Está a chegar a sétima edição da Feira Nacional do Mirtilo

O mirtilo tem cada vez mais importância para a economia de Sever do Vouga

Ed655-MacheteFalta sensivelmente um mês para a sétima edição da Feira Nacional do Mirtilo. Entre os dias 26 e 29 de junho, Sever do Vouga, a Capital do Mirtilo, volta a estar em festa e espera receber mais de 40 mil pessoas. Na contagem decrescente para este evento, com dimensão nacional, Sofia Freitas, a coordenadora da AGIM, faz a antevisão da Feira do Mirtilo e fala da importância que, cada vez mais, o fruto assume na economia do concelho.

• Patrícia Fernandes

As novidades da sétima edição

Mais animação, mais conhecimento, mais mirtilo

A Feira do Mirtilo está a chegar e mais uma vez traz muitas novidades. Mais decoração, uma maior componente técnica e mais animação são estas as principais novidades da Feira que quer promover o mirtilo e a sua capital. Como explica Sofia Freitas em declarações à Gazeta da Beira, “queremos um espaço dinâmico, com animação permanente, no qual, o visitante sinta que há sempre algo para poder fazer”. Opções não vão faltar, workshops de culinária, apanha de mirtilos, desporto, concursos, música e passeios pela vila no Vouguinha (comboio turístico emprestado pelo Município de Vouzela) são só algumas das propostas. Um dos momentos mais aguardados vai ter lugar no último dia. No domingo, dia 29, a Feira vai ser integrada no programa“Portugal em Festa”, transmitido em direto na televisão, em canal aberto.

Para além da animação, o grande atrativo é evidentemente o mirtilo. Este fruto pode ser adquirido na Feira, mais barato, fresco e com uma qualidade difícil de superar. Como explica Sofia Freitas, “Há muitas pessoas que vêm à Feira, que compram mirtilo para congelar e ter em casa durante todo o ano para poderem consumir. Em granel, na Feira, pode-se encontrar mirtilo a 9€ o quilo, ora, é um preço muito baixo se compararmos com o preço normalmente praticado. Mesmo na época pico da colheita 14€ é o valor mínimo que encontramos. É uma diferença muito grande para o consumidor.”. A frescura também é outra das vantagens. Os frutos vendidos no certame são colhidos, na véspera ou mesmo no dia. “O mirtilo é de excelente qualidade, quem prova o fruto na Feira do Mirtilo dificilmente, depois, consegue encontrar outro com melhor qualidade”. Garante a coordenadora da AGIM.

Dezenas de expositores do concelho vão estar no Parque Municipal a promover o mirtilo, dos mais diversos modos. Desde fornecedores de plantas, comercializadores da fruta, a artesãos, a Feira do Mirtilo quer “conjugar no mesmo evento vários ofícios, empresas de vários setores de atividade que estão entre si ligadas ao mirtilo”. Licores, compotas, gelados, chás, pães, bolos, ou simplesmente mirtilos, a variedade é muita, o sabor o mesmo.

Sete anos a promover o mirtilo e a sua capital

Sete anos depois, a génese do evento é a mesma. Como adianta a coordenadora da AGIM, esta iniciativa continua com três objetivos centrais: “Dar a conhecer o fruto, fomentar o consumo nacional e promover turisticamente o concelho de Sever do Vouga”. Sete anos depois os resultados já são evidentes, “mas o trabalho é de continuidade”.

De edição para edição, são cada vez mais os que visitam o certame, são cada vez mais os que compram mirtilos. Segundo números revelados pela AGIM à Gazeta da Beira, no certame, em média, vendem-se cerca de 10 toneladas de mirtilo e centenas de plantas. Mas, esta Feira traz muito mais a Sever do Vouga. Restauração, hotelaria, comércio em geral, todos ficam a ganhar. Nas últimas edições, o número de visitantes tem rondado os 45 mil. Número que a AGIM quer superar  nesta sétima edição.

A Feira do Mirtilo também  tem sido determinante para dar a conhecer o fruto aos portugueses. Em 2008, antes da primeira edição, a Mirtilusa, escoava noventa e oito por cento dos seus produtos no mercado externo. Apenas dois por cento sobravam para o mercado interno, os quais eram absorvidos pelo próprio concelho. Fora de Sever do Vouga eram poucos os que conheciam o fruto. Volvidos sete anos, os números são hoje bem diferentes. Mais de cinquenta por cento da produção da Mirtilusa foi escoada no mercado interno. Uma notícia importante para o futuro da fileira. Como defende Sofia Freitas, “seria importante para os produtores que o mercado nacional absorvesse vinte, a trinta por cento da fruta produzida”. Uma forma de salvaguardar o escoamento, e prevenir alguma instabilidade que possa vir a surgir no mercado externo.

 O futuro da Fileira

A Capital do Mirilo quer continuar a crescer

No futuro, a fileira dos mirtilos quer continuar a crescer. Até porque, como explica, Sofia Freitas, as prespetivas internacionais para Portugal são muito animadoras. O consumo aumenta todos os anos a nível europeu e mundial.“A apetência para o fruto português é grande, nós produzimos numa janela de produção muito interessante, em que há uma escassez no resto da Europa, essa janela dá-nos uma vantagem competitiva muito grande”, defende Sofia Freitas. O objetivo é fidelizar o cliente, para isso é perentório alargar o ciclo de produção. Como explica a coordenadora, “temos que começar a produção mais cedo e terminar mais tarde. Conjugando a produção do norte com a do sul nós conseguimos ter no mínimo meio ano de mirtilo”.

Espera-se que em 2020, em todo o país, estejam plantados cerca de 2 mil hectares, o que faz de Portugal um país de produção média na Europa. Só em Sever do Vouga, atualmente estão plantados mais 45, em breve, tudo indica que esse número possa ascender para 75 hectares.

O abaixamento do fruto (que poderá acontecer derivado ao aumento da oferta) não preocupa Sofia Freitas, até porque, como defende, as plantações podem aumentar consideravelmente a sua produtividade. Atualmente, em média, o fruto é pago aos produtores a 4,5€ o quilo e segundo as previsões, este valor pode baixar até os 3,5€. A produção atual de mirtilos, contudo, que atualmente ronda as 6,6 toneladas por hectare, pode facilidade subir até às 10, ou mesmo até às 15 toneladas. Como clarifica, “A produção atual é muito baixa. Com bons planos de fertilização, com um bom acompanhamento, com o produtor empenhado na sua função, com as podas bem feitas, a produção pode aumentar consideralvelmente”.

Bolsa de Terras

Como a Gazeta da Beira já anunciou, a primeira edição da Bolsa de Terras foi um sucesso, a segunda segue-lhe os passos. Foram realizadas sessões de esclarecimento em todas as freguesias e a recetividade tem superado as expectativas iniciais. Como confirma Sofia Freitas, “Os proprietários estão a aderir e a disponibilizar os seus terrenos, o arrendamento é uma solução interessante. Primeiro, porque permite às pessoas ter um rendimento anual com uma terra que têm abandonada e que por uma série de razões não podem cultivar; depois, deixam, também de ter o custo de manutenção associado à limpeza dos terrenos e, finalmente, é uma forma de valorizar o terreno, através de melhoramentos fundiários e novas infraestruturas”.

Nesta fase, estão agora a ser visitados os terrenos e formadas explorações que consigam dar viabilidade ao projeto. No início de junho, a AGIM e os parceiros esperam poder lançar já novos projetos. Procura não falta “Se tivermos 50 explorações, temos 50 pessoas interessadas… ou 100”.Confirma a coordenadora.

Associações fortalecem a fileira

As associações assumem um papel central para a fileira. Para um futuro sustentável são precisas “regiões fortes de produção de mirtilos ligados a produtores organizados e associados entre si”. Como defende Sofia Freitas, “é muito importante a cooperação entre os produtores”. Uma cooperação ampla que vai desde as “compras, ao aluguer das máquinas uns aos outros, à mão de obra partilhada, ao sistema de frio, aos conhecimentos técnicos e às experiências…”.

Chile, uma oportunidade

O Chile é, segundo Sofia Freitas, “um parceiro estratégico para o futuro”. Como explica a coordenadora da AGIM, o país produz em contraciclo com Portugal, e neste sentido, numa tentativa, de fechar o ciclo, ou seja, de ter o fruto disponível durante todo ano, há já empresas interessadas em investir no país.

Por outro lado, o país da América do Sul é dos países com mais conhecimentos do fruto e que muito pode ensinar.

Transmitir conhecimento técnico aos produtores tem sido um dos objetivos centrais da AGIM. No âmbito do projeto Cluster dos Pequenos Frutos, a Associação tem promovido inúmeros workshops; visitas de estudos; encontros de produtores, de técnicos e de comercializadores… Se no passado o mirtilo era o menos conhecido dos pequenos frutos, hoje já muito se sabe do fruto azul. Como defende Sofia Freitas, “Temos desenvolvido um trabalho que visa a transferência de conhecimentos para o produtor, a AGIM tem-se esforçado para que o conhecimento esteja acessível a todos”. Os resultados são hoje já evidentes, a fileira demonstra “um elevado conhecimento técnico” e uma “boa organização”.

Boas perspetivas para o futuro dos mirtilos. Um trabalho que exige continuidade e que quer continuar a crescer.Redação Gazeta da Beira

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