Francisco Queirós
Depois do Brexit… Rotundo falhanço na Vacinação será o golpe fatal na UE?

O falhanço da vacinação na UE é mais grave que a crise das dívidas soberanas porque atinge o centro da construção europeia! Só para se ter uma ideia: Alemanha ter-se-ia saído melhor se comprasse as vacinas sozinha…
O projecto europeu surgiu para, com ajuda da NATO, manter a paz na Europa e combater a ameaça colocada pela antiga URSS. Alcançados os dois objectivos, a União Europeia tornou-se num pretexto para os europeus recuperarem preponderância mundial face aos EUA e China. Cada país Europeu por si não possui Geografia, Demografia e Economia para enfrentar aqueles potentados. Só que…
O continente europeu é um aglomerado de povos com línguas diferentes e um passado conflituoso. Os EUA construíram-se de raiz e a China teve guerras violentas apenas dentro das suas fronteiras.
Os fundadores do projecto Europeu tinham noção plena que a democracia não era possível: por exemplo Jean Monnet nunca foi eleito por voto popular!
Desde então a construção europeia atolou nas tais divisões que marcam o nosso continente. A França era (é) proteccionista e não queria ver a Alemanha a enriquecer à sua custa, por isso recusava o Mercado Único! E (pasme-se) foi Margareth Thatcher que pôs fim a este impasse: em nome de um Grande Espaço Económico sem Barreiras, pressionou a então CEE a assinar o “Acto Único Europeu” em 1986. Prometia-se crescimento e prosperidade para todos! Com a queda da URSS e a unificação alemã a realidade europeia alterou-se drasticamente. A Alemanha tornou-se no centro da Europa. A França voltou a tremer perante a crescente supremacia alemã. Mitterrand chegou mesmo a propor a criação de uma Moeda Única assente no Marco Alemão… e o projecto Europeu começou a descambar!
Margareth Thatcher e o RU ficaram de fora da Moeda Única porque não toleravam que Berlim condicionasse as decisões Orçamentais e Monetárias britânicas (e o sucesso económico de Thatcher deve-se ao monetarismo). Thatcher entendia ainda (e bem) que interesses nacionais impediriam a democracia das instituições europeias.
A crise de financiamento que se abateu sobre Portugal em 2011 comprova os avisos de Thatcher. O drama português é que, ao contrário dos Britânicos, não podemos descartar a UE, nem o Euro, tão pouco Bruxelas e, acima de tudo, Berlim. Portugal precisa dos Fundos Europeus e porque, desde há séculos, mal governado carece de um “Administrador” Externo!
O interesse francês é manter a Alemanha por perto e o interesse alemão no uso de uma Moeda Forte e de um mercado para onde enviar os produtos da sua máquina exportadora. Não havendo outra cola que não “o Interesse” a uni-la a UE termina quando o desinteresse se instalar. Melhor: quando o ganho na saída compensar a perda. Foi esta a equação que o Reino Unido fez no Brexit e com aparente sucesso!
Ed. 802 (25/03/2021)

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