Entrevista a Álvaro Maio

Jornalista, poeta e trovador

“Gente Que Ousa Fazer”

 • Paula Jorge

Olá! Estarei convosco para responder a mais um desafio. Espero não vos desiludir.

A rubrica “Gente Que Ousa Fazer “será assente numa entrevista a alguém que tenha algo válido no seu percurso de vida. Gente que sabe o que quer e, acima de tudo, que luta por aquilo que quer. As entrevistas serão sempre encaminhadas de forma a mostrar o lado melhor que há em cada um de nós e, dentro do possível, ousar surpreender o leitor. Serão entrevistas com a marca das nossas gentes, da região Viseu Dão Lafões, de todos os quadrantes e faixas etárias. Vamos a isso!

“O convívio com um dos grandes maestros da música portuguesa, o maestro Artur Fonseca e com o grande jornalista Magalhães Monteiro inspiraram-me a ser a pessoa e o profissional que tenho sido”

Ficha Biográfica

Nome: Álvaro Manuel Oliveira Maio (Álvaro Maio)

Idade: 62 anos

Profissão: Jornalista

Livro: O Príncipezinho de Antoine Saint-Exupery

Música: Ca va pas changer le monde -Joe Dassin

Destino de sonho: São Tomé e Príncipe

Personalidade que admira: Madre Teresa de Cálcutá

 

Muito obrigada, Álvaro Maio, por mostrar disponibilidade para esta entrevista da rubrica “Gente Que Ousa Fazer”.

Paula Jorge (PJ) – Comecemos pelo princípio. Pode descrever o seu percurso académico e o profissional?

Álvaro Maio (AM) – Eu é que agradeço o convite. Para mim é uma honra responder às vossas questões. O meu percurso foi feito entre o desenho Industrial e a rádio. O Jornalismo ocupou-me profissionalmente uma grande parte da minha vida. A par disso os livros e as canções têm feito com que seja bom aproveitar o tempo para esses registos. Como desenhador projetista estive uma parte da minha vida ligado à construção mecânica, enquanto que o Jornalismo me fez passar por várias rádios locais e nacionais, bem como pelas câmaras de TV e por jornais e revistas onde partilhei as minhas crónicas de diversas temáticas. Nesses tempos a Reuter levou-me ao encontro de acontecimentos em várias partes do mundo.

 

PJ – Pode falar-nos do seu caminho ao nível da escrita, enunciando os seus livros?

AM – Embora escreva desde muito novo, só em 2013 iniciei a edição dos meus textos em livro. Desde então editei: Fragmentos (poesia-2013), Mais de mim (poesia-2016), Peregrino de mim (poesia-2019), em 2020 editei ALA ALA ARRIBA com o qual ganhei o Prémio Literário Fundação Dr Luís Rainha/Correntes D’Escritas 2020 em prosa, e em 2022 voltei à poesia editando PURGATÓRIO Territórios de Indiferença que começa a fazer caminho também fora do país.

PJ – Gosta de ler? Considera importante ler para se escrever bem?

AM – A leitura é sem margem para dúvidas muito importante para quem gosta e quer partilhar os seus escritos. Para além do aumento da cultura geral que a leitura vai permitindo, também em termos técnicos para quem edita é uma excelente ferramenta.

 

PJ – Fale-nos da sua experiência na música.

AM – A música desde cedo fez parte da minha vida. A guitarra que aprendi a tocar para os acampamentos de escuteiros na minha infância, serviu também para alimentar musicalmente cerimónias religiosas em que participei. Com essas práticas fui compondo as primeiras canções. O 25 de Abril e os seus Trovadores foram outras inspirações que fizeram com que agarrasse os poemas meus e de outros com esse sentir que me levou a editar um CD de originais onde apresentei cerca de 12 canções inéditas. Hoje preparo a gravação de novo álbum de inéditos depois de ter levado as minhas canções a muitas das grandes salas de espetáculos do país.

PJ – Qual o sentimento que o domina quando está em cima de um palco ou numa atuação mais intimista em contacto com o público?

AM – Acima de tudo e muito mais do que artista, músico ou cantor eu sinto-me um comunicador e por essa razão privilegio os espetáculos mais intimistas, onde eu consigo “ler” o público. Daí que embora cante nos grandes shows com uma mão cheia de excelentes músicos a verdade é que tenho preferência pelas pequenas salas, onde em espetáculos a solo me sinto mais eu!

 

PJ – Fale-nos da sua ligação tão próxima a Lafões.

AM – A região de Lafões e o distrito de Viseu fazem voltar as minhas memórias ao tempo do serviço militar e das corridas de automóveis com o então rali Douro Sul que visitava as terras do Dão-Lafões. As termas então frequentadas pela minha avó também me cá trouxeram muitas vezes na sua companhia. Nos últimos anos, os amigos do Grupo de animação cultural e musical “ Os Noutrotom” e o então Grande Hotel Lisboa hoje Grande Hotel Thermas têm sido palco de muitos dos meus espetáculos e apresentações, onde sempre fui muito acarinhado nas terras do Dão-Lafões.

PJ – Muitas histórias terá guardadas durante todo o seu percurso de vida e profissional. Quer partilhar connosco uma das histórias que mais o marcou?

AM – A minha primeira apresentação em rádio ainda em Moçambique, onde vivi cerca de 15 anos é talvez das mais marcantes da minha vida. O convívio com um dos grandes maestros da música portuguesa o maestro Artur Fonseca e com o grande jornalista Magalhães Monteiro inspiraram-me a ser a pessoa e o profissional que tenho sido. A presença como jornalista em teatros de guerra como o Golfo ou o Kosovo foram também factos marcantes na minha vida. A apresentação do meu CD em 2016 no Casino da Póvoa de Varzim uma das icónicas salas nacionais de espetáculos foi também verdadeiramente inesquecível.

 

PJ – Quer falar-nos de algum projeto em que esteja envolvido e que ainda não tenhamos falado?

AM – Há um projecto que me une ao maestro da minha banda Anibal Magalhães que nos vais levar à edição de um CD intitulado Canto XV, onde foram musicados 15 poemas da lírica camoniana. Depois de pronto tentaremos levar este trabalho em residências artísticas a todo o país. Levaremos dessa forma Camões de uma forma diferente àqueles que são falantes da língua portuguesa e até aos PALOPS.

 

PJ – Acredita que a sociedade dá a devida importância ao setor da cultura?

AM – Já foi pior essa relação. A abertura do país a outras comunidades tem contribuído para que os valores culturais ganhem uma importância na formação de consciências que acabam por influenciar a importância da cultura no desenvolvimento da nossa sociedade.

PJ – Para além de tudo o que já foi referido, que outras paixões nutre, que o completam enquanto pessoa?

AM – Falei da escrita e da música, mas o desporto e a natureza são fatores que ajudam e contribuem para a minha saúde física e mental e para a minha evolução como pessoa.

 

PJ – Apenas numa palavra, pode descrever-se?

AM – Trovador é talvez a palavra com que os meus amigos me brindam e que também eu assumo como uma das palavas que melhor me qualifica.

 

PJ – Para fechar esta entrevista, o que me diz o seu coração?

AM – O meu coração diz-me que depois de tudo o que já vivi se sente em paz e por essa razão é essa a mensagem que procuro passar a quem me rodeia. Escrevi há muitos anos que “a amizade é a mais sublime forma de amar” e por essa razão eu procuro no meu dia a dia partilhar-me, criando à minha volta uma rede de amigos qual família que se vai juntando e aprendendo com as suas práticas de vida a evoluir em grupo!

 

PJ – Quero, em meu nome pessoal e em nome da Gazeta da Beira, dizer-lhe que foi uma enorme honra, Álvaro Maio! Desejo-lhe a continuação de um excelente trabalho e MUITO OBRIGADA! Peço-lhe que deixe uma mensagem breve a todos os nossos leitores.

AM – A mensagem que aqui deixo é para além da gratidão pelo excelente trabalho que têm protagonizado, é pedir-lhes que continuem, porque a cultura portuguesa sairá tanto mais rica quanto for divulgada pelos órgãos de comunicação social em especial os regionais muito mais próximos dos seus leitores e dos povos que lhe estão próximos. Mais uma vez obrigado por esta oportunidade! Enorme abraço aos leitores e colaboradores da Gazeta da Beira.

28/07/2022


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