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Papa considera que “nenhum abuso deve jamais ser encoberto” e apresenta «roteiro» para o combate aos abusos sexuais na Igreja

Perante os 190 participantes na cimeira global de quatro dias, que decorreu na passada semana no Vaticano, sobre os abusos sexuais praticados por membros do clero da Igreja Católica, o Papa declarou que “nenhum abuso deve jamais ser encoberto (como era habitual no passado) e subestimado, pois a cobertura dos abusos favorece a propagação do mal e eleva o nível do escândalo”.

Da cimeira saiu um “roteiro” para o combate aos abusos sexuais na igreja, que coloca em primeiro lugar a “defesa das crianças”, mudando a atitude “defensivo-reativa de salvaguardar a Instituição”.

O pontífice afirmou que é necessário colaborar com a justiça e promover o “caminho da purificação na Igreja Católica, sem “alibis”, reconhecendo a gravidade da situação.

O Papa Francisco determinou que o crime de aquisição, detenção ou divulgação de imagens pornográficas com menores de idade, inserido em 2010 entre os “delitos mais graves” para os membros do clero, no Direito Canónico, deixe de fazer referência a “menores de 14 anos”, para “insistir na gravidade destes factos”.

O último ponto abordado é o problema do turismo sexual, com preocupação pela reinserção das vítimas e o combate ao tráfico e exploração económica das crianças.

A inédita cimeira convocada pelo Papa contou com testemunhos de vítimas, relatórios e reflexões de bispos e religiosos dos cinco continentes.

Já depois da cimeira, foi divulgado que um tribunal australiano considerou o cardeal George Pell, ex arcebispo de Melbourne, tesoureiro do Vaticano e conselheiro do Papa Francisco, culpado de cinco crimes sexuais contra dois rapazes de 13 anos, cometidos há mais de duas décadas.  Na sequência da notícia, o Papa proibiu o cardeal George Pell do exercício público do ministério.

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