Em Foco 811
Jorge Sampaio (1939 – 2021) um lutador pela liberdade e a igualdade

No passado dia 10 de Setembro, faleceu Jorge Sampaio, aos 81 anos, no Hospital de Santa Cruz, em Lisboa, onde estava internado desde 27 de Agosto, na sequência do agravamento do seu estado de saúde. Marcelo Rebelo de Sousa considerou que o antigo presidente da República foi sempre “um homem bom na partilha da alegria e da dor alheia”.
Jorge Fernando Branco de Sampaio, advogado, foi secretário-geral do PS (1989-1992), presidente da Câmara Municipal de Lisboa (1990-1995) e presidente da República (1996 a 2006). Foi nomeado pelo secretário-geral da ONU, em 2006, enviado especial para a Luta contra a Tuberculose e alto representante para a Aliança das Civilizações (2007-2013).
No texto biográfico publicado pelo Expresso, da autoria da jornalista Manuela Goucha Soares, Jorge Sampaio é referido como “um líder sem medo de chorar em público”, com “a audácia rara dos tímidos que não escondem emoções” e “a autenticidade e o talento para construir pontes” que marcaram a sua vida.
Desde as lutas estudantis contra o regime de Salazar e a defesa, como advogado, de antifascistas no Tribunal Plenário, às eleições de 1969 ainda em ditadura, do Movimento de Esquerda Socialista (MÊS) ao Partido Socialista (PS), já após o 25 de abril, da presidência da Câmara de Lisboa onde conseguiu a primeira grande coligação da esquerda, à Presidência da República e ao trabalho nas Nações Unidas, é a coragem, a defesa da democracia, a participação cívica, mas também a afetividade, que distinguem a história de “um homem discreto que tinha um enorme sentido de humor”.
O Governo decretou três dias de luto nacional e a Conferência Episcopal Portuguesa exprimiu uma “homenagem agradecida pela vida plena de humanidade” de Jorge Sampaio, “dedicada à solidificação da democracia, à defesa dos direitos humanos e ao serviço da causa pública”, salientando o apoio aos refugiados sírios e afegãos, “procurando criar uma autêntica rede de solidariedade entre culturas, civilizações e religiões”.
Marcelo Rebelo de Sousa, destacou que o antigo chefe de Estado “nasceu e se formou para ser um lutador” pela liberdade e a igualdade, tendo provado “que se pode nascer privilegiado e converter a vida numa luta pelos não privilegiados”.
14/09/2021

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