Francisco Queirós
Os Migrantes
Os migrantes que agora provocam uma onda de comoção e suposta solidariedade em Budapeste, pela Europa e Mundo em geral são os que tiveram sorte, dinheiro e iniciativa para chegar aqui. Para trás ficaram os condenados à morte!
De repente todos se comovem e juram solidariedade para com esta gente, mas em anos e anos de horrores e sofrimento na Síria, Iraque, Afeganistão, Líbia, Iémen etc. poucos prestaram atenção (em especial a Comunicação Social sempre tão ávida de sangue…) e muito pouco ou nada fizeram para auxiliar essas populações martirizadas! Crianças nuas na neve do Líbano; mulheres e crianças a prostituírem-se um pouco por todos aqueles territórios, corpos despedaçados pelos bombardeamentos (muitos deles químicos), o Iraque onde todos os dias morre (muita) gente… pareciam uma realidade demasiado distante a que se respondia com a mais desenvergonhada indiferença! E no mundo atual não há desculpa: não digam que simplesmente não viram/não sabiam porque isso é quase impossível!
O ISIS leva a barbárie ao impensável no nosso tempo e faz tremer a Europa; o Iraque já nem se pode definir enquanto estado, a Síria vai-se desfazendo; o Líbano e Jordânia estão no fio da navalha, enquanto o Egipto é um Estado falhado! A Turquia aproveita a anarquia reinante, o seu Estatuto de membro da Nato e a sua localização geoestratégica privilegiada para liquidar os Curdos perante a mais cobarde conivência internacional!
Desde a Invasão do Iraque em 2003 que a Europa dá de si mesma uma imagem Vexatória: de facto os horrores Iraquiano ou Sírio não mereceram qualquer tipo de movimentação/intervenção europeia: uma “mesa redonda” que fosse… alguma coisa que visasse a resolução dos problemas daqueles territórios e seus povos e lhe garantisse pelo menos a paz e o direito à vida, à liberdade e o acesso aos bens essenciais à vida humana.
Os Americanos decidiram bombardear as posições do ISIS e o que fez a Europa? NADA! Para não variar!
No meio disto tudo Merkel e a Alemanha aparecem como os “Paladinos do Acolhimento”. Pura Hipocrisia! Sabem que não mal vistos por causa da situação Gréga, a sua População está velha e decadente (perderão largos milhões de habitantes num espaço de tempo curto) e ainda têm indústrias a quem a mão-de-obra barata faz muita falta. Melhor que receber outros Europeus qualificados e reivindicativos por que não aproveitar esta Mole de desgraçados Apátridas? A Alemanha quer aproveitar-se deles até ao tutano! Esqueçam qualquer súbita onda de Solidariedade e Humanismo Alemães! Serão sempre uns Rufias Oportunistas e Exploradores!
Quem chega á Europa e os milhões de irmãos já mortos são as vitimas dos conflitos que o Ocidente promoveu há que dize-lo sem meias palavras! Esta vaga de Migrantes é o resultado do Intervencionismo interesseiro das grandes potências e das Primaveras Árabes que os Jornais e certas correntes de pensamento promoveram até à exaustão. Fizeram-se cair regimes que, bem ou mal, sustentavam países funcionais e estruturados para deixar em seu lugar territórios entregues à mais perfeita anarquia, pasto fácil para o ISIS e lastro de intermináveis guerras civis. Porquê? Porque é preciso controlar as Fontes do Petróleo e Vender Armas! Com a queda da União Soviética e do seu Bloco de Aliados desapareceu o Inimigo que atemorizava o Ocidente tornava a Venda de Armas (cada vez mais caras e sofisticadas) um imperativo dos Governos do lado de cá da “Cortina de Ferro”… havia que estar prevenido contra a ameaça de Leste. Mas essa ameaça desapareceu e houve que criar novos inimigos que justificassem o investimento em armas e dessa forma alimentar a “Industria da Morte”. O Mundo Árabe (ou pelo menos parte dele) serviu na perfeição tal intento. As consequências estão à vista de todos: a situação no Médio Oriente está mais volátil e explosiva que nunca. As Relações com a Rússia de Putim frias e azedas. Uma integração séria de tal vaga migratória vão custar valores incalculáveis e não apenas gerar riqueza como dizem alguns. Os fluxos migratórios vão alimentar a Extrema Direita Xenófoba, o Racismo, as Máfias, distorcer a Demografia Europeia, o próprio espaço Schengem e uma certa ideia de Europa. Semearam ventos… aguentem-se com as Tempestades!Redação Gazeta da Beira
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