Entrevista a José Carlos Almeida
Presidente da União das Freguesias de Carvalhais e Candal

A rubrica “Gente Que Ousa Fazer“ será assente numa entrevista a alguém que tenha algo válido no seu percurso de vida. Gente que sabe o que quer e, acima de tudo, que luta por aquilo que quer. As entrevistas serão sempre encaminhadas de forma a mostrar o lado melhor que há em cada um de nós e, dentro do possível, ousar surpreender o leitor. Serão entrevistas com a marca das nossas gentes, da região Viseu Dão Lafões, de todos os quadrantes e faixas etárias. Vamos a isso!
• Paula Jorge
Ficha Biográfica
Nome: José Carlos Moreira de Almeida
Idade: 46 anos
Profissão: Engenheiro Civil
Livro preferido: Não tenho nenhum em especial. Gosto de escritores clássicos portugueses, sobretudo de Eça de Queiroz, pela forma como descreve as personagens, os espaços, os contextos, demonstra a riqueza da língua portuguesa. O livro dele que li mais recentemente foi “A Cidade e as Serras”, gostei muito.
Destino de sonho: Nesse campo das viagens, são vários os meus “sonhos” … Gostava de tornar a visitar Cuba, pelo mar, pela natureza, mas, sobretudo pela expressão cultural da sua população. Queria conhecer melhor o norte de África – o Magreb, as arábias, o oriente e tenho muita curiosidade em conhecer a África que foi portuguesa.
Personalidade que admira: nos dias que correm não há apenas uma personalidade que encerre em si só a minha admiração, mas no meio disto tudo acho que o atual Papa, o Papa Francisco, é uma referência global para toda a humanidade, não só pela sua forma de atuar perante os temas que afetam a humanidade, mas também pela sua vontade em fazer com que a Igreja se actualize e perceba a realidade do mundo em que vivemos.

Muito obrigada, José Carlos Almeida, por mostrar disponibilidade para esta entrevista da rubrica “Gente Que Ousa Fazer”.
Paula Jorge (PJ) – Comecemos pelo princípio. Pode descrever o seu percurso académico?
José Carlos Moreira de Almeida (JCA) – Iniciei a escola primária em Lisboa, mas vim concluir a quarta classe na antiga Escola Primária de Sá, foi minha professora a D. Nazaré Barros, uma das minhas primeiras referências. Fiz depois a Telescola em Carvalhais e no 7º ano fui para a Escola Secundária de S. Pedro do Sul, onde concluí o ensino secundário em 1993. Ingressei no Ensino Superior no Instituto Superior de Engenharia de Coimbra tendo concluído o bacharelato em engenharia civil no final de 1996. Entretanto iniciei a minha atividade profissional, enquanto frequentava em simultâneo a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra como trabalhador estudante. Foi nessa condição que concluí a licenciatura. Mais tarde fiz uma pós-graduação em Sistemas Integrados de Gestão do Ambiente, Qualidade e Segurança na Escola Superior de Tecnologia do Instituto Politécnico de Viseu.
PJ – Fale-nos do seu trajeto profissional.
JCA – Iniciei a minha atividade profissional em outubro de 1997 numa empresa de construção civil e obras públicas que tinha sede na Figueira da Foz. Ao serviço dessa empresa desempenhei funções de diretor de obra em várias obras na cidade e na região de Coimbra. Em simultâneo iniciei também a minha atividade como trabalhador independente que mantenho até hoje tendo desenvolvido trabalhos de projetista, diretor de obras, medidor e orçamentista, formador, etc.
Em 2004 nasceu a minha filha e como a minha esposa trabalhava cá em S. Pedro do Sul, decidi mudar de vida e regressar para junto da família. Em março de 2005 comecei a colaborar com o Centro de Promoção Social de Carvalhais, onde efetivei cerca de um ano depois.
O facto de estar ligado à junta de freguesia, primeiro como secretário e depois como presidente, fez com que me mantivesse por cá, continuando a trabalhar no Centro de Promoção Social onde desempenho funções de responsável da qualidade, do aprovisionamento e da gestão de equipamentos e património.
PJ – Ser Presidente da União de Freguesias de Carvalhais e Candal é, acima de tudo, uma missão. Conte-nos sobre esta sua experiência de vida.
JCA – Iniciei a minha atividade política em 2001. Fiz parte da equipa do saudoso Senhor António Matos, juntamente com o Domingos Marques (o Senhor Domingos da Caixa como todos o conhecem). Fui secretário da junta de freguesia até ao falecimento do presidente António Matos, que foi também um grande amigo e uma referência para mim enquanto pessoa. A partir de maio de 2008 assumi a presidência da então junta de freguesia de Carvalhais, tendo sido reconduzido no cargo nas eleições autárquicas de 2009. Em 2013 fui novamente candidato, agora da União das Freguesias de Carvalhais e Candal, tendo sido reeleito em 2017. Continuo a ser presidente da junta de freguesia, porque as pessoas têm depositado a sua confiança em mim, mas faço-o porque gosto e porque sinto que sou útil à comunidade. Pode considerar-se que é uma espécie de “missão”, mas deve ser sobretudo um compromisso consciente, desempenhado com humildade e empenho.

PJ – Enquanto Presidente da União de Freguesias será sempre o defensor de um de um povo e das suas tradições. Como lida com esta vertente?
JCA – – Sim, cada povo tem a sua identidade e essa identidade caracteriza-se pela forma como vive as suas tradições. Procuro estar à altura das grandes tradições que a população das Freguesias de Carvalhais e Candal possui como suas raízes sociais e culturais. Além de tudo tentar fazer para as defender, tenciono sempre contribuir, tanto pessoal como institucionalmente, para que estas raízes não se esqueçam e para que nunca deixem de fazer parte da nossa memória coletiva. Acredito mesmo, que essas tradições aliadas a outras potencialidades do nosso território e região, podem e devem constituir uma base importante para o desenvolvimento económico e sustentável de grande parte da nossa população. Aliás, foi apoiado nessa ideia que criámos a ATASA – Associação Turística e Agrícola da Serra da Arada.
PJ – Que associação é essa? Quem a fundou e quem pode participar na sua atividade?
JCA – A ATASA é uma associação de dinamização sociocultural e empresarial sem fins lucrativos que tem por objetivo o desenvolvimento da atividade turística e agrícola da região da Serra da Arada, sendo esta a promoção do território, dos produtos endógenos e dos produtos locais, bem como a dinamização de projetos de investimento no âmbito do turismo e da agricultura. Tem ainda por objetivo o desenvolvimento de atividades nas áreas da cultura, da educação e do ambiente, procurando a salvaguarda, a recriação e a divulgação das potencialidades do património cultural das comunidades locais e a criação de sinergias com o património de outras comunidades. Foi fundada pela junta de freguesia e por outras entidades sociais e económicas locais que pretendem disponibilizar o seu conhecimento e a sua experiência em prol da promoção e do desenvolvimento do território e da sua população, tendo em vista o incentivo ao investimento e à criação de emprego, nas áreas do turismo, da agricultura e da dinamização sócio cultural.
Podem ser associados da ATASA empresas ou outras entidades coletivas ligadas à agricultura, floresta, turismo e cultura com sede e/ou com interesses no nosso concelho e no território da Serra da Arada. Podem ser também associados, pessoas individuais que tenham colaborado com a associação na dinamização e promoção dos seus eventos culturais, nomeadamente no Tradidanças e nas Trad’Ações, por exemplo.
É uma associação recente, mas que já desenvolve alguns projetos importantes, que se têm afirmado no panorama nacional e até internacional, contribuindo grandemente para a promoção da nossa região.
PJ – Pode enumerar alguns desses projetos?
JCA – Temos alguns projetos em execução, nomeadamente: a “Recuperação Agro Turística da Aldeia da Arada” que é um projeto que candidatamos ao programa “Valorizar” do Turismo de Portugal, com o qual se pretende criar na Arada um empreendimento destinado ao turismo de natureza, ao turismo de montanha e ao turismo de tradição. Pretende-se que este equipamento seja um importante apoio ao setor turístico da região, que se afirme como um centro de experiências complementar aos diversos alojamentos existentes no território/região e às nossas termas; outra atividade desenvolvida pela ATASA e que todos certamente conhecem ou já ouviram falar é o “Festival Tradidanças”, o qual pretendemos que seja uma forte atração de público ao nosso concelho/região; a associação está também a desenvolver outros projetos de incentivo ao investimento e ao empreendedorismo social e económico que estão neste momento a decorrer e que irão ter resultados visíveis a curto e a médio prazo; no âmbito sócio cultural estamos a trabalhar uma iniciativa que passa pela criação de um centro de interpretação, que seja também um centro de artes, em torno do património imaterial e natural da Serra da Arada e da região, iniciativa onde iremos contar com parcerias com várias autarquias locais e com agentes económicos privados que ajudarão a financiar o projeto.
Óbvio é, que só nos é possível desenvolver todos estes projetos com o apoio e a colaboração do Município de S. Pedro do Sul, de outros municípios da região, das juntas de freguesia, da Adrimag e dos nossos parceiros económicos e sociais.
bty
PJ – Tem agarrado com alma alguns projetos importantes, um deles é o Tradidanças. Quer falar-nos deste enorme projeto e de tudo o ele envolve?
JCA – Lançar um projeto como o Tradidanças foi um grande desafio. Foi preciso muita coragem e determinação. Desde a saída do Andanças que sempre houve uma vontade de avançar com um novo evento, porém não havia uma base que pudesse suportar este risco, digo isto em vários aspetos e não só no financeiro. Com a criação da ATASA, e com a necessidade de desenvolver dinâmicas de atração de público ao território, a promoção de um evento relevante voltou a ser tema de debate. Colocaram-se novas dúvidas: que evento seria? como haveria de ser o conceito? como o iríamos financiar? etc… O know how que em Carvalhais já existia da organização logística de um evento de grande participação e o facto do nome da terra ser conhecido dos amantes da música e da dança trad folk, levou-nos a trabalhar num novo evento dentro desse conceito. Porém teria de haver algo mais, algo que fizesse a ligação do evento ao território e às suas tradições, daí ter surgido o nome “Tradidanças – Festival de Tradições, Música e Dança”. Em 2017, em quatro meses apenas, foi desenhado o evento, com a participação muito especial e empenhada do Grupo de Intervenção Cultural Espíritos Inquietos, que nesse ano ficaram responsáveis pela produção e pela programação. O Rui Chã Madeira, o Nuno Almeida e o António Manuel Martins foram excecionais e vão ficar para sempre ligados à origem deste evento. Sabíamos que o festival para ter impacto tinha de ter um começo forte e assim foi. Nesse ano 0 do Tradidanças verificámos que houve um “regresso” bastante significativo de participantes a Carvalhais. Para 2018 prometia, e com a entrada da Filipa Pereira para a associação e enquanto produtora do festival, o Tradidanças começou a “circular” no panorama do trad folk. Na edição de 2018 acrescentámos o tema “Natureza” ao evento e nessa segunda edição contámos já com cerca de 6000 participantes. Com uma organização exemplar, um programa bastante abrangente e participado, com claros objetivos de contribuir para a sustentabilidade e para a promoção turística da região, levou-nos a que na edição de 2019 o Tradidanças tivesse o apoio do programa “Sê-lo Verde” do Fundo Ambiental e a ser posteriormente reconhecido com duas nomeações dos Iberian Festival Awards. Em 2019 o evento chegou quase a uma dezena de milhar de participantes nos quatro dias de festival.
Sentíamos que estávamos no bom caminho, com um festival a crescer em termos de participantes, uma programação cada vez mais rica e pluricultural, um evento de atração de público a contribuir para a valorização do nosso território e região como pretendíamos que viesse a ser, até que em 2020 veio a pandemia e à semelhança dos outros festivais, o nosso também foi cancelado. Ainda assim, um sinal muito significativo de que estamos no bom caminho e de que já somos uma referência nacional e até internacional, foi a recente atribuição do prémio Iberian Festival Awards como o melhor festival nacional na “contribuição para a sustentabilidade”, e o reconhecimento desse mérito pelo público em geral que promete regressar ao Tradidanças em 2021 e trazer muitos mais participantes para todos partilharmos a música, a dança, a natureza e as tradições.
PJ – Devido à epidemia mundial corona vírus/covid-19, o Tradidanças foi cancelado em agosto de 2020, tal como muitos outros eventos. Como lidaram e estão a lidar com a situação?
JCA – Não vou esconder que lidámos mal com a situação. Tínhamos excelentes perspetivas para 2020 e com o inevitável cancelamento, ficámos tristes e frustrados. Lembra-me o nosso estado no dia 06 de abril quando tivemos, antes até que muitos outros, de tomar a difícil decisão de anunciar o cancelamento. Mas, dias depois, verificámos que tivemos uma decisão correta e responsável, e isso deu-nos credibilidade. Verificámos que o público compreendeu, apoiou a nossa decisão e quis manifestar que se mantém connosco. Mais tarde, no dia 08 de agosto, precisamente no fim de semana em que o Tradidanças ‘2020 estaria a decorrer caso não houvesse pandemia, decidimos fazer uma conferência de imprensa com um momento musical, assinalar o evento e apresentar as datas para a edição de 2021. O “Tradidanças – Festival de Tradições, Dança, Música e Natureza” decorrerá em Carvalhais nos dias 04, 05, 06, 07 e 08 de agosto de 2021 e estamos esperançados que será um sucesso para o nosso concelho e para a região.
PJ – Fale-nos de outro grande projeto em Carvalhais que é o Carvalhais Futebol Clube e toda a dinâmica em torno dele.
JCA – O Carvalhais Futebol Clube é um exemplo claro de que, quando se integra empenho, determinação e vontade, se congregam apoios e se cumprem compromissos, tudo é possível. A beneficiação do estádio Marques Veloso, com o recente relvamento do campo de futebol e a remodelação das bancadas promovidos pela câmara municipal, com o apoio da junta de freguesia, das empresas locais, dos sócios e amigos do clube, é o exemplo prático de que, com união, coragem e determinação, quando se emprega a experiência e o conhecimento pessoal em prol do interesse coletivo, podemos desenvolver e dinamizar projetos que sejam uma mais-valia para a nossa população e que contribuam significativamente para o desenvolvimento económico e social da comunidade onde vivemos.
Agora uma coisa é certa, com esta grande obra concluída, acresce em todos nós, ao Carvalhais Futebol Clube, à junta de freguesia e à câmara municipal, a responsabilidade no contributo para uma formação mais saudável das nossas crianças e jovens que são o futuro da nossa comunidade.
Manifesto o meu apreço aos órgãos sociais do Carvalhais Futebol Clube pelo importantíssimo trabalho que estão a desenvolver, especialmente à direção também pelo projeto desportivo do clube. Deixo também uma mensagem de reconhecimento ao Sr. Adriano de Almeida, por toda a dedicação a esta grande obra que dignifica a Freguesia de Carvalhais e enriquece o Concelho de S. Pedro do Sul.
bty
PJ – Gostaria de saber qual é a sua perspetiva relativamente àquilo que é
uma riqueza para todos nós, que é o setor florestal, e as medidas que têm tomado para a sua preservação.
JCA – Eu sou daqueles que considera que a floresta poderia ser realmente uma riqueza para a nossa região, mas infelizmente está muito pouco valorizada e subaproveitada. Já houve tempos em que o rendimento florestal contribuía de forma muito generosa para o PIB. Não sou de todo amante desses tempos, mas reconheço que relativamente à floresta havia muito rigor e competência na sua gestão. Para haver uma gestão rentável da floresta é preciso planeamento, legislação eficaz e rigorosa, e investimento.
Na nossa região temos uma área florestal em minifúndio, ora para termos escala precisamos de nos agrupar. Considerando que isso fosse possível, há cerca de uma década foi desenvolvida regulamentação para a criação das ZIF (Zonas de Intervenção Florestal). Em Carvalhais fomos praticamente pioneiros e criámos em 2009 a ZIF de Carvalhais, com cerca de 900 ha, com recurso a áreas florestais particulares. Achávamos que seria uma boa medida, que perspetivava financiamento para o ordenamento da floresta, beneficiação de acessos, acompanhamento técnico, etc, mas não foi assim e até hoje não tem havido apoios que valorizem as ZIF, portanto continuamos sem investimento capaz nas áreas particulares. Continuamos numa gestão de minifúndio, de cada um por si, onde infelizmente se vai plantando eucaliptos porque vão dando para pagar as contitas mais rapidamente…
Nas áreas de baldio, apesar da situação ser diferente o resultado vai sendo igual. O Estado vai mantendo teimosamente um infrutífero regime de co-gestão que não faz nem deixa fazer. Vamos tendo ainda algumas empresas, como a The Navigator Company, a Altri, a Sonae Arauco, a Luso Finsa, etc, interessadas em investir, sobretudo quando há áreas amplas e facilmente mecanizáveis, contudo vão acabando muitas das vezes por desistir no desenrolar dos processos porque se “esgotam” com burocracias e com outras complicações relacionadas com a tal co-gestão. Isto, para já não falar nas outras áreas não mecanizáveis, onde a exploração florestal não é tão interessante, aí vai-se mantendo tudo sem ordenamento, desprotegido, sem acessos, sem investimento e sem plantações, muito menos de espécies aut
óctones.
E neste panorama, o que é que nos “sobra”? : plantações avulsas e/ou clandestinas, florestas desordenadas e mal infraestruturadas, percorridas por incêndios de 10 em 10 anos, infestadas e completamente entregues à bicharada que, a seu belo prazer, já nem se apercebem onde acabam as florestas e começam as aldeias, também porque cada vez há menos pessoas para a contrariar…
Porém, nós autarcas e gestores de baldios, vamos apresentando candidaturas a pontos de água de combate a incêndios, a projetos de estabilização de emergência após incêndio e outros que vamos tendo ao nosso alcance. Mais e melhor não podemos fazer porque não há investimento suficiente e adequado para gerir com o profissionalismo adequado aquilo que seria necessário fazer.
Na nossa união de freguesias, apesar das dificuldades temos feito aquilo que vai estando ao nosso alcance. Em Carvalhais, a junta de freguesia construiu recentemente uma charca de apoio ao combate a incêndios, com uma capacidade superior a 10000 m3 de água, trata-se do maior ponto de água de primeira ordem do concelho e um dos maiores da região, que servirá não só a nossa freguesia mas também todo o concelho, daí ter também tido o apoio da câmara municipal; temos uma parceria com a Montis – Associação de Conservação da Natureza para a Biodiversidade, para a gestão de uma área de 100 ha (não mecanizável), visando a plantação de espécies autóctones e ações de monotorização, controlo e minimização de infestantes; celebramos cessões de exploração florestal com entidades especializadas na gestão da floresta; nos últimos dois anos beneficiámos cerca de 11 Km de acessos florestais; temos em desenvolvimento através da ATASA, com a colaboração da junta de freguesia e promoção da câmara municipal, o programa conhecido como “Cabras Sapadoras” com o rebanho da Arada, para controlo de combustíveis em faixas de rede primária; limpámos em 2019 cerca de 14 km de galerias ripícolas em zonas florestais; temos colaborado com os agentes de proteção civil na sensibilização e informação sobre incêndios florestais e a sua prevenção; temos colaborado com os apicultores locais, com o clube de caça, com as associações de conservação de habitats da fauna local, com o ICNF, com os criadores de gado em regime de pastoreio extensivo; ajudamos os produtores florestais e agrícolas no pedido de autorização para queimas e queimadas; além de outras ações a que nos candidatamos quando há elegibilidade.

PJ – Quer partilhar connosco outro projeto em que esteja envolvido e ainda não tenhamos falado?
JCA – Como a união de freguesias possui uma vasta área florestal e tem muitos produtores florestais, desenvolvemos há já alguns anos parcerias com a Verde Lafões – Associação de Produtores Florestais, e desde 2010 que faço parte da direção da associação, no claro objetivo de ajudar a contribuir para o desenvolvimento da área florestal e agrícola da região de Lafões. A Verde Lafões tem uma equipa bastante profissional de técnicos experientes e bem informados, com os quais colaboro, procurando fazer chegar informação e apoio, incentivando ao investimento no setor, na perspetiva de dinamizar e melhorar um setor que está muito vulnerável, e procurando contrariar todas as dificuldades a que me referi anteriormente.
Mas o meu projeto mais importante é a minha família, que me apoia em todas estas ocupações e preocupações, e que tudo faz por me compreender e aceitar todo o tempo que lhes roubo por estar ausente. Apesar de estar de consciência tranquila por todo o meu percurso, em todas as causas ou projetos comunitários a que me dedico, tenho também a consciência de que serei sempre muito melhor “gratificado” junto destes que amo e que fazem parte de mim.
PJ – Para além das suas ocupações profissionais, que outras paixões nutre, que o completam enquanto pessoa?
JCA – Acima de tudo a família. Essa é a minha maior paixão.
Gosto muito de conviver, de viajar, de conhecer mundo. Gosto de futebol, do Benfica, de estar com os amigos, de passear na natureza, de ler, de ver filmes e documentários na televisão, gosto de ir ao cinema com a minha família, de dançar e de me divertir. E, quando possível, aproveito para descansar o que também é bom.
PJ – Imagine a sua vida sem a sua ocupação profissional, como seria?
JCA – Não imagino. Mesmo que não necessitasse de trabalhar, teria de fazer sempre alguma coisa.
PJ – Apenas numa palavra, pode descrever-se?
JCA – Sensato.
PJ – Para fechar esta entrevista, o que me diz o seu coração?
JCA – O meu coração e a minha razão transmitem: confiança, esperança e muita tranquilidade.
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