Francisco Queirós

O constante “Esmiuçar” da vida dos Políticos terá limites nesta sociedade “voyeur”?

Ponto prévio: entendo que todos os Políticos têm de “transparentes” e exemplares perante as Sociedades que servem! Todos sem excepção e não apenas aqueles que num dado momento convém que sejam dispensados de tal obrigação!

Ora anda para aí um burburinho sobre os atrasos do Sr. Primeiro-ministro no que concerne aos seus deveres para coma Segurança Social num determinado período da sua vida profissional. E digo atraso por pelos visto já liquidou o que devia e a tal poderia furtar-se porque desde 2009 que a divida estava prescrita. De resto em 2006 o Governo de Sócrates tinha decidido não cobrar as dívidas em atraso à Segurança Social com o argumento que a falta de informação informatizada não permitiria tal empresa e as dívidas acabaram por prescrever. Aceitou o pagamento voluntário dos cidadãos que o entendessem fazer. 278.000 resolveram não pagar. 324 milhões de Euros ficaram por cobrar 5 anos mais tarde o mesmo Sócrates teve de chamar a “Troika” para resgatar Portugal!

A actual PM pagou o que devia. Cumpriu o seu dever pela medida mínima e nada mais do que isso: devia ter pago em devido tempo como qualquer contribuinte! Mas antes tarde que nunca. E “à mulher de César não basta ser séria; é preciso que também o pareça”! Não sendo a ideal a atitude de Passos Coelho pelo menos minimiza o seu incumprimento. Além disso os atrasos dizem respeito ao Cidadão Passos Coelho e não ao PM Passos Coelho! O que não é questão menor pois foi fora do enquadramento das suas funções de PM que tal atraso/incumprimento se deu. Além disso uma questão se levanta: não devem as Instituições para onde estamos obrigados a contribuir avisar os Cidadãos das suas faltas? Parece óbvio que sim; e se mesmo hoje com a poderosa ferramenta da informática estes avisos falham imagine-se há uns 10 ou 15 anos atrás no tempo dos processos em papel… nada disto desculpa o que o Cidadão Passos Coelho fez: todos temos o dever de possuir um “cadastro limpo” em matéria de contribuições e impostos (IRS, SS, IMI, IUC, etc.). Quem exerce cargos públicos deve ter uma vida profissional, fiscal e política totalmente impoluta e ser, repito, exemplar a esse nível.

Assim curiosas e inaceitáveis se tornam as atitudes de alguns que querem agora “explicações cabais e rápidas e a própria “cabeça do Primeiro-ministro” por assunto de relevância muito relativa, mas que pactuaram durante anos a fim com muitas questões e dúvidas de natureza Profissional, Pessoal, Moral, Fiscal e Política do anterior PM que, 6 anos depois, ainda estão completamente por esclarecer!

Mas vamos mais longe: o actual PM dentro do possível forneceu aos Portugueses, Políticos e Jornalistas explicações aceitáveis (que não desculpam o seu “esquecimento” bem entendido!); o anterior a tudo respondia com Arrogância, Insultos e Ameaças de processos Judiciais! Já se esqueceram? Pois, pelos vistos… afinal não será só Passos Coelho que tem lapsos de memória muito convenientes! Quer-me parecer que então os Partidos não se propuseram a aproveitamentos políticos tão demagógicos como os “moralistas” de agora. Cada um tire daqui as conclusões que bem entender!Redação Gazeta da Beira

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