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Faleceu Otelo Saraiva de Carvalho, o comandante militar de uma revolução que derrubou a ditadura sem derramamento de sangue

Otelo Saraiva de Carvalho, uma das figuras mais decisivas do 25 de Abril de 1974, coronel de Artilharia, morreu na madrugada do passado dia 25 de julho, aos 84 anos, no Hospital Militar, em Lisboa. O Presidente da República lembrou o papel essencial de Otelo num momento histórico fundamental, o 25 de Abril e a viragem da ditadura através da revolução para a democracia.”
“Deveu-se à sua capacidade estratégica, dedicação e generosidade o sucesso, sem derramamento de sangue, da Revolução dos Cravos”, sublinhou o Governo nem comunicado. A ele “todos devemos a libertação consumada no 25 de Abril e, portanto, o que hoje somos”.
O presidente da Assembleia da República homenageou “o maior símbolo individual do Movimento das Forças Armadas”, que concretizou o sonho de todos os que “ansiavam por viver em liberdade”, lê-se numa mensagem de pesar.
Rui Rio (PSD) reconheceu “o papel corajoso e decisivo” de Otelo no 25 de Abril”. “Uma dívida de gratidão” porque é a ele que Portugal “deve a democracia e a liberdade”, sublinhou a líder do Bloco de Esquerda. O PCP considera “no essencial, o seu papel no levantamento militar do 25 de Abril”. O CDS “regista com tristeza” a morte de Otelo Saraiva de Carvalho.
Nascido em 1936, em Lourenço Marques, agora Maputo, Otelo Saraiva de Carvalho foi oficial do quadro em Angola, entre 1961 e 1967, e na Guiné entre 1970 e 1973. Participou ativamente no movimento dos Capitães que esteve na origem do 25 de Abril e do Movimento das Forças Armadas. Dirigiu as operações que conduziram ao derrube da ditadura a partir do posto de comando clandestino instalado no Quartel da Pontinha, em Lisboa.
Após o 25 de Abril, foi nomeado comandante do COPCON e da Região Militar de Lisboa. Integrou o Conselho da Revolução. Foi preso na sequência do golpe de 25 de Novembro de 1975, sendo solto três meses mais tarde.
Candidatou-se às eleições presidenciais de 1976 e 1980. Em 1985 foi preso no âmbito do caso FP-25, tendo sempre negado participação nessa organização. Todos foram amnistiados em 1976 por Lei da Assembleia da República.
“Uma revolução paradigmática, que alcança os seus objetivos, derruba uma ditadura e não produz vítimas ao Otelo se deve”, afirmou o militar de Abril, Sousa e Castro, lamentando a perda de “um amigo”.
29/07/2021

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