Em pandemia visando a memória e a fé em horizonte Pascal
Agostinho da Silva
Terminamos há pouco a comemoração da Festa da Páscoa e por mais leigos que sejamos todos sabemos que a Páscoa Cristã será no contexto do calendário litúrgico a Festa mais importante, essencialmente para os crentes em Jesus Cristo. Tal importância já advém da Páscoa Judaica, pois ela fez nascer o feriado de maior relevo no judaísmo. É a Páscoa comemorativa na fuga dos Judeus da escravidão no Egito. Já o velho testamento faz referências à Páscoa como comemoração do poder e amor que Deus tem demonstrado para com o seu povo escolhido. Porém há acontecimentos na vida humana para os quais tudo e nada nos prepara, desde logo o nascer e o morrer. Será algo que acontece em nós e nos ultrapassa. E quanto mais quisermos controlar, dominar, desenfreando as forças do “eu” mais feridas infligimos a nós próprios e mais desilusões atraímos. Mas quantas vezes importa recuar no tempo para desencorajar o nosso desespero, o nosso sofrimento por vermos nossos familiares e amigos ceifados por um inimigo invisível que a todos ameaça. E assim podemos colocar-nos no que foi o desaire do rasto de morte decorrido há mais de um século, flagelando o Mundo e Portugal com o surto da Pneumónica ou Peste Negra. O nosso Distrito – Viseu -, foi o 3.º a ser afetado em número de mortes -11 280 -, Porto 17 865 e Lisboa 18 338.Ou seja, em termos de baixas terá provocado um número de mortes superior ao das duas guerras mundiais juntas. Ouvi da boca de meu Pai, nascido em 1897, que na freguesia de Serrazes, como tantas do concelho de S. Pedro Sul, houve casas que ficaram sem ninguém. Daí se extrai que a Pneumónica poderia ser a responsável pela morte de 2% da população portuguesa ao tempo. E dentro desse cenário de morte onde tudo era fragilidade e miséria a começar pela rede de assistência médica, ao transporte e sepultura dos mortos, que na maioria das nossas aldeias embora o tempo pós morte para a sepultura, não fossem as 24h de espera, havia sempre um Pai Nosso sem revolta explicita aos Céus. Como diria minha Mãe aos 10 filhos que educou…”estamos à mercê de Deus”. Mas ninguém esperava o que estamos a viver! E por isso, essencialmente todos os Cristãos recorrem à Fé! E se atinarmos àquilo que D. José Tolentino Mendonça, Cardeal Português em Roma, sobre a Semana Santa, refere que Deus “atua nos limites da história” e que esta Páscoa é vivida com um “nó na garganta”. Mais refere que “vivemos sentindo a provisoriedade radical da nossa humanidade”. Sentimo-nos todos precários. E essa precariedade dói como um espinho cravado na nossa carne”. Para D. José T. Mendonça, “Deus está presente manifesta-se, atua nos limites da própria história” e nos “nós cegos” do quotidiano, acrescentando que, para quem crê, Deus não está fora da história, porque ele é o cruxificado”. Sim e pela sua entrega, Cristo crucificado é sinal evidente de dádiva e amor sem limites. Poderemos julgar que Deus teve um gesto de fraqueza e até de humilhação ao permitir o sacrifício abominável de Cristo na Cruz, tendo pela sua dor exclamado:-Eloí, Eloí, lama sabatani” “Meu Deus,Meu Deus, porque me abandonas-te” .Mas Cristo cruxificado é o sinal de excelência do amor de Deus por nós e com o seu poder na Ressurreição do seu Filho Jesus Cristo, Ele diz-nos que também nós pela libertação do pecado e o cumprimento dos mandamentos podemos entrar nessa Ressurreição, pois Cristo é o Caminho, a Verdade e a Vida que nos leva ao Pai. Será de fato nesta aliança dos homens com Deus, onde nos tempos que vivemos os primeiros devem bem procurar e estudar na área da Ciência – já que não pode nem deve haver adversidade entre esta e a Fé -, para as maiores certezas e para que a Humanidade possa libertar-se dos seus medos, das suas angústias, dos seus sofrimentos! Todos sabemos que um dia partimos, deixando familiares e amigos! Mas que seja com alguma dignidade e menos sofrimento e daí a necessidade de saber mais sobre o Vírus desta Pandemia que alastra e mata a Humanidade. Então, neste tempo, em que há pouco celebramos a Páscoa da Ressureição, que os Responsáveis pelo melhor destino da Humanidade por ela olhem e a entendam como um todo e que em União criem e ofereçam em Esperança e Verdade o necessário para que com a ajuda e graça d’Aquele que se humilhou obedecendo à morte e morte de cruz para que possamos ser libertados de tão grande Tormenta.
Páscoa em 04/mar/2021
16/04/2021

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