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António Guterres, secretário-geral da ONU, sublinha papel dos católicos na construção da democracia e assina «limiar» da nova obra «Portugal Católico»

António Guterres, secretário-geral da ONU, sublinha papel dos católicos na construção da democracia e assina «limiar» da nova obra «Portugal Católico»

O livro ‘Portugal Católico’ foi lançado no início da semana, em Lisboa, pelo cardeal-patriarca e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. Manuel Clemente, e pelo presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Com cerca de 800 páginas, a obra representa, segundo os coordenadores do projeto, “uma radiografia abrangente da Igreja Católica” e “uma espécie de dicionário enciclopédico do catolicismo contemporâneo português”.

No texto que assina para ‘Portugal Católico’, que foi apresentada na Reitoria da Universidade de Lisboa, o secretário-geral da ONU, António Guterres, sublinha o papel dos católicos na construção da democracia

“Falar hoje do Portugal Católico é integrar esse tema na construção, sempre imperfeita e inacabada, de uma sociedade aberta e de uma democracia política, social, económica e cultural em que todos tenham lugar”, refere o antigo primeiro-ministro português.

No ‘Limiar’ do livro, a que dá o título de “Democracia para as pessoas”, Guterres fala da “convergência” de diversos contributos e da importância da renovação lançada pelo Papa João XXIII, em particular pela sua encíclica ‘Pacem in Terris’ (1963), e pelo Concílio Vaticano II (1962-1965).

“Pode dizer-se, assim, que a moderna democracia portuguesa, implantada em 25 de abril de 1974, correspondeu a um compromisso complexo, maturado através da cooperação entre pessoas e grupos de origens e formações diferentes – a partir da liberdade de consciência, da prática da laicidade, da separação entre Estado e confissões religiosas –, centrado na liberdade, no pluralismo, no respeito mútuo e na construção exigente do bem comum, da paz e do desenvolvimento humano”, escreve.

O “testemunho pessoal” de António Guterres sublinha o papel “mobilizador” do Concílio Vaticano II, “não no sentido da repetição ou da rotina, mas da procura de novos compromissos e desafios”, elogiando as “para uma colaboração necessária entre católicos e não católicos” que foram abertas nos pontificados de João XXIII e Paulo VI, “no sentido do bem comum e do desenvolvimento”.

“Era preciso sair para a rua (como hoje proclama o Papa Francisco) e ir para onde havia pobreza, injustiças e exclusão. Recusávamos o mero assistencialismo; era preciso pensar em políticas públicas, consistentes, que atacassem o mal do atraso e do subdesenvolvimento – que, no nosso caso, estava bem próximo, para quem quisesse ver, e não podíamos ignorar”, escreve o secretário-geral da ONU.

Guterres evoca figuras da Igreja Católica em Portugal, no século XX, como o padre Abel Varzim ou D. António Ferreira Gomes, bispo do Porto, como exemplos da consciência de que era necessário “lutar pela liberdade e pela justiça social, contra a pobreza e a exclusão”.

“Sim, em vez da esmola era preciso dar a cana de pesca, mas, mesmo assim, esta era insuficiente – era preciso a educação e a formação, a aprendizagem. E esse desafio obrigava a uma disponibilidade total. Era preciso dar atenção, acompanhar e cuidar”, acrescenta.

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