Em Foco 831
Ovos e batatas aproximam-se de aumentos na ordem dos 50% no produtor

O Boletim Mensal da Agricultura e Pescas (junho 2022) do Instituto Nacional de Estatística aponta para a normal instalação das culturas de primavera, numa conjuntura fortemente marcada pela seca, pela escalada dos custos com os meios de produção, pela subida dos preços dos produtos agrícolas e pela suspensão das transações comerciais com a Rússia e a Ucrânia.
Em maio de 2022, as variações mais significativas, no índice de preços de produtos agrícolas no produtor foram observadas nos ovos (+48,5%), batata (+46,7%), azeite a granel (+26,3%), ovinos e caprinos (+25,2%) e aves de capoeira (+24,3%).
No milho, cereal fundamental na produção pecuária, apesar de se prever um aumento de 5% na área semeada, o impacto será reduzido na satisfação das necessidades de abastecimento (em média, a produção nacional representa apenas 25% do consumo interno). O abastecimento externo de milho a Portugal era assegurado em 41% pelas importações da Ucrânia (média 2012-2021), país que era o principal fornecedor nacional, obrigando à procura de alternativas no mercado mundial, como o Canadá, Brasil e Polónia.
Verifica-se um agravamento da situação de seca meteorológica, com 98,5% do território em seca severa e extrema. O volume de água armazenado nas principais albufeiras com aproveitamento hidroagrícola encontrava-se a 67% da capacidade total, não tendo sido um fator limitante para a instalação das culturas anuais de regadio.
Nos cereais de outono-inverno prevê-se que o impacto da seca nas produtividades corresponda a um decréscimo entre 10% a 15% o que, aliado a uma área semeada historicamente baixa, agravará a dependência do abastecimento externo.
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