Falecimento de Henrique Rodrigues da Silva

Textos de Mário Correia de Oliveira e de António M. Almeida (S. Félix)


 

S. FÉLIX

• Texto de António M. Almeida

Foi com enorme tristeza que tive conhecimento da morte do meu amigo Henrique (Rodrigues da Silva). Tive oportunidade de estar e falar com ele durante algumas horas, duas semanas antes da sua “partida”, aquando da visita que lhe fiz, como sempre fazia sempre que me deslocava à nossa terra (de que tanto gosto, tal como também ele gostava) e desde que a falta de saúde o deixou impossibilitado de sair de casa e vir até ao Entroncamento conviver com os amigos e com eles fazer o que tanto apreciava: comer e beber, falar e ver o seu Benfica no café Figueiral.

Não foi por acaso que sublinhei a palavra falar. É que o Henrique, da forma que podia e sabia, acabava por ser uma voz da freguesia. Ele foi, durante muitos anos, o correspondente dos dois periódicos regionais (Noticias de Lafões e Gazeta da Beira) e sempre dava conta do que ia acontecendo (ou não acontecendo o que por vezes até era mais importante, como é o caso do que adiante referirei).

É um amigo a menos – e é o que mais lamento – mas é também um fator de menor  motivação pelo interesse pela minha terra. É que cada vez há menos pessoas a preocuparem-se com a freguesia que continua esquecida pelo poder local.

O Henrique sempre se preocupou e tentou fazer alguma coisa pela terra que o viu nascer. Ele não se limitava a dar informação sobre as missas e procissões, sobre as festas e romarias, óbitos e nascimentos, casamentos e baptizados – acontecimentos sempre interessantes -, mas escrevia e procurava intervir pessoalmente junto do poder instalado. Não seria por acaso, nem certamente só por ser seu amigo, que o Senhor Presidente da Câmara o visitava na sua morada o que, no meu entender, merece ser realçado.

O Henrique deixou-nos sem ver um dos seus grandes sonhos (que também é o meu e de todos os fregueses de S. Félix) realizado: o saneamento básico e distribuição de água ao domicílio na freguesia. Também os responsáveis pela limpeza dos caminhos, valetas da estrada e do cemitério, pela forma como os parcos recursos públicos são geridos, pela falta de melhorias de serviços à população, vão poder viver mais tranquilos já que partiu alguém que lhes chamava a atenção para essa responsabilidade.

Por todo o trabalho desenvolvido pelo Henrique em prol da freguesia e pela preocupação de fazer chegar às redacções as notícias ou outros assuntos de interesse local, por vezes com grande esforço, mas sempre para poder “falar” de S. Félix, entendo que na hora da sua partida é merecedor do reconhecimento e de destaque nos periódicos para os quais colaborou durante tantos anos.

Esta é a minha pequena mas sentida homenagem a um amigo.

E, aos meus sentidos pêsames para toda a sua família, junto, simbolicamente, um grande ramo de cravos vermelhos para o Henrique.

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