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Comissão Independente para o Estudo de Abusos Sexuais na Igreja diz que problema atingiu «grande expressividade» e já validou mais de 400 testemunhos

A Comissão Independente (CI) para o Estudo de Abusos Sexuais contra Crianças na Igreja em Portugal revelou no início da semana em conferência de imprensa que validou 424 testemunhos que apontam a um “número significativo” de abusadores entre 1950 e 2022.

Pedro Strecht, coordenador da CI, disse aos jornalistas que o problema “atingiu uma grande expressividade”, repetindo-se em padrões que “devem ser evitados no futuro”. O estudo identificou o risco de repetição de situações com membros do clero ou institutos religiosos que foram “sucessivamente colocadas” em várias funções.

Para o Ministério Público foram já enviados 17 casos e há 30 situações em estudo para “idêntico procedimento”. Há várias situações que já prescreveram. O relatório final da comissão vai ser apresentado a 31 de janeiro de 2023, concluindo o trabalho no prazo previsto e acordado com a Conferência Episcopal Portuguesa.

O juiz conselheiro jubilado do Supremo Tribunal de Justiça, Álvaro Laborinho Lúcio, assumiu a intenção de desenvolver “uma ação claramente preventiva” para o futuro. “Durante muito tempo, houve claramente ocultação desses abusos”, observou, destacando a afirmação “clara” da “tolerância zero”, sobretudo por parte do Papa Francisco, desejando uma “abertura completa” por parte dos responsáveis da Igreja Católica, para enfrentar o que aconteceu no passado.

O Conselho Permanente da Conferência Episcopal Portuguesa, reunido esta semana em Fátima, reiterou “o pedido de perdão às vítimas” e a sua determinação “em tudo fazer para que, no futuro, tais crimes não se voltem a repetir. Uma determinação onde é urgente ver envolvida toda a sociedade”, assinala o organismo dos bispos, em comunicado enviado à imprensa, após a sua reunião mensal.

A CI mantém-se disponível para ouvir quem se lhe dirigir através dos seguintes contactos: inquérito online – darvozaosilencio.org, linha aberta (+351 917 110 000) ou e-mail (geral@darvozaosilencio.org), garantindo absoluto sigilo.

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