Estórias da Nossa História (IX)
Fernando Luís
De S. Pedro do Sul a Alva no século XIX
Hoje não trago aos leitores da Gazeta nenhuma das minhas estórias.
A história que hoje começo a escrever é a adaptação de uma crónica de viagem que Pinho Leal deixou na sua obra, em doze volumes, Portugal Antigo e Moderno publicada no último quartel do século dezanove.
Partindo deste legado, de um português que ficou conhecido como militar, escritor e historiador, vou reescrever a sua narrativa transitando-a, na forma da escrita, da daquele tempo para a de hoje.
Nessa altura, S. Pedro do Sul tinha cerca de 700 fogos. O dobro dos que teria em 1768, trezentos e quarenta e quatro.
Pertencia à comarca de Vouzela e o concelho tinha vinte freguesias contando com Covelo de Paivó que, entretanto, passaria para o concelho de Arouca. Diz que a vila, inserida na formosa e fertilíssima terra de Lafões, situada na confluência dos rios Sul e Vouga, num vale muito aprazível, fertilíssimo e salutífero, cercada de formosas quintas e pomares a tornam numa das mais belas e importantes vilas da Beira Alta.
Muitos dão a esta terra o cognome de Cintra da Beira e o seu clima e a sua posição topographica justificam a cognominação.
Diz ainda Pinho Leal que os povos destes sítios são em geral robustos, sóbrios pacíficos e amigos das artes (…) e já os romanos tinham as mulheres destes lugares pelas mais belas da província e ainda hoje conservam estes créditos.
Logo de seguida, sem fazer parágrafo, mudou de assunto para outro elogio: o que posso affirmar é que também as vitellas de toda a comarca são de um gosto delicioso.
Ora, em 28 de Fevereiro de 1854, festejando-se o carnaval, houve uma marcha de estudantes da Academia de Coimbra até Tomar, instalando-se depois, nesta cidade, grande desordem o que levou o Governo a conceder aos estudantes trinta dias de férias período que depois viria a ser alargado até à Páscoa. Perante este interregno das aulas, Pinho Leal e o companheiro António Rodrigues Pinto, futuro juiz em Cinfães, resolveram ir visitar as famílias numa viagem que, pelo caminho mais curto, passava por Avelãs de Caminho, Talhadas, Vouzela, S. Pedro do Sul, Castro Daire até Lamego.
Segundo ele, eram vinte e uma léguas de caminho diabólico principalmente do Sardão até Vouzela, pela serra das Talhadas, e de Castro Daire a Lamego, através da serra do Mezio.
Que das três léguas de S. Pedro do Sul a Castro Daire, duas eram razoáveis, mas a da Cobertinha a Alva era uma légua interminável, insuportável, imensa.
Neste ponto, à semelhança do que aconteceu em relação à vila de S. Pedro do Sul, refere alguns dados estatísticos da freguesia de Vila Maior que na altura teria 264 fogos e 1156 habitantes.
Enumera as principais povoações, algumas que hoje já não existem como é o caso da Dardã ou dos Pousadouros.
Já nessa altura os templos desta freguesia se se reduziam à igreja paroquial e duas capelas. As principais produções agrícolas eram os cereais e o vinho e que, já nessa época, havia aqui uma aula oficial da instrução primária elementar.
É em territórios de Vila Maior que começa a aventura, a história que Pinho Leal descreve, com interessantes pormenores, e que iremos abordar em próximo número.
Nota: Neste texto, o autor optou por não seguir as regras do novo acordo ortográfico
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