Em Foco 733

Segunda geração de emigrantes portugueses tem mais habilitações e ocupa profissões mais qualificadas do que os residentes nacionais do mesmo grupo etário

O fenómeno emigratório que caracterizou Portugal, particularmente em meados do século XX, a par da recente vaga emigratória, acentuada com a crise financeira de 2008, referida como a saída da “geração mais qualificada de sempre”, levou a que o Instituto Nacional de Estatística (INE) aprofundasse o conhecimento sobre os emigrantes.

Em estudo recentemente publicado, o INE procurou caracterizar os emigrantes portugueses, primeira e segunda geração, analisar a sua situação no mercado de trabalho nos países de acolhimento e conhecer as razões que motivaram a sua saída do país.

Estima-se que residiam nos países europeus cerca de 1,7 milhões de pessoas com antecedente emigratório português, das quais 907,1 mil (52,8%) eram emigrantes de primeira geração e 812,2 mil (47,2%) descendentes de emigrantes, o que habitualmente se designa por emigrantes de segunda geração.

Destacam-se como principais países de acolhimento da diáspora portuguesa na Europa, a França (62,6%), a Suíça (14,1%), a Espanha (9,3%), o Reino Unido (7,6%) e o Luxemburgo (3,2%).

Apesar de a escolaridade dos emigrantes de primeira geração ser tendencialmente baixa, o perfil escolar da segunda geração de emigrantes era similar ao da média da população europeia analisada. De facto, 27,4% dos emigrantes de segunda geração possuíam ensino superior, proporção mais elevada do que a registada na Europa (26,2%), no total nacional (19,3%) e no conjunto dos emigrantes de primeira geração (11,7%) para o mesmo grupo etário.

Do total dos 907,1 mil emigrantes de primeira geração, mais de metade (53,6%) emigrou por motivos familiares, em geral para acompanhar o cônjuge ou os pais. O emprego foi o segundo motivo mais referido (39,2%). Foram mais os que o fizeram sem ter ainda um emprego no país de acolhimento do que aqueles que emigraram tendo já encontrado emprego, 22,6% contra 16,5%, respetivamente.

Por grupos profissionais, verifica-se que os emigrantes de primeira geração se distinguem dos restantes grupos de análise (emigrantes de segunda geração, residentes em Portugal e na Europa) por terem uma maior proporção de empregados no grupo profissional menos qualificado, com 31,9%.

Porém, os de segunda geração apresentam uma distribuição mais próxima da observada em Portugal e na Europa, com uma maior prevalência de emprego nos grupos profissionais mais qualificados e menor entre as menos qualificadas. Mais de dois quintos (44,0%) dos emigrantes empregados de segunda geração enquadravam-se no grupo profissional mais qualificado.

Os resultados apontam no sentido de uma mobilidade escolar e profissional ascendente da segunda geração de emigrantes face aos seus pais, colocando-se a níveis mais elevados dos que existem em Portugal para população equivalente. A ideia de que os portugueses no estrangeiro se destacam e progridem escolar e profissionalmente parece ser mesmo verdade.

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