Felicidade por João Tordo

Graça Barão

João Tordo nasceu em Lisboa há 47 anos e decidiu-se pela Filosofia enquanto formação académica. Desde a infância que ler era a sua atividade predileta. Daí que ser escritor foi uma condição para a qual evoluiu de forma natural. Foi, ainda, jornalista, argumentista de televisão, tradutor, professor de escrita criativa… e empregado de mesa. Desde 2004, ano do seu primeiro romance, tem publicado com insistência e consistência – a escrita como condição de vida, como se da respiração se tratasse. Bem acolhida pela crítica, a globalidade da sua obra, em 2009, conquistou o Prémio Literário José Saramago, com o romance “As três vidas”, e em 2021, o Prémio Literário Fernando Namora, com o livro “Felicidade”. Tem sido finalista em diversos outros prémios.

 

A vida é de uma densidade pesada, por vezes opressiva. Acreditar que não é assim, é um equívoco. Em “Felicidade” assistimos à evolução dessa densidade até alcançar uma realidade menos tangível, esotérica. Felicidade, Esperança e Angélica (até no nome das personagens) favorecem o jogo que o autor traça para nos atrair e conduzir à reflexão.

O contexto histórico de instabilidade e mudança (o começo da Revolução de Abril) é, ele próprio, propício a inconstâncias e incertezas.

Os equívocos, esses, mostram que a perceção pode estar distante da realidade, ser até contrária, como sucede no episódio do boneco de plasticina (reprodução miniaturizada do professor “badocha”) que afinal, em vez de pretender ridicularizar o professor, era uma prova de amizade do aluno.

A intensificar a narrativa, o estilo humorístico “…qual seria a melhor estratégia para tirar o homem daquele vazio entre andares.”, incisivo, real “Eramos amigos, ou não? Eu tinha sido mais do que um professor para ele, ou não? Eu preocupava-me com ele, ou não?”.

09/02/2023


Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *