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Começou a COP 24 sobre alterações climáticas: “o assunto mais importante do mundo”

Começou no passado fim de semana em Katowice, na Polónia, a Cimeira do Clima – COP 24, com um apelo global contra os efeitos das alterações climáticas. A 24.ª Conferência da Partes (COP24) da Convenção-Quadro das Nações Unidas para as Alterações Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês) prolonga-se até 14 de dezembro.

A comunidade internacional deverá concluir o Acordo de Paris, de 2015, para limitar o aquecimento global a menos de dois graus centígrados, em relação aos valores pré-industriais. A conferência é organizada pela Polónia pela terceira vez, juntando na fase final, entre 11 e 14 de dezembro, líderes de vários países.

O secretário-geral da ONU, o português António Guterres, já interveio na COP 24 e apelou aos países para fazerem mais contra as alterações climáticas em vez de ficarem a ver os seus “impactos devastadores” a acontecer, considerando que é “o assunto mais importante” no mundo.

António Guterres pediu a governos e investidores que “apostem na economia verde, não no cinzento da economia carbonizada”, afirmando que é preciso “eliminar os subsídios aos combustíveis fósseis, que fazem tanto mal ao meio ambiente.”

A meta até 2030, disse o secretário geral da ONU, terá de ser baixar em 45% as emissões de gases com efeito de estufa em relação a 2010. Em 2050, ter-se-á de atingir a neutralidade carbónica, o que será a única maneira de limitar o aumento da temperatura global a 1,5 graus centígrados. “Este é o desafio pelo qual esta geração de líderes será julgada”, considerou.

“O grito da terra, da mãe terra, em relação ao uso que dela fazemos e até à destruição que está em curso, é equivalente ao grito que vem da humanidade, da sociedade que precisa de ser também ela acordada, para que não se cometa este suicídio”, sublinhou D. Gabriel Mbilingi, arcebispo do Lubango (Angola) e presidente do Simpósio das Conferências Episcopais da África e Madagáscar (SECAM).

Os responsáveis da América Latina, Ásia, África, Oceânia e Europa pedem que os “grandes emissores de gases com efeito de estufa assumam responsabilidades políticas e atendam aos compromissos de financiamento climático”.

Entre os pontos centrais da proposta estão a limitação do aquecimento global a 1,5 graus celsius; a adoção de estilos de vida sustentáveis; o respeito pelas comunidades indígenas; ao fim da era dos combustíveis fósseis, com transição para formas renováveis de energia; a reforma do sistema agrícola, para um fornecimento saudável e acessível de alimentos para todos.

Em julho, o Papa defendeu no Vaticano um maior compromisso ecológico de governos e instituições financeiras internacionais, exigindo que todos honrem os objetivos assumidos no Acordo de Paris.

“Todos sabemos que muito deve ser feito para concretizar este acordo. Todos os governos deveriam esforçar-se para honrar os compromissos assumidos em Paris para evitar as piores consequências da crise climática”, assinalou Francisco, perante os participantes no simpósio internacional ‘Salvar a nossa casa comum e o futuro da vida na terra’, por ocasião do 3.º aniversário da encíclica ‘Laudato Si’.

Portugal levou a Katowice o ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes, e uma delegação da Assembleia da República presidida pelo deputado Pedro Soares. Até 14 de dezembro, cerca de 30.000 delegados de 197 países estarão numa maratona de negociações complexas para encontrarem maneira de aplicar o acordo de Paris celebrado em 2015.

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