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25 de abril: Compete a cada um «criar uma sociedade mais justa, fraterna e livre» afirma Jorge Wemans
• Pedro Soares / Foto: DR

Jorge Wemans, jornalista e um dos fundadores do jornal Público, diretor de programação da RTP2 e provedor do espetador da RTP até há pouco, foi um resistente contra a ditadura e participante ativo na Juventude Escolar Católica antes do 25 de abril. Em entrevista recente, afirma que a realidade deu razão aos jovens daquele tempo e alerta que a democracia pode morrer aos poucos. “Devemos comemorar com grande liberdade de pensamento, percebendo que o 25 de abril foi um marco. O que isso significa para amanhã? Compete a cada um de nós criar esses imperativos para criar uma sociedade mais justa e fraterna, mais cristã – diria eu, mas para os que não são cristãos, mais justa, mais fraterna e livre”, afirmou à agência Ecclesia.
O conhecido jornalista, que esteve envolvido na vigília da Capela do Rato, em 1972, onde um grupo de católicos, após a celebração de uma Eucaristia, anunciou uma greve de fome contra a guerra colonial, lamentou a indiferença que hoje se sente em relação à pobreza e à desigualdade estrutural, sendo este um dos pilares para se construir a democracia.
“Não há uma reação, nem da Igreja, uma movimentação na sociedade portuguesa contra isto, dizer que não aceitamos ser um dos países da Europa com grande desigualdade – um quinto das pessoas vive abaixo do limiar da pobreza”, denunciou.
Jorge Wemans recorda a presença espiritual de sacerdotes que, antes da queda do regime de Salazar e de Caetano, “desempenhavam a sua missão de ajudar a discernir e acompanhar” os jovens, mostrando-lhes que, apesar de naqueles tempos “a hierarquia da Igreja católica os acusar de falta de fé, de comunistas e opositores”, os jovens que lutavam contra o regime e a guerra colonial não estavam longe da fidelidade a Cristo.
29/04/2021

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