Francisco Queirós
Grécia, Grécia… de onde vens, onde estás e para Onde Vais?
Crónica da Tragédia
Outubro de 2009: Governo Socialista (PASOK) de Papandreou revelou ao Mundo o gigantesco problema Financeiro da Grécia. Em Dezembro a Agência Fitch baixou o Rating do País de A- (Seguro) para BBB- (Instável/Inseguro); até ao final desse ano a Standard & Poor’s e a Moody’s seguem o mesmo caminho. No início de 2010 o Governo aprova um 1º pacote de Medidas de Austeridade e Corte de Despesa em que se destacam duas em particular:
1 – Congelamento de Salários e pensões na Função Pública;
2 – Aumento de Impostos sobre Tabaco, Bebidas, Combustíveis e Bens de Luxo.
Enquanto isso o Rating do Estado Grego continua a ser baixado pelas Agências de Rating. Assim em Abril de 2010 o Governo de Papandreou pele o resgate financeiro à Troika (FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia). A ajuda cifrou-se me 45 mil milhões de Euros. Entretanto as Agências de Notação descem o Rating da Grécia ao nível de “Lixo”! Pelo que em Maio Governo Grego e Troika assinam um acordo que prevê um auxílio no valor de 110.000 milhões de Euros… mais medidas de austeridade são aplicadas. Sobretudo a partir de Junho de 2011 quando Evangelos Venizelos assume a pasta das Finanças no Governo de Papandreou com o compromisso de empreender uma verdadeira Batalha contra a Dívida Grega. Grandes manifestações contra o Governo resvalam para a violência. Papandreou demite-se a 6 de Novembro.
Em Março do ano seguinte já o valor da ajuda financeira da Troika ultrapassa os 130.000 milhões de Euros. Não se conhecem números exactos de suicídios visto que as famílias escondem a causa da morte por vergonha e porque não é tolerado pela Igreja Ortodoxa e o funeral ser penalizado…
Antonis Samaras chega ao poder em Junho de 2012 à frente de uma grande coligação entre a Nova Democracia e o PASOK e outros.
Em Outubro desse ano é divulgada lista Milionários Gregos com contas na Suíça e grandes dívidas ao erário público. Ficou conhecida por Lista Lagarde (então ministra das finanças da França).
Em Novembro mais medidas de austeridade são aprovadas. Os Protestos rebentam em Atenas. Alexis Tsipras apresenta-se como líder da Oposição às Medidas de Austeridade recorrentes considerando que dessa forma a Economia Grega irá continuar a definhar… mas em Abril de 2013 o Parlamento aprova o corte de 15.000 postos de trabalho no Sector Público no espaço de um ano! Três meses depois à carga com milhares de “lay offs” e cortes salariais. O Desemprego atinge o valor “pornográfico” e desumano de 28%!
Em Abril de 2014 a Grécia regressa aos Marcados de Dívida de forma positiva e a Fitch sobe o Rating do País para B- (grau de investimento não especulativo). Sol de pouca dura: em Dezembro o Governo de Samaris cai por o seu Candidato Presidencial não ter sido aprovado no Parlamento. Em Janeiro deste ano o Siriza de Alex Tsipras ganha as Eleições Legislativas e forma Governo de Coligação com partidos e de Esquerda e até de Direita Nacionalista! Anuncia que chegou ao fim o ciclo da Austeridade… Varoufakis assume a condução das Finanças e interlocutor nas negociações com a Europa; defende medidas para o crescimento e não meros cortes de despesa. Em Fevereiro Siriza consegue uma extensão do programa de ajuda de 4 meses em troca de um Plano de Reformas…
Mas o País está exangue: a Dívida atinge os 180% do PIB; os níveis de Fome e Pobreza estão ao nível de Tempos de Guerra! Os Jovens qualificados emigram massivamente e o PIB continua a cair vertiginosamente… Em Junho não há Dinheiro o que leva o Governo a pedir ao FMI o pagamento de tranche até ao fim do mês. Tsipras anuncia um Referendo em que o Povo Grego terá de dizer “Sim ou Não” (Ne/Oxi) à austeridade proposta pelos credores (falava-se em cortes superiores a 8.000 milhões de Euros!). Tsipras e o Siriza apelam ao Não (que acabou por vencer por 61% contra 39%). Apesar disso os Gregos dizem que querem continuar na EU e no Euro…
Pelo meio o Governo impõe medidas de controlo financeiro apertado: Bancos fechados até ao referendo, limite de levantamentos diários limitados a 60€, proibição de transacções de capitais para o estrangeiro, etc. A Bolsa de Atenas afunda e a sua actividade é suspensa sem data de reabertura. Mas a Grécia falha o pagamento de 1.600 milhões de Euros ao FMI e entra, oficialmente, em Incumprimento!
Espero no próximo artigo ter dados mais claros e positivos para reflectir sobre a Grécia…Redação Gazeta da Beira
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