Francisco Queirós
O futuro da direita
O futuro da direita
A bancarrota de Sócrates despertou o eleitorado para problemas até então negligenciados, como a dívida e a estagnação económica que dela resulta. Costa tem (com mesmo muita sorte pelo meio) surfado a maré!

Quando António Costa formou governo com o apoio dos partidos derrotados nas legislativas de 2015, tornou-se óbvio que a direita só voltaria a governar com maioria absoluta. Ou com uma força de direita arrebatadora, ou que os existentes se entendam. Não foi o que sucedeu. Ao invés, desde 2015 que a direita decidiu aguardar pelos maus resultados da governação socialista. Maus resultados que não APARECERAM, não graças à Governação Socialista (Confrangedora), mas porque o BCE impôs juros de tal ordem baixos que anestesiou os efeitos negativos da dívida que subiu devido à desgraçada governação do governo socialista. De 231 mil milhões de euros em finais de 2015, a dívida pública chegou aos 249,7 mil milhões de euros no final de 2019 (em 2021, depois da pandemia, atingiu os 269 mil milhões de euros).
Esta anestesia foi a sorte de Costa ao fez crer o povinho iletrado no contrário: que o país estava no caminho certo das contas certas Não houve cortes nos salários nem sequer lugar ao mal-estar que qualquer reforma do estado provoca. A única peça que destoou foram as cativações na saúde, mas os que as sofriam eram os que precisavam de cuidados médicos e esses são, felizmente, uma minoria. A esquerda estava satisfeita com as aparências porque as aparências a mantinham no poder.
Perante este cenário, Costa limitou-se a esperar. Ao primeiro-ministro não lhe bastava unir a esquerda (já estava); era preciso dividir a direita para tal nada melhor que o CHEGA! Viu com bom grado as dificuldades que esse novo partido provocava no PSD e no CDS: ostracizando o eleitorado descontente e chamando a si o mediatismo que Rio e o Chicão perdiam.
Mas a obra não foi só de Costa: também o PSD teve um papel determinante na delapidação do seu património político ao permitir que Rui Rio renegasse o legado de Passos Coelho. O PSD tem esta característica extraordinária de ter os três melhores primeiros-ministros da democracia (Sá Carneiro, Cavaco Silva e Passos Coelho) e não se orgulhar desses nomes quando fala com os socialistas.
O IL foi uma surpresa para Costa. Mas não boa: pois a IL tem muitos militantes que, sendo liberais, também são de esquerda. No entanto, e porque António Costa não tem cultura política suficiente para perceber a possibilidade de existirem liberais de esquerda, a IL é um partido cuja essência lhe escapa e que evita.
Direita novamente no Poder? Ou o PS se parte/enfraquece com a saída de Costa, ou o PSD e a IL trabalhem árduo nestes 4 anos: orgulhando-se do legado de Passos Coelho, Projetando a Liberalização da Economia/Reforma do estado e percam a vergonha de trazer para as suas intervenções as causas dos Descontentes! Se somarem as 2 condições é ouro sobre azul!
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