Francisco Queirós

O socialismo assistido

O Autovoucher é mais um produto na montra do socialismo assistido. Aquele que não trata das expectativas num futuro melhor mas sim de que, ideologicamente sedados, suportemos a degradação da nossa vida!

O famigerado e “malparido” Autovoucher é o mais recente produto na grande montra do Socialismo Assistencial em que Portugal está transformado. Temos residências assistidas, morte assistida e, como não podia deixar de ser, Socialismo Assistido. O que é e em que se distingue o socialismo assistido? Como o próprio nome indica, o socialismo assistido não trata das expectativas num futuro melhor mas sim das condições para que suportemos, mais ou menos sedados quer a degradação do que nos resta de vida quer o espectáculo do populismo inerente a essa degradação.

E é de populismo que temos de falar para explicar como chegámos aqui em matéria de preços dos combustíveis.

Em 2016, o Governo de António Costa resolveu anunciar o fim da austeridade. Esse final passava, entre outras coisas, pelo fim da taxa extraordinária de IRS. Ora como o Governo não abdicava da receita fiscal tinha de ir buscar o dinheiro a algum lado. Onde? Às bombas de combustível que é o mesmo que dizer ao Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP). E assim, no meio da celebração do fim da austeridade (“Mentir pecado e mais que tudo Vergonhoso!”) e envolto na patetice beata do discurso da descarbonização que levou a que se olhasse para a tributação dos combustíveis como se se estivesse a falar de impostos sobre o tabaco ou o jogo (como se deixar de usar combustíveis fosse uma opção como deixar de fumar!) todos os portugueses — até aqueles cujos baixos rendimentos os tinham isentado de pagar sobretaxa de IRS! — começaram a pagar mais impostos. Simplesmente isso acontecia de forma indirecta quando abasteciam o automóvel. Os mais pobres foram obviamente os mais penalizados pois os portugueses mais pobres não se passeiam de bicicleta nas avenidas em Lisboa mas sim em carros em segunda e terceira mão nas cidades, aldeias e vilas do interior. Aquelas onde não se vive, não se trabalha e nem se consegue sequer levar os filhos ao infantário caso não se tenha viatura própria.

Agora em 2022, o mesmo primeiro-ministro que em 2016 usou desta forma populista o Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP) veste a pele de grande redistribuidor e anuncia um reforço do Autovoucher. Com o mesmo automatismo com que cumpriram e cumprem ainda as regras absurdas do confinamento, dos estados de calamidade e emergência, com a passividade com que assistiram a gente a ser multada por estar a comer sozinha dentro de um carro ou a passear num areal deserto, milhares de portugueses correm para as plataformas para se fazerem aderentes. Do Autovoucher hoje. Amanhã será outra medida Oligofrénica qualquer. Ou de mais uma tarifa social… O socialismo assistido é isto: todos acabaremos aderentes, mesmo contra a vontade individual de cada um!

31/03/2022


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