas por pagar escondidas debaixo do tapete e ainda aquilo que talvez um dia os tribunais venham a apurar. Estivemos a dois meses da bancarrota!
Pelos vistos também é um problema do seu novo líder. Afinal as trapalhadas da campanha não eram apenas fruto de hesitações e incompetência, antes sinal de um estilo de liderança que gosta de dizer uma coisa num dia e outra no dia seguinte faz parte da sua própria natureza.
Estivemos desatentos ou preferimos olhar para outro lado. E nem nos preocupamos o suficiente com a forma cobarde e grosseira como Costa “esfaqueou” brutalmente Seguro depois de com este ter acordado não se afrontarem a bem da unidade do partido. Nessa mesma hora rasgou o compromisso com os Lisboetas: que ficaria até a fim do mandato!
Costa exigiu a Seguro um resgate da Herança Socrática porque afinal o “Camarada Costa” fora n.º 2 do ex-prisioneiro 44… depois, com todo o cinismo, visitou o ex-chefe fugidiamente apenas uma vez, mas não deixou de usar “socratistas” para tomar o poder no PS…
Na anterior Legislatura o PS só se comprometeu com uma reforma importante: a descida faseada do IRC para tornar o nosso país mais atrativo ao investimento estrangeiro. Uma descida faseada que duraria mais de uma legislatura. Na apresentação do Programa Económico do PS o Líder que repete até à exaustão que “o PS assume todo o seu passado” deixou cair esse acordo!
Vieram as Eleições e vitória “poucochinha” das europeias transformou-se numa derrota nada “poucochinha” nas legislativas.
Ouvimo-lo então dizer, na noite da humilhação e do naufrágio, (afinal Costa não era o “Messias” que haveria de conduzir o PS à Maioria Absoluta?) que não faria coligações negativas e que esperava que os vencedores, sem maioria, lhe viessem falar pois a eles pertencia “o ónus de encontrar uma solução de estabilidade”. No dia seguinte, de uma forma mais articulada e mais clara, o homem que tinha escolhido para lhe suceder na Câmara de Lisboa, Fernando Medina, disse este era o “tempo do compromisso” e de negociar para dar resposta à mensagem que os portugueses tinham dado na véspera: “conciliar a pertença à Europa e à moeda única com a mudança nas políticas económicas e sociais”. Não: estas palavras não foram retiradas da mensagem de Cavaco Silva, são mesmo do socialista que foi braço direito de Costa em Lisboa!
Mas de repente tudo mudou. Em vez de preparar uma negociação com a coligação, António Costa vai à sede do PCP – e reparem neste detalhe: é ele que se desloca a casa dos comunistas, não Jerónimo que vem ao seu encontro. Fazer o quê? Falar com o único partido parlamentar que, expressamente, defendeu a saída do euro e recusou a pertença a “esta Europa”.
Mais uma vez nos quis enganar: está escrito no site do PCP que o programa do PS “não responde a uma aspiração de ruptura com a política de direita”. Então convergem em quê? Apenas na “Coligação Negativa” que impeça a PàF de Governar, ou seja naquilo que Costa condenara na noite da derrota!
O PCP não teve que se mover um milímetro: impôs as condições ao PS para que este possa contar com o seu suporte em São Bento. Ou seja: o PS até pode vir a ser Governo, mas nem sabe se poderá aplicar o seu Programa Eleitoral!
Parece óbvio que não se pode confiar em quem muda as regras do jogo para salvar a face e ser Primeiro-ministro a todo o custo para satisfação do seu Ego e garantia de sustento da sua Clientela Política!
António Costa não é mesmo um homem de confiança, de palavra dada, de relação segura. Se nunca nos diz tudo o que pensa, também nunca sabemos o que fará no dia de amanhã. Costa julga-se mais esperto que todos mas o que tem conseguido é ficar na dependência dos Humores (políticos e não só) de PCP e BE.Redação Gazeta da Beira

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