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No seu Doutoramento “Honoris Causa” - António Guterres alerta para “risco de perder” luta das alterações climáticas

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o português António Guterres, afirmou hoje que há o “risco de perder” a corrida contra as alterações climáticas, depois de receber o título de honoris causa da Universidade de Lisboa.

“A verdade é que tivemos nos últimos cinco anos os mais quentes de que há memória e, infelizmente, no ano passado voltamos a ter um aumento das emissões de CO2 que já não acontecia nos três anos anteriores”, disse António Guterres.

O secretário-geral das Nações Unidas foi distinguido com o grau de doutor ‘honoris causa’ pela Universidade de Lisboa, uma proposta do Instituto Superior Técnico, onde foi aluno e professor.

Na sessão de atribuição do doutoramento, alertou que a humanidade corre “o risco de perder” a corrida contra as alterações climáticas e, “infelizmente”, ainda há quem “com grandes responsabilidades a nível politicas” duvide dessas alterações, mesmo “contra toda a evidência cientifica”.

“É verdade que falta ambição suficiente para em primeiro lugar aplicar os Acordos de Paris e segundo para reconhecer que em si não são suficientes”, observou.

Para António Guterres é preciso “não só concretizar Paris”, mas ter “ambição acrescida” para reduzir a um grau e meio, no máximo 2 graus, “o aquecimento global até ao fim do século”.

Neste contexto, o secretário-geral da ONU realçou que hoje já se veem “as consequências trágicas” de não se “ganhar a corrida às alterações climáticas”, como viu em Antígua e Barbuda e em Domínica “o efeito devastador dos furacões”, atualmente, com “um aumento da sua frequência, intensidade, e a um muito maior impacto devastador”.

“Temos obrigação fundamental de tudo fazer para inverter esta aceleração em que as alterações climáticas continuam a correr mais depressa do que nós”, acrescentou, destacando que se não há boas notícias no plano politico graças aos engenheiros existe uma “extraordinária evolução ao nível das energias alternativas”.

“Creio que não será por falta de carvão e de petróleo que acabará a era dos combustíveis fósseis. É hoje claro que não iremos utilizar todas as reservas que conhecemos”, destacou referindo-se à necessidade de avançar com o processo de transição energética para as fontes renováveis.

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