Em Queirã são muitas as artes e as histórias que se cruzam

Diferente gerações unidas para pintar

LuciliaMendes_IMG_9321Lucília Mendes dedicou toda a sua vida ao ensino e é assim que quer continuar, mesmo depois de reformada. Há três anos atrás, lançou um projecto ligado ao artesanato, no qual, várias artes são desenvolvidas. Para além da arte, este projecto distingue-se pelo seu cariz intergeracional e pela vontade de avivar tradições que o tempo esmoreceu.

A antiga escola do ensino básico de Queirã distingui-se, pelas boas razões, de muitas outras que se encontram um pouco por todo o país. A vitalidade e as iniciativas deste edifício, agora ocupado pelo grupo de Cavaquinhos e Cantares da Beira, contrasta com o triste silêncio entre as ervas que começam a crescer, em muitas escolas desactivadas, as quais denunciam o abandono de tantas escolas. Um dos projectos que alberga a antiga escola é liderado por Lucília Mendes, o projecto nasceu há cerca de três anos e está sediado  neste edifício há cerca de dois. A iniciativa partiu das mãos da professora que, depois de reformada, quis continuar a ensinar e a exercer aquilo que entende ser “uma qualidade nata que a acompanhou desde que nasceu”. Como conta à Gazeta da Beira, “este projecto nasceu de uma vontade minha de abrir um atelier, assim que me aposentei, comecei a frequentar um centro de artes. E assim nasceu… aprendi e depois, pus tudo em prática aqui no Grupo  de Cavaquinhos e Cantares da Beira”.

 

Dar uma nova vida a velhos objectos

Artesanato-Queira_IMG_9309Peça atrás de peça são muitos os trabalhos que vão nascendo deste projecto. Muitos dos quais estão  expostos no atelier e servem para o embelezar o espaço, mas, sobretudo, para inspirar as artistas, cujo o entusiasmo quer sempre mais. Como conta a professora “toda a gente está muito interessada, sempre com ansiedade de acabarem um projecto e começar outro, elas estão sempre com projectos na cabeça, parecem uma máquinas”. Todas as semanas são dadas duas aulas, uma no sábado à tarde, outra na quinta à noite, mas os minutos passam e sabem sempre a pouco. Como relata Lucília Mendes “muitas vezes ficamos cá muito depois da hora, estamos aqui de forma tão acolhedora que nem damos conta de o tempo passar”.

Partilham-se história, avivam-se tradições e dá-se uma vida nova a velhos utensílios. Aqui, os objectos a que já ninguém dá utilidade transformam-se em arte. Como conta Lucília Mendes, “pegamos em objectos que não têm valor nenhum, aproveitamos e conseguimos peças maravilhosas, pegamos por exemplo, em potes que antigamente utilizavam na manteiga, em conservas, em travessas velhas, em cântaros, em tudo. Por exemplo, aproveitamos um pote que estava no contentor do lixo em Moselos, perto de Viseu, assim como, umas frigideiras que estavam perdidas num curral velho”.

Tudo serve para fazer arte e a variedade das técnicas é muita, porém, há uma que é a menina dos olhos de quase todas: as telas. Como brinca Lucília Mendes, “eu agora queria começar com os arraiolos, mas as senhoras não largam as telas, fazem uma atrás de outra, gostam mesmo muito de pintar”.

 

Um projecto intergeracional

Em apenas três anos o projecto tem crescido e o número de artistas aumentado, como conta Lucília Mendes, “ainda agora entraram duas meninas”. Um projecto que atravessa gerações e promove a troca de experiência e vivências entre distintas idades. Como explica a professora, neste projecto “a  participante mais nova tem apenas dez anos e a mais velha  cerca de sessenta e oito”, sendo que, independentemente dos anos vividos, todos mostram o máximo empenho.

Em Queirã faz-se arte, mas para a professora não é isso o que mais importa. A arte é também o pretexto encontrado para o ponto de encontro, para o convívio e para a diversão. Até porque, a partir desta iniciativa, como explica Lucília Mendes, nascem muitas outras de enorme importância. Como refere a professora, “como este atelier já nos divertimos bastante, mas, depois, aparecem coisinhas à parte, os nosso lanchinhos e as nossas diversões dão-nos muito ânimo”.

O projecto vai continuar e está aberto a todos os que queiram participar. Mais do que arte a iniciativa promete trazer à freguesia de Queirã muito dinamismo e vitalidade, numa sala em que a juventude se mistura com a experiência e em que a criatividade e a vontade de aprender uma arte se misturam com a diversão e o convívio.

• Patrícia Fernandes

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