Em verão de seca severa, Governo asfixia sapadores florestais
ICNF atrasa pagamentos aos sapadores florestais há vários meses
Em Lafões são muitas as equipas de sapadores florestais que vivem com a corda ao pescoço. Em pleno período crítico, de maior risco de incêndios florestais, o Governo, através do ICNF, mantém em atraso o pagamento dos apoios financeiros às entidades gestoras de Sapadores Florestais. A ADRL ainda aguarda o pagamento da segunda tranche que devia ter ocorrido em junho. Já a União de Freguesias de S. Pedro do Sul, Várzea e Baiões ainda não recebeu nenhum pagamento este ano. À Gazeta da Beira as duas instituições, que continuam a cumprir com o serviço público, dizem não saber até quando vão aguentar.

Durante o ano, os sapadores florestais estão obrigado a fazer serviço público. A juntar a isso, no Verão, sempre que o ICNF- Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas emite alertas de perigo de incêndio os sapadores estão obrigados a fazer a vigilância. Para isso, por equipa, por ano, recebem do Estado cerca de 35 mil euros, para colmatar os dias em que não podem trabalhar
para os privados. O que acontece é que os sapadores continuam a fazer o serviço público, a não faturar a privados e sem receber compensação do Estado.
“Estamos sem receber desde janeiro deste ano. Pelo que tenho conhecimento também Sul, Santa Cruz da Trapa e Pindelo dos Milagres estão nas mesmas condições. Nós estamos a prestar um serviço público, este ano já fizemos mais de 30 dias de prevenção. Assim deixámos de fazer serviços a particulares e deixamos de faturar”, lamenta Alberto Paulino, Presidente da Junta de Freguesia de Sul.
Também na ADRL- Associação de Desenvolvimento Rural de Lafões vive-se uma situação difícil. Numa altura em que deviam estar a receber a terceira tranche, pelas duas equipas de sapadores, ainda não chegou a segunda que devia ter entrado em junho. Este ano a ADRL já fez 32 dias de vigilância, a somar a isto o serviço público. “Nós estamos a cumprir o acordo com o Estado, mas ele não está a cumprir connosco”, sublinha a dirigente Ângela Abreu.
Contas apertam
Para já as duas instituições têm conseguido aguentar, mas não sabem até quando. “Estamos a deslocar recursos da junta para conseguir pagar os salários, isso para nós é sagrado, mas as despesas não ficam por aqui, há os encargos sociais, os combustíveis, a manutenção…” destaca Alberto Paulino.
A mesma situação relata Ângela Abreu, “temos atrasado em alguns dias os salários, mas temos conseguido cumprir, graças a uma enorme ginástica financeira. Tem sido muito complicado. Neste momento estamos adiar até ao limite o pagamento da Segurança Social, mas vai haver um dia que teremos que pagar e estamos a falar de encargos de 10 pessoas.”
Sem respostas do ICNF
As duas instituições continuam sem respostas por parte do ICNF. Já mandamos “emails, cartas… ninguém nos dá resposta”, explica Paulino. “O que nos dizem é que o pagamento já foi enviado para a contabilidade, o facto é que ainda não recebemos. Isto tem sido uma situação recorrente, há 3 anos para cá, nunca têm pagado a horas”, explica Ângela Abreu.
Também a Gazeta da Beira tentou contactar o ICNF, mas até ao fecho da edição ainda não tivemos respostas. Contactamos ainda o Fórum Florestal. Hugo Jóia disse ter conhecimento que o Governo está a pagar a conta-gotas. Algumas associações já receberam, outras não. Os critérios que estipulam a ordem de pagamento não são conhecidos. Como refere Hugo Jóia “Há razões que a própria razão desconhece.”
Redação Gazeta da Beira
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