Fragas de Aveloso – UM FESTIVAL QUE MARCA A DIFERENÇA

A Direção da Associação Fragas Aveloso

Fragas de Aveloso – UM FESTIVAL QUE MARCA A DIFERENÇA

Cultura, Ciência e Tradição

 

O VI Festival Fragas Aveloso realizou-se entre os dias 15 e 18 de agosto passado com um programa muito diversificado, à imagem de anos anteriores, mas também com a introdução de novas realizações, como foi o caso do espetáculo do grupo de Viseu “Dançando com a Diferença” constituído por pessoas portadoras de deficiências. Foi extraordinária a atuação daquele grupo no Centro Social de Sul perante uma assistência muito sensibilizada e comovida.

Um Festival muito inclusivo, onde não faltou o habitual concerto na Igreja de Sul com os cantores líricos Sabine e Alexandr Jerebtsov, acompanhados por Sérgio Henrique Gonçalves e a atuação da nossa manhoucense Adriana Gomes. Uma encenação cénica, em torno da figura de Johann Sebastian Bach (1685-1750), pensada e produzida pelo também ator Luís Ribeiro, foi outro ponto alto deste concerto. Uma igreja cheia de gente demonstrou, tal como em anos anteriores, que as pessoas nas aldeias também gostam da chamada música erudita, desde que a saibamos explicar e mostrar as suas origens.

Sabine Jerebtsov realizou ainda, no primeiro dia do Festival, uma oficina de canto na capela do Divino Espírito Santo, que despertou bastante interesse e revelou novas vozes com potencial na região.

As ações do Programa “Ciência Viva” levaram um público diversificado a avaliar o estado de saúde das ribeiras de Rompecilha e da Vagem (Aveloso de Sul), assim como os moinhos de água e outras formas ancestrais de utilização dos cursos de água, como é o caso da colocação do linho depois de colhido nesses cursos de água, numa das fases do ciclo do linho, que em Rompecilha se faz da “Terra ao Tear”.

Os/as participantes no “Ciência Viva” tiveram ainda a oportunidade de ficar a conhecer as “Montanhas de Água”, através da visita às minas e reservatórios de águas subterrâneas para abastecimento público na freguesia de Sul. Estas atividades contaram com a participação de mais de 60 pessoas, incluindo moradores de S. Pedro do Sul, mas também de outras regiões do país, que ficaram muito entusiasmadas com estas atividades, em que a ciência penetra no dia-a-dia das nossas vidas, explicando a importância dos recursos hídricos subterrâneos e superficiais de como a qualidade das águas das ribeiras pode ser monitorizada. Paula Chainho, Luís Ribeiro e João Martins foram os grandes dinamizadores de todas estas ações.

A exposição no Espaço das Fráguas “Desenhos e Sombras” de Luís Silva revelou-nos um artista plástico que fez a sua primeira exposição pública, mostrando as suas enormes potencialidades de criatividade e inovação, usando diversas técnicas e materiais que fazem parte do nosso quotidiano.

Despertou também bastante interesse a exposição de fotografias de casamentos nas aldeias que irá permanecer patente até ao Convívio da Castanha no próximo dia 2 de Novembro. A Associação Fragas Aveloso continuará a recolher fotografias junto das famílias da freguesia de Sul, no sentido de aumentar este espólio interessantíssimo de imagens de trajes e festividades que nos transportam para épocas anteriores e nos reportam memórias escondidas em baús pessoais, deste modo partilhadas com a comunidade em geral e com os mais jovens em particular.

O atelier “Criar valor com agulha e dedal”, dinamizado por Maria do Céu Paiva, demonstrou que a criatividade pode não ter limites, mesmo com as ferramentas mais simples, e as pessoas que nele participaram criaram pequenas peças de artesanato em tecido que levaram consigo.

Os/as mais jovens tiveram também a oportunidade de aprender a manusear o chamado Jogo do Pau, sob a orientação de João Martins, atividade que já foi utilizada na defesa pessoal, mas agora ainda assim muito atrativa para os mais jovens.

O tradicional Arraial Popular no Largo do Espírito Santo teve a participação sempre bem acolhida dos “Vouguinhas” e do grupo de Concertinas de Pesos e Covelinhas, assim como de mulheres do rancho folclórico de Sul, que se juntaram de forma espontânea. A novidade foi ainda a excelente atuação do Grupo de Trajes e Cantares de Cambra, que trouxe um conjunto de instrumentos e vozes harmoniosas, que valorizaram os cantares tradicionais da região.

O convívio com baile popular, sandes de porco no espeto e as escolhas na quermesse criaram também condições para uma maior proximidade entre as pessoas. No Arraial não faltaram os “cantares ao desafio”, e ainda, a participação espontânea de “novos talentos”, protagonizada por jovens que quiseram mostrar o que sabem cantar.

Na noite de encerramento do Festival, no dia 18, aconteceu ainda o programado Cine-Aldeia ao ar-livre, com a apresentação do filme de Jorge Pelicano “Ainda há Pastores?”, cuja exibição se realizou no Largo do Espírito Santo, em Oliveira de Sul, atraindo muitas pessoas numa noite amena de Verão.

A Associação Fragas Aveloso agradece a todos/as os/as voluntários/as que tornaram este Festival possível, assim como os apoios da Câmara Municipal de S. Pedro do Sul, da Junta de Freguesia de Sul e do senhor padre Lindoval, o pároco que de forma aberta tem disponibilizado a linda Igreja de Sul e a Capela do Divino Espírito Santo, esta com a anuência da Irmandade do DES, para a realização dos concertos líricos, bem como do adro da capela para o arraial, mostrando que os espaços religiosos são também espaços de cultura e de convívio para toda a população, independentemente das suas opções religiosas, numa atitude ecuménica de saudar em tempos de múltiplas intolerâncias.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *