Francisco Queirós

Regionalização, a golpada que se segue?

Primeiro os partidos violam a lei e os votos dos emigrantes acabam no lixo. Agora planeiam fintar a Constituição e promover uma Regionalização de “Secretaria”.

Esqueça-se o acordo dos partidos para violarem a lei eleitoral; esqueça-se a a relutância Presidencial. Esqueça-se também o bluff governamental em torno da necessidade de irmos para eleições porque o país precisava de um orçamento quando agora vamos passar vários meses sem orçamento… enfim esqueça-se tudo isso, não porque seja irrelevante, mas sim porque nos bastidores já está em marcha a golpada que se segue: a regionalização.

Note-se que após os portugueses terem dito não à regionalização passou a vingar a tese de que alguma vez eles iriam dizer sim, o que já de si era espantoso, mas faz parte das regras do jogo jacobino da democracia que vamos sendo. Leiam as declarações da Presidente da ANMP, Luísa Salgueiro, em entrevista ao Expresso. Está lá tudo. Por exemplo, a Constituição institui “a obrigatoriedade de pelo menos metade dos eleitores irem às urnas votar” no referendo. Uma chatice, portanto. Mas nada que faça desistir a intrépida presidente da ANMP: muda-se a Constituição!!! Mas claro muda-se como convém, ou seja, muda-se sem mudar (???) porque mudar a Constituição um processo complicado e demorado. Mais precisamente, diz Luísa Salgueiro ao Expresso, faz-se “um ajuste”, sim um ajuste porque um ajuste não é uma revisão. No ajustar é que vai o ganho!

Mas não acaba aqui o ajuste ou melhor dizendo o torcer do referendo para que ele dê o único resultado que Luísa Salgueiro aceita como possível, ou seja o sim à regionalização. Segundo o Expresso, a autarca descarta que o mapa das regiões conste da consulta aos eleitores. Traduzindo, os eleitores que já não terão de ser 50 por cento mais um votarão a regionalização, mas desconhecem o mapa que esta pode vir a tomar. Talvez seja o das atuais CCDR. Ou talvez não. De qualquer modo o mapa não está em discussão. Isso também não importa: o que é essencial é que os “Tachos” para os Boys” estejam disponíveis,

Sejamos sinceros, o acordo dos partidos para subverterem a lei eleitoral no caso do voto dos emigrantes é uma brincadeira ao pé da proposta da actual presidente da ANMP para o referendo à regionalização!

Transforma-se a regionalização num facto consumado e o sim dos Portugueses só “atrapalharia”! A regionalização tornou-se o fio que une os interesses de um primeiro-ministro incapaz de reformar o Estado, mas desejoso de deixar uma marca do seu exercício; de um presidente da República que chegou ao cargo como génio da política e acabou a provar o seu contrário: anulou-se a si mesmo e ao PSD deixando caminho avenida aberta ao PS.

As golpadas são como a Coca-Cola: primeiro estranha-se, depois entranha-se!

23/02/2022


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