Entrevista a Pedro Miguel Mouro

Vice-Presidente da Câmara Municipal de São Pedro do Sul

“Gente que ousa fazer”

• Paula Jorge

Olá! Sou a Paula Jorge. Estarei convosco para responder a mais um desfio. Espero não vos desiludir. A rubrica “Gente Que Ousa Fazer” será assente numa entrevista a alguém que tenha algo válido no seu percurso de vida. Gente que sabe o que quer e, acima de tudo, que luta por aquilo que quer. As entrevistas serão sempre encaminhadas de forma a mostrar o lado melhor que há em cada um de nós e, dentro do possível, ousar surpreender o leitor. Serão entrevistas com a marca das nossas gentes, da região Viseu Dão Lafões, de todos os quadrantes e faixas etárias. Vamos a isso!

 

Ficha Biográfica

Nome: Pedro Miguel Mouro Lourenço

Idade: 41 anos

Profissão: Economista

Livro preferido: Vários, tudo o que seja biografias de personalidades relevantes

Destino de sonho: Quando estou em S. Pedro do Sul o meu destino de sonho é Lisboa, por ter lá a minha família. Quando estou em Lisboa, é S. Pedro do Sul, por ser a minha terra de coração.

Personalidade que admira: Nelson Mandela

 

Paula Jorge (PJ) – Muito obrigada, Senhor Vice Presidente, Dr. Pedro Mouro, por mostrar disponibilidade para esta entrevista da rubrica “Gente Que Ousa Fazer”. Comecemos pelo princípio.

Pode descrever-nos o seu percurso académico?

Pedro Mouro (PM) – Estudei em S. Pedro do Sul até fazer o 12.º ano com 18 anos. Depois fui para a Universidade no Porto durante 5 anos e logo a seguir, com 23 anos, fui para Lisboa trabalhar para o setor privado. Paralelamente fiz algumas formações em contabilidade, seguros e pós-graduação em economia de empresas. Desde os tempos da Escola Secundária que fui mantendo no concelho de S. Pedro do Sul a atividade de dirigente associativo e a participação na atividade política local, desde a Associação de Estudantes da Escola Secundária, Juventude Socialista, Assembleia Municipal e Vereador da Oposição.

PJ – Dr. Pedro Mouro, fale-nos do seu percurso profissional.

PM – Como referi anteriormente, desde os 23 anos que comecei a trabalhar no setor privado em Lisboa, em empresas ligadas à família e não só. Mantive esse percurso durante 13 anos até que o gosto pela política, que até aqui era uma atividade secundária, por força de um convite de Vítor Figueiredo em 2013, falou mais alto e aceitei o desafio de integrar o executivo da Câmara Municipal, deste modo fazer uma mudança radical na minha vida.

 

PJ – Que balanço faz destes seis anos em que integra o executivo da Câmara Municipal de S. Pedro do Sul?

PM – Tem sido um balanço extremamente positivo e, acima de tudo, um desfio constante, porque, quer eu, quer o executivo, sobretudo o Presidente, temos sempre ideias novas a surgir, projetos novos a realizar, sempre a pensar na melhoria da qualidade de vida dos sampedrenses e na projeção de S. Pedro do Sul.

 

PJ – Neste momento, relativamente ao município, quais são as suas prioridades?

PM – Nós, nestes últimos 6 anos, passámos por períodos e fases diferentes. Como sabe, a situação financeira do município era muito má e tivemos que começar por melhorar substancialmente as contas do município, por outro lado o concelho estava com elevado atraso na rede de águas e, sobretudo, na rede de saneamento. Para o efeito, tivemos que lançar um conjunto de projetos e obras nesta área. Agora e paralelamente, estamos com novos desafios que nos permitem projetar mais S. Pedro do Sul, captar emprego e porventura fazer regressar alguns dos nossos emigrantes. Para o efeito, estamos a desenvolver um conjunto de investimentos na valorização turística: ecopista, balneário romano, parque da cidade, intervenções na Serra de S. Macário e aldeias típicas e construção do parque industrial de Pindelo dos Milagres, entre outros investimentos.

PJ – Fale-nos um pouco de alguns entraves que possam apresentar-se como fatores impeditivos daquilo que pretende fazer pelo município.

PM – Primeiro fator impeditivo e que tem vindo a ser atenuado tem a ver com a já referida situação financeira que tínhamos no município, por outro lado aquilo aquilo que vamos notando no dia a dia e que nos impede de ser mais céleres e eficazes é a burocracia e o excesso de dificuldades criadas por muitos organismos públicos que tutelam as mais diversas área. Muitas das vezes, nós Câmara, levamos com a culpa de situações que não são tão eficazes, mas verdadeiramente os entraves vêm de outros organismos, sobretudo, porque há entidades que desconhecem algumas das realidades, especialmente dos territórios de baixa densidade e do interior e que são, por vezes, muito diferentes das grandes áreas metropolitanas.

 

PJ – Quais os grandes projetos que retende concretizar no município a médio e longo prazo?

PM – Verifica-se, à semelhança de todos os concelhos da região, uma diminuição da população. Como já referi, com a melhoria em curso da situação financeira da rede de saneamento e de outras infraestruturas básicas para a população, há um conjunto de medidas para as tornar mais atrativas e, sobretudo, para tentar inverter o declínio da população. Precisamos de, nos próximos anos, pela via da revisão do PDM atrair mais empresas em zonas de localização empresarial; mais investimento privado no setor turístico para continuarmos o ciclo de crescimento na procura turística; ajuda na revitalização do comércio e dinamização social das aldeias para atenuar o seu despovoamento; voltar, no futuro, a criar condições vantajosas para aquisição/reconstrução ou construção nova de habitação nas nossas aldeias e também um estímulo cada vez maior ao regresso à agricultura e à floresta numa perspetiva geradora de riqueza.

 

PJ – Qual o sentimento que o domina quando está no terreno ao serviço da população que  elegeu o executivo do qual faz parte?

PM – É um sentimento de responsabilidade extrema, sobretudo por duas razões. Por um lado, porque, pelo resultado eleitoral que a população nos conferiu, coloca-nos num patamar de exigência máxima, obrigando-nos a trabalhar sempre mais e mais. Por outro lado, a responsabilização pessoal e do órgão é cada vez mais acentuada por força das exigências atribuídas pelo poder central e também, porque não dizê-lo, pelos próprios munícipes que estão sempre atentos às nossas tomadas de decisão.

PJ – O que é que ser Vice Presidente do concelho de S. Pedro do Sul mudou em si enquanto pessoa?

PM – Penso que não mudou muito. Tentei manter-me sempre fiel aos meus princípios. Não mudei a minha maneira de ser, nem a minha personalidade. Por exemplo, às vezes, dizem-me que não sou muito simpático e que, sendo político, deveria ser mais simpático. Nesse aspeto sempre achei que não deveria mudar, porque apenas estou a ser natural. Em termos de mudanças menos evidentes, acredito que me tornei mais sensível, sobretudo mais sensível aos problemas que me têm surgido dos mais desfavorecidos, dos que não têm emprego, das pessoas que vivem em zonas mais isoladas. Penso que essa tem sido a minha mudança e até a minha marca.

 

PJ – Muitas histórias terá guardadas, quer partilhar connosco aquela que mais o marcou no seu percurso ao serviço do município de S. Pedro do Sul?

PM – Eu costumo dizer um pouco a sério, um pouco na brincadeira que um dia hei-de escrever um livro de memórias de histórias e peripécias que foram acontecendo nesta minha passagem pela Câmara Municipal. Há tantas que me marcaram, sobretudo aquelas em que nós fazemos acontecer, isto é, aquelas em que nós idealizamos, projetamos, construímos e disponibilizamos ao serviço da nossa comunidade. Para lhe descrever um momento concreto, destacaria um trabalho árduo que tive para resolver o problema do enclave de emprego protegido e que permitiu o regresso à Câmara Municipal de 6 ex colaboradores portadores de deficiência e que injustamente tinham saído da Câmara Municipal. O momento do regresso e a respetiva emoção que eles demonstraram, assim como os seus familiares, e o nosso Presidente Vítor Figueiredo, foi um momento que me marcou, porque percebi que esta é, acima de tudo, uma missão que temos o dever de cumprir da melhor forma que podemos e sabemos ao serviço dos outros.

 

PJ – Porque os jovens são o futuro, acha que os jovens, atualmente, acompanham e dão valor à política?

PM – Ao contrário da ideia que passa na sociedade civil, acompanham a atividade política como nunca. O que é diferente é a valorização que lhe dão. Isto é, valorizam pouco a atividade política, sobretudo a atividade político-partidária, por culpa, não deles, mas sobretudo de gerações que não souberam elevar e dignificar essa atividade. Ainda assim, como referi, os jovens acompanham e opinam sobre o mundo que os rodeia nas mais diferentes áreas, por exemplo, as preocupações ambientais têm sido uma área de reflexão e ação política muito evidenciada pelos jovens. O que falta é fazer a ponte entre a reflexão/discussão política que é feita pelos jovens e que os leve ao outro lado na esfera político-partidária ou, se quiser, na esfera do poder decisor.

PJ – Por falar em futuro, o Dr. Pedro Mouro está de pedra e cal ao serviço do município e empenhado em continuar o trabalho que iniciou, ou terá em vista outros voos maiores?

PM – Essa é uma pergunta difícil, sobretudo, porque na atividade política é difícil projetar o futuro, mesmo o futuro a curto prazo. Aquilo que lhe posso dizer é que, enquanto estiver nestas funções, estarei com o máximo empenho e determinação. Quanto ao futuro, é mesmo uma decisão difícil para mim, porque, por um lado amo estas funções e o trabalho que desenvolvo neste concelho, mas, por outro lado tenho a família em Lisboa e tenho perdido muito, sobretudo o crescimento dos meus filhos. Sei que muita gente me vê como o possível sucessor de Vítor Figueiredo e outros me veem a sair daqui para outras funções. Resta-me concluir e deixe-me dizer: “O futuro a Deus pertence”.

 

PJ – Além da política, que outras paixões nutre, que o completam enquanto pessoa?

PM – A política permite-me também viver outras paixões, sobretudo uma que eu adoro que é o convívio salutar com pessoas genuínas de forma desprendida, por exemplo, um jantar com amigos ou uma simples saída à noite são momentos que me fazem sentir realizado. Fora deste cenário, o simples convívio com os meus filhos, as suas brincadeiras, a minha paixão pelo Benfica e o gosto de viajar com a família, são outros exemplos que posso aqui deixar.

 

PJ – Apenas numa palavra, pode descrever-se?

PM – Imprevisível.

 

PJ – Para fechar esta entrevista, o que me diz o seu coração?

PM – Costumam dizer que sou muito frio e que tenho dificuldade em exprimir os meus sentimentos. Portanto, aquilo que eu acho que o meu coração me diz é que, na verdade, sou muito sentimental, mas gosto de guardar isso para mim.

 

PJ – Quero, em meu nome pessoal e em nome da Gazeta da Beira, dizer-lhe que foi uma enorme honra, Senhor Vice Presidente, Dr. Pedro Mouro! Desejo-lhe a continuação de um excelente trabalho e MUITO OBRIGADA!

Peço-lhe que deixe uma mensagem breve a todos os nossos leitores e aos sampedrenses.

PM – Aos leitores da Gazeta da Beira, em geral, queria deixar uma mensagem de apreço por valorizarem este Jornal de referência na região, sobretudo por ajudar na divulgação e promoção dos territórios de Lafões.

Aos sampedrenses, em especial, uma palavra de agradecimento pela confiança demonstrada ao longo destes anos e um pedido especial para que sejam cada vez mais “bairristas” e orgulhosos da sua terra, porque de facto temos um concelho ímpar, de uma beleza única e com características inigualáveis.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *