Em Foco 749
Máquinas com poder para matar «devem ser banidas pelas leis internacionais» – António Guterres
Na abertura da Web Summit
Máquinas com poder para matar «devem ser banidas pelas leis internacionais» – António Guterres
• Redação
A Web Summit é a maior conferência internacional dedicada às novas tecnologias, realizada desde 2009, e que deverá continuar a ter lugar na capital portuguesa por mais dez anos.
Na abertura da Web Summit, esta segunda-feira, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que as máquinas com poder para “matar pessoas” devem “ser banidas pelas leis internacionais” e mostrou-se preocupado com o “impacto social que a quarta revolução industrial [baseada na robótica] vai ter”.
“Máquinas que têm o poder e a capacidade de escolher para matar pessoas são politicamente inaceitáveis, moralmente repugnantes e devem ser banidas pelas leis internacionais”, disse António Guterres, no Parque das Nações, em Lisboa.
O secretário-geral da ONU realçou que o “objetivo é criar uma globalização justa”, sem deixar ninguém para trás e que “era impossível” conseguir todos os avanços atuais “sem a tecnologia”. António Guterres alertou para o impacto social que “a quarta revolução industrial vai ter”: “Não estamos preparados para isso e não nos estamos a preparar suficientemente rápido para isso.”
O antigo primeiro-ministro português observou que serão criados novos trabalhos, mas “muitos trabalhos antigos serão destruídos”. Acrescentou que “esses trabalhos vão ser diferentes, e vamos enfrentar desemprego em larga escala, vamos enfrentar conflitos nas sociedades, com impacto na coesão dessas sociedades”.
O “pai da Internet”, Tim Berners-Lee, também esteve na abertura da Web Summit e referiu que estamos num ponto crucial porque “mais de metade da população mundial continua offline [desligada] e está a desacelerar o número de novas pessoas a ligarem-se à net”, explicou o físico britânico.
Tim Berners-Lee recordou que quando criou a internet, em 1989, “o sentimento geral era que a Humanidade ligada pela tecnologia seria mais comunicativa, mais pacífica e mais construtiva do que a humanidade desligada”, mas acabou por afirmar que quem está online vê “os seus direitos e liberdades ameaçados” pelo que será preciso “um novo Contrato para a Rede, com responsabilidades claras e duras para aqueles que têm o poder de a tornar melhor”.
A organização da Web Summit divulgou que estão inscritos 70 mil participantes, 1800 startups, mais de 1200 oradores internacionais e 2600 profissionais de meios de comunicação, ao longo de quatro dias, até 8 de novembro, na FIL e na Altice Arena, em Lisboa.
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